Durigan diz que levará propostas a Lula hoje; ajuste fiscal fica para depois da COP31

Ministro afirma que a definição sobre as medidas deve sair após a viagem de Lula à Turquia, segundo O Globo.

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de celebração (imagem de arquivo).
Foto: Lula Oficial / CC BY-SA 2.0 via Wikimedia Commons

🚨 PLANTÃO GAZETA — notícia em desenvolvimento, escrita a partir do que 3 veículos publicaram. As fontes estão no fim do texto; esta página pode ser atualizada.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que levará "cenários e propostas" ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião marcada para hoje. Segundo O Globo, a definição sobre o ajuste fiscal deve ficar para depois da viagem de Lula à Turquia, onde participará da COP31. Segundo a Folha, o governo está sob pressão de setores econômicos para que apresente um plano de ajuste fiscal.

Durigan afirmou a jornalistas, no Ministério da Fazenda, que o encontro foi convocado pelo próprio presidente. "A reunião foi chamada pelo presidente. Ele me comunicou previamente. Eu não tenho maiores informações, mas é mais um esforço para gente dividir os cenários, propostas", disse o ministro. Ele afirmou que levará ideias gerais sobre o que o governo deve fazer nas próximas semanas.

Questionado se o ajuste será anunciado ainda neste ano, Durigan confirmou que as medidas serão divulgadas nesse período. Ele disse, porém, que a definição ficará para depois da volta de Lula. "Quando o presidente voltar da viagem dele, a gente deve ter mais informações", afirmou.

Auxiliares do presidente dizem que Lula chamou a reunião para ouvir economistas e avaliar o cenário de políticas fiscais. Interlocutores afirmam que não há previsão de anúncio de medidas de ajuste após o encontro, pois o presidente está em fase de escuta. Até então, Lula costumava tratar de economia apenas com um núcleo restrito de conselheiros.

Pressão do mercado e dívida em alta

Segundo a Folha de S.Paulo, o primeiro encontro deve reunir Fernando Haddad, Geraldo Alckmin, Bruno Moretti, Aloizio Mercadante, Esther Dweck, Luciano Coutinho e Guido Mantega. O governador do Piauí, Rafael Fonteles, cotado para a Fazenda, não participará. Segundo o Poder360, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também está entre os nomes cotados para o ministério. Nas próximas semanas, Lula também deve ouvir economistas ortodoxos e heterodoxos. Segundo a Folha, a sugestão de ampliar esse processo de escuta partiu do próprio ministro da Fazenda, Dario Durigan.

A discussão ocorre em meio ao avanço da dívida pública. Dados do Banco Central mostram que a dívida bruta do governo geral subiu de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB), em dezembro de 2022, para 82,9% em setembro deste ano, o equivalente a R$ 11,1 trilhões, o maior patamar desde 2021. Segundo O Globo, esse avanço foi pressionado principalmente por gastos com juros e déficits nas contas públicas.

A reação ao resultado eleitoral também pesou. Na semana passada, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, caiu 18%, a maior queda desde 2020. O dólar subiu 9,18% no período, a maior alta semanal em 18 anos, segundo a Folha. Em 26 de outubro, um dia após a reeleição, a B3 acionou o "circuit breaker", mecanismo que suspende temporariamente os negócios em caso de queda acentuada.

O Copom, comitê que define a taxa Selic, manteve a pausa nos juros. O comitê citou o aumento das incertezas, a piora das expectativas de inflação e a desaceleração da atividade econômica, mas não sinalizou quando retomará a redução.

Parte da tensão veio de uma proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. Ele sugere um conselho para definir metas conjuntas entre as políticas fiscal e monetária, com redução gradual da Selic para 7,5% ao ano. Durigan afirmou à Folha que o tabelamento de juros não está em discussão no governo.

Também segundo a Folha, o discurso preparado para o pronunciamento de Lula neste domingo (8) deve reafirmar a preocupação com a taxa de juros e a dívida pública. Empresários procuraram o governo buscando interlocução, e a reportagem informa que agendas com banqueiros, representantes do setor produtivo e empresários da construção civil estão na lista a serem programadas nas próximas semanas.

Na terça-feira (3), Durigan disse que não discute a própria sucessão no cargo. Ele pediu tempo para que Lula defina as medidas fiscais do quarto mandato e afirmou que os temores do mercado sobre o tema são injustificados, informou o Poder360. Aliados do presidente afirmam que ele só deve anunciar os nomes da equipe econômica a partir do fim do mês. Segundo O Globo, Lula evita sinalizar nomes para a equipe econômica do quarto mandato e tem consultado um pequeno grupo de conselheiros para discutir os rumos da política econômica.

Fontes: O GLOBO — “Ministro da Fazenda diz que levará ‘cenários e propostas’ a Lula hoje, mas definição sobre ajuste fiscal deve ficar para depois da COP31”; Folha de S.Paulo — “Lula convoca reunião com economistas próximos ao PT e quer ampliar discussão sobre cenário econômico”; Poder360 — “Lula convoca Haddad e Durigan para reunião nesta 5ª feira”.

Também noticiaram: CNN Brasil, G1.