Massie pretende propor impeachment de Hegseth, diz CNN
Pedido seria apresentado quando o Congresso retomar os trabalhos na próxima semana, após a derrota republicana nas eleições de meio de mandato
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O deputado republicano Thomas Massie pretende apresentar um pedido de impeachment contra o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, quando o Congresso retomar os trabalhos na próxima semana. Segundo a rede americana CNN, que ouviu o parlamentar, vários interlocutores do partido esperam que a iniciativa seja aprovada. A emissora afirma que o movimento poderia ocorrer antes da posse dos novos deputados, em janeiro.
O movimento acontece depois de os democratas conquistarem a maioria das cadeiras no Congresso nas eleições de meio de mandato, as midterms, realizadas em 3 de novembro. Nas reportagens, a vitória democrata aparece como a "onda azul", referência à cor do partido. Segundo a CNN, parlamentares republicanos e aliados de Donald Trump avaliam que Hegseth teve papel central na decisão de atacar o Irã. Para a mesma emissora, o Partido Republicano busca um bode expiatório para a derrota.
A guerra começou em 28 de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel. Ela provocou alta nos preços dos combustíveis, das passagens aéreas e da inflação geral. Fontes do Pentágono estimam o custo em até US$ 100 bilhões, cerca de R$ 508 bilhões. Nove meses depois, o conflito persiste em menor intensidade, e o estreito de Hormuz continua bloqueado.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos, feita na véspera das midterms, mostrou que 48% dos eleitores apontavam o custo de vida como a principal questão na hora do voto. Apenas 25% consideravam que a ação militar valeu o custo, enquanto 55% disseram que não valeu. Outros 18% não tinham certeza.
Hegseth reage às acusações
O próprio presidente Trump e o vice-presidente J.D. Vance já apontaram a guerra como causa da derrota. Vance foi direto: "O motivo pelo qual perdemos foi a guerra. O próprio presidente disse isso ontem à noite". Trump argumentou que a ofensiva era necessária para impedir que o Irã desenvolvesse armas nucleares.
Hegseth respondeu com ataques aos opositores. "Eles me atacam, nos atacam, porque somos eficazes. Não vai funcionar. Nós não vamos recuar", afirmou o secretário, segundo a reportagem do G1. Ele comparou a situação ao que Trump enfrentou: "Um congressista rancoroso e derrotado, junto com todos os seus aliados democratas, também apresentou artigos de impeachment de fachada contra mim, assim como tentaram duas vezes contra o presidente Trump".
Segundo interlocutores da Casa Branca ouvidos pela CNN, Trump gosta do secretário e já disse a assessores que ele deveria reagir às tentativas de impeachment. Publicamente, segundo a Gazeta do Povo, Trump defendeu o secretário após as especulações sobre sua possível demissão. Pessoas próximas a Hegseth afirmaram à emissora que ele pretende permanecer no cargo e assumir a responsabilidade por todas as decisões do Pentágono.
Pelas regras americanas, a Câmara dos Representantes pode apresentar e aprovar as acusações com maioria simples dos votos. Se isso acontecer, o processo vai ao Senado. Na prática, a Câmara decide se abre o processo, e o Senado decide se afasta o secretário, o que exige pelo menos dois terços dos senadores presentes no julgamento.
Republicanos acusam Hegseth de ter defendido a continuidade dos bombardeios mesmo sem sinais de que os ataques derrubariam o regime iraniano, segundo a CNN. Segundo a Folha, citando a CNN, desde que assumiu o Pentágono Hegseth acumulou atritos com integrantes do Congresso, o que o tornaria um alvo mais vulnerável. Uma ex-autoridade de alto escalão do Pentágono disse à emissora: "A mudança de discurso está começando". Parlamentares, porém, não demonstram disposição para romper com Trump, que ainda tem dois anos de mandato.
Com a nova composição do Congresso, os democratas poderão ampliar a fiscalização e abrir investigações sobre a condução da guerra e as decisões do Departamento de Defesa. Segundo a CNN, aliados e assessores de Trump esperam mudanças no governo, embora o presidente não tenha sinalizado intenção de demitir funcionários após a eleição.
Fontes: G1 — “Chefe do Pentágono desafia 'onda azul' e diz que pedidos de impeachment 'não funcionarão' contra ele”; Folha de S.Paulo — “Após derrota nas midterms, republicanos podem apoiar impeachment de secretário da Defesa, diz CNN”; Gazeta do Povo — “Trump defende secretário de Guerra, após especulações sobre possível demissão”.
Também noticiaram: Metrópoles, UOL Notícias.