Reunião de Lula sobre a economia dura quatro horas e medidas ficam para novembro, segundo o G1

Encontro acontece em meio à queda da Bolsa e à alta do dólar desde a reeleição; nome para a Fazenda segue indefinido

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Haddad durante cerimônia de posse ministerial (imagem de arquivo).
Foto: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil / CC BY 2.0 via Wikimedia Commons

🚨 PLANTÃO GAZETA — notícia em desenvolvimento, escrita a partir do que 5 veículos publicaram. As fontes estão no fim do texto; esta página pode ser atualizada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o ex-ministro Fernando Haddad (PT) para uma reunião nesta quinta-feira (5), segundo o Poder360. O encontro deve tratar da política econômica do quarto mandato, em meio à pressão do mercado financeiro.

A reação dos investidores começou logo após a reeleição de Lula. Em 26 de outubro, um dia depois da votação, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, teve forte queda, e a B3 precisou acionar o "circuit breaker", mecanismo que suspende os negócios por alguns minutos quando as quedas são muito fortes.

Na semana passada, o Ibovespa acumulou queda de 18%, a maior desde 2020. No mesmo período, o dólar avançou 9,18%, a maior alta semanal em 18 anos, segundo a Folha de S.Paulo.

Na terça-feira (3), Durigan disse que não discute a própria sucessão no cargo. Ele pediu tempo para que Lula defina as medidas fiscais do quarto mandato e afirmou que os temores do mercado sobre o tema são injustificados, segundo o Poder360.

Disputa pela Fazenda e lista de participantes

Lula ainda não escolheu quem vai substituir Durigan na Fazenda, caso ele deixe o cargo. Segundo o InfoMoney, ainda não há confirmação de que Lula tratará de nomeações durante o encontro. Entre os nomes cotados estão o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Fonteles não participará da reunião desta quinta, segundo a Folha.

De acordo com O Globo, Durigan segue no páreo para continuar na Fazenda. Haddad, é cotado para a Casa Civil, ministério que costuma fazer contraponto à Fazenda. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, também é apontado como favorito para permanecer no governo.

As listas de participantes divergem entre os veículos. A Folha cita Haddad, Alckmin, Moretti, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a ministra da Gestão e Inovação Esther Dweck, o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho e o ex-ministro Guido Mantega, sem mencionar Durigan. O InfoMoney inclui Durigan e também o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Segundo a Folha, a ideia de ouvir mais economistas partiu do próprio Durigan. Lula deve consultar nas próximas semanas economistas ortodoxos e heterodoxos. Ao falar a jornalistas, o ministro afirmou que o objetivo é "dividir o cenário, os diagnósticos" e que vai levar "certamente as propostas, as ideias em termos gerais do que a gente deve fazer nas próximas semanas".

O quadro fiscal está no centro das conversas. A dívida bruta do país está perto de 83% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de tudo o que o país produz em um ano. As despesas com juros somam cerca de 9% do PIB nos últimos 12 meses, segundo o InfoMoney.

O Banco Central, interrompeu a queda da taxa Selic, o juro básico que orienta os juros de empréstimos e financiamentos. O Copom manteve a taxa em 13,75% ao ano e citou aumento das incertezas e piora das expectativas de inflação, sem dizer quando voltará a reduzir os juros.

O debate sobre juros também divide o campo governista. O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, propôs a criação de um conselho para definir metas conjuntas entre política fiscal e monetária, com redução gradual da Selic para 7,5% ao ano. Segundo o InfoMoney, a proposta provocou críticas de integrantes da equipe econômica e preocupação entre investidores. O coordenador do programa de governo da campanha, José Sérgio Gabrielli, apoiou a ideia.

Durigan afirmou que a proposta tem deficiências e descartou mecanismos administrativos para limitar os juros. Mercadante também negou que o tabelamento da Selic esteja em discussão no governo, de acordo com o InfoMoney.

Lula deve fazer um pronunciamento em rede nacional neste domingo (8). Segundo a Folha, o discurso deve reafirmar a preocupação com a taxa de juros e a dívida pública e prometer medidas para a estabilidade da economia. Aliados dizem que a definição dos nomes da equipe deve ficar para o fim de novembro, segundo O Globo. Segundo o mesmo jornal, Lula rejeita qualquer tipo de pressão do mercado para antecipar as escolhas e não tem pressa, por avaliar que o mercado já havia precificado a vitória de Flávio Bolsonaro.

Fontes: Poder360 — “Lula convoca Haddad e Durigan para reunião nesta 5ª feira”; O GLOBO — “Lula ouve grupo restrito de conselheiros enquanto decide futuro da política econômica”; Correio do Povo — “Lula convoca reunião com Durigan e ex-ministros da Fazenda para discutir mal-estar com mercado”; Folha de S.Paulo — “Lula convoca reunião com economistas próximos ao PT e quer ampliar discussão sobre cenário econômico”; InfoMoney — “Lula reúne Haddad, Durigan e Galípolo para discutir dívida pública e rumo da economia”.