Risco-país da Argentina dispara após derrota republicana nos EUA

Indicador chega ao maior patamar desde dezembro de 2024, segundo a Folha, e investidores temem menos apoio de Trump a Milei

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Javier Milei e comitiva posam junto a um caça F-16 em evento oficial (imagem de arquivo).
Foto: Ministerio de Defensa / CC BY 4.0 via Wikimedia Commons

🚨 PLANTÃO GAZETA — notícia em desenvolvimento, escrita a partir do que 5 veículos publicaram. As fontes estão no fim do texto; esta página pode ser atualizada.

O risco-país da Argentina disparou depois da eleição de meio de mandato nos Estados Unidos, em que o Partido Republicano de Donald Trump sofreu derrota. Por volta das 18h15, o indicador subia 5,64%, aos 1.042,88 pontos, segundo a Folha de S.Paulo. É o maior patamar desde dezembro de 2024.

O risco-país mede o prêmio que os investidores exigem para financiar a Argentina, em comparação com os títulos do Tesouro americano. Quanto maior o número, mais caro fica para o país tomar dinheiro emprestado. O Brasil 247, citando o banco JP Morgan, informou que o indicador chegou a 827 pontos-base, o maior nível desde outubro de 2025, mais que o dobro dos 403 pontos registrados em 7 de julho. Os dois números não coincidem, e as reportagens não detalham a metodologia de cada medição.

O título argentino com vencimento em setembro de 2029 caiu 2,29%, para US$ 48,289. Com isso, o rendimento saltou de 8,4% para 9,3%. Preço e rendimento se movem em sentido contrário, por isso a queda do papel significa que os investidores passaram a exigir mais retorno para mantê-lo.

O movimento acompanhou uma forte queda das Bolsas americanas. O S&P 500 recuou 4,16%, aos 7.368 pontos, e o Dow Jones perdeu 3,44%, aos 51.521 pontos. O Nasdaq teve a maior baixa entre os índices, de 5,52%, aos 24.315 pontos.

Apoio de Washington e a linha de swap

Duas semanas antes da votação argentina de outubro de 2025, Milei foi à Casa Branca em busca de apoio. Ali, Trump disse a jornalistas: "Se Milei não ganhar, não seremos generosos com a Argentina". Às vésperas do pleito, o governo americano ofereceu um pacote de resgate de US$ 20 bilhões.

O principal instrumento desse apoio é uma linha de troca de moedas entre o Tesouro dos EUA, comandado por Scott Bessent, e o Banco Central argentino. Em outubro, Buenos Aires usou US$ 2,5 bilhões, valor devolvido em dezembro. A linha continua valendo e pode ser acionada em caso de dificuldades cambiais.

Com a mudança no Congresso americano, os democratas ganharam mais poder para controlar comissões, convocar autoridades e exigir documentos sobre o Fundo de Estabilização Cambial, usado para financiar o acordo. Um grupo de 36 deputados democratas já havia pedido explicações a Bessent sobre custos e riscos. A senadora Elizabeth Warren enviou carta pedindo o fim da linha. Em outubro, Scott Bessent defendeu o acordo de swap e afirmou que o Tesouro dos EUA obteve lucros com a operação, segundo o Brasil 247.

Segundo o Brasil 247, a legislação dos EUA limita a seis meses os empréstimos do fundo, salvo se o presidente notificar o Congresso sobre “circunstâncias únicas ou exigentes”. Para barrar o mecanismo, porém, os democratas precisariam derrubar um eventual veto presidencial, o que exige dois terços dos parlamentares. A Casa Branca mantém respaldo a Milei, e Bessent deixou aberta a possibilidade de nova intervenção.

O economista Ramiro Tosi, ex-subsecretário de Financiamento da Argentina entre 2019 e 2022, avaliou à agência estatal russa Sputnik que a derrota reduz a margem do governo. "Essa derrota de Trump retira do governo graus de liberdade adicionais, sobretudo do ponto de vista financeiro", afirmou.

Em 4 de novembro, o ministro da Economia, Luis Caputo, afirmou ao portal Vietnam.vn que os resultados eram essencialmente previsíveis, embora a derrota republicana tenha sido maior que a esperada. Segundo ele, a cooperação com os EUA não será afetada.

As contas de 2027 pesam nesse cenário. Estimativas do setor privado apontam vencimentos de cerca de US$ 30,1 bilhões do Tesouro e do Banco Central em 2027, enquanto o financiamento já identificado soma US$ 7,4 bilhões. Milei falou em uma "bazuca" de US$ 125 bilhões, mas parte desse total são linhas contingentes, e não reservas disponíveis.

Fontes: Folha de S.Paulo — “Risco-país da Argentina dispara após eleição nos EUA e temor de menor apoio de Trump”; Brasil 247 — “Derrota de Trump no Congresso ameaça apoio financeiro dos EUA a Milei”; O GLOBO — “Cristina Kirchner aposta em derrota de Trump nas eleições nos EUA e retorno de onda progressista”; Top Elegance — “Risco-país da Argentina dispara, e o Brasil de Lula deveria se olhar no espelho”; Vietnam.vn — “Argentina: Os resultados das eleições de meio de mandato nos EUA não afetarão a cooperação bilateral.”.