Tarcísio deve nomear Ricardo Salles para a Secretaria da Justiça em SP, dizem Estadão e Folha
Ex-ministro de Bolsonaro é réu no STF; nomeação não tem data e pode gerar atrito com o prefeito Ricardo Nunes
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O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve nomear Ricardo Salles para a Secretaria da Justiça e Cidadania de São Paulo, segundo o Estadão e a Folha de S.Paulo. A Folha descreve a movimentação como resultado de um acordo eleitoral. Salles é deputado federal pelo Novo, de acordo com a Folha, e ex-ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro.
Segundo o Estadão, Salles abriu mão da candidatura ao Senado a pedido de Tarcísio, na reta final da eleição. A ideia era impulsionar André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), candidatos apoiados pelo governador, que acabaram eleitos. A Folha informa que a desistência ocorreu uma semana antes da votação, e que Salles declarou apoio à dupla.
Na época, Tarcísio não prometeu cargos, de acordo com o Estadão. O governador sinalizou, porém, que gostaria de ter o Partido Novo mais próximo de sua gestão caso fosse reeleito, o que ocorreu.
A secretaria é comandada atualmente por Arthur Lima, amigo de longa data do governador, que até janeiro chefiava a Casa Civil, onde, segundo a Folha, sua atuação foi criticada nos bastidores por deputados da base do governador. Não há data prevista para o anúncio da nomeação. Um integrante da equipe do governador, segundo a Folha, avalia que a decisão tende a sair na semana que vem.
Atrito com Ricardo Nunes
A Folha aponta que Salles não tem boa relação com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), um dos principais aliados de Tarcísio. Salles já chamou Nunes de "ícone do centrão". Interlocutores do prefeito afirmaram à Folha que Nunes não acredita que a nomeação seja confirmada.
Aliados do prefeito avaliam que Salles pretende disputar a Prefeitura de São Paulo em 2028. Isso o colocaria em rota de colisão com Nunes, que quer emplacar um sucessor de seu grupo. A Folha lembra ainda que Salles criticou publicamente Tarcísio durante as discussões da reforma tributária, projeto do governo Lula (PT) votado com apoio do governador.
Os dois tiveram momentos de atrito depois que Tarcísio chegou ao Palácio dos Bandeirantes. Em 2023, Salles afirmou que Tarcísio não representava a direita brasileira, segundo o Estadão. Ele também se ressentiu da decisão do governador de apoiar a reeleição de Nunes, em vez da sua própria candidatura, que não saiu do papel.
A reaproximação ocorreu em 2024, após um encontro no Palácio dos Bandeirantes articulado pelo deputado estadual Lucas Bove (PL). O Estadão lembra que Salles já havia ocupado cargos no governo paulista. Em 2013, foi secretário particular do então governador Geraldo Alckmin, hoje vice-presidente da República. Três anos depois, virou secretário estadual de Meio Ambiente.
No governo federal, Salles comandou o Meio Ambiente por cerca de dois anos e meio e deixou o cargo em junho de 2021. Ele saiu em meio a suspeitas de envolvimento em um esquema ilegal de retirada e venda de madeira. O ex-ministro foi denunciado pelo Ministério Público Federal e se tornou réu em 2023. Ser réu significa que a Justiça aceitou a denúncia e ele passou a responder a processo penal.
As acusações são de facilitação de contrabando, organização criminosa, advocacia administrativa e obstrução de fiscalização ambiental. A advocacia administrativa, na prática, é usar o cargo ou a influência para favorecer interesses privados junto ao poder público. O caso tramita no STF sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Salles nega ter cometido irregularidades.
Sobre Arthur Lima, atual secretário, a Folha informou que ele montou, já como secretário, uma offshore no paraíso fiscal das Bahamas. Segundo a reportagem, a empresa passou a controlar uma rede de empresas em Brasília e Goiás com registro de lucros milionários. O futuro dele no governo não foi decidido.
Procurados, Salles e o governo de São Paulo não se posicionaram até a publicação da reportagem do Estadão. A Folha também não obteve resposta do ex-ministro nem do Palácio dos Bandeirantes. Até o anúncio oficial, a nomeação continua sem data definida.
Ricardo Salles já passou pelo governo paulista como secretário de Meio Ambiente, na gestão Alckmin, antes de comandar o Ministério do Meio Ambiente no governo Bolsonaro. Sua saída do ministério, em junho de 2021, ocorreu em meio a suspeitas de esquema ilegal de madeira, que hoje são alvo de ação penal no STF. Ele nega irregularidades e, segundo o Estadão, teve atritos com Tarcísio em 2023 e selou a reaproximação com ele em 2024.
Fontes: Estadão — “Tarcísio deve nomear Ricardo Salles como secretário de Justiça e Cidadania em São Paulo”; Folha de S.Paulo — “Após acordo eleitoral, Tarcísio deve dar secretaria a Ricardo Salles”; O GLOBO — “Afastado de Tarcísio, Kassab deve manter influência pontual no governo paulista”.
Também noticiaram: CNN Brasil, Jovem Pan.