Flávio volta a contestar eleição e diz que perdeu para o "sistema

Em entrevista ao New York Times, senador afirma ter "suspeitas" sobre a votação, mas não apresenta provas. TSE rejeitou alegações de fraude.

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Flávio Bolsonaro durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (imagem de arquivo).
Foto: Senado Federal from Brasilia, Brazil / CC BY 2.0 via Wikimedia Commons

🚨 PLANTÃO GAZETA — notícia em desenvolvimento, escrita a partir do que 3 veículos publicaram. As fontes estão no fim do texto; esta página pode ser atualizada.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) Voltou a questionar o resultado da eleição presidencial e afirmou que sua derrota para Lula foi "matematicamente impossível". A declaração foi dada ao New York Times em entrevista concedida na quarta-feira (4), em Aventura, na Flórida, e publicada nesta quinta-feira (5), segundo o Poder360.

Ao jornal, o senador disse que não considera ter perdido para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas para o que chamou de "sistema". "Tenho minhas suspeitas. Ninguém pode afirmar com 100% de certeza que estou certo, nem com 100% de certeza que estou errado", declarou.

O Poder360 registrou que Flávio não apresentou provas. Ele também sugeriu, sem evidências, que a prorrogação do horário de votação poderia ter sido usada para acrescentar votos irregularmente a Lula. Segundo a reportagem, a prorrogação envolveu cerca de 34.000 votos computados depois das 19h, número insuficiente para alterar o resultado.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou as alegações de fraude. Observadores internacionais independentes atestaram a integridade do pleito, e dezenas de países reconheceram o resultado. Lula foi reeleito em 25 de outubro com 51,79% dos votos válidos, ou seja, sem contar brancos e nulos. Flávio teve 48,21%, numa diferença superior a 4,4 milhões de votos.

Os Estados Unidos não reconheceram formalmente a vitória de Lula. O presidente Donald Trump afirmou que a eleição brasileira pareceu "estranha", mas evitou dizer quem venceu, segundo o Poder360.

O próprio PL reconheceu oficialmente o resultado em 26 de outubro, por meio de nota assinada pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. Flávio chegou a anunciar que questionaria a votação, mas no dia seguinte sua assessoria confirmou ao Poder360 que ele havia desistido de pedir a anulação do pleito. A Associated Press, relatou que Flávio se recusou a reconhecer a derrota e pediu a anulação do resultado, o que contradiz a versão de desistência. A estratégia passou a ser uma Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral), processo na Justiça Eleitoral contra a chapa de Lula por supostos abusos de poder político e econômico na campanha.

Viagem aos Estados Unidos

Ao New York Times, Flávio disse que pretende buscar medidas judiciais contra a vitória do petista, embora reconheça poucas chances de sucesso. "Sei que isso não vai levar a nada. Perdi para o sistema", afirmou.

Na mesma entrevista, ele disse ter organizado sua saída do Brasil sem ajuda de governos estrangeiros. "Foi tudo obra minha. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo", declarou. Questionado sobre o trajeto até os Estados Unidos, respondeu: "Como cheguei até aqui, levarei isso para o túmulo comigo".

Segundo o New York Times, porém, o jato particular usado pelo senador foi providenciado por um integrante da Casa Branca, e sua entrada no país foi autorizada diretamente por Trump. Trump confirmou a autorização, mas declarou que não pretendia se envolver na disputa eleitoral; o Washington Post, observou um distanciamento formal de Trump em relação à contestação. A família recebeu uma autorização migratória temporária, conhecida como parole. O jornal também relatou que Jason Miller, aliado de Trump, teria ajudado a organizar a aeronave, usada no trajeto da Argentina até Miami. Segundo a imprensa brasileira, o secretário de Estado Marco Rubio negou que o governo americano tivesse participado dos preparativos da viagem. Segundo o Observatório da Imprensa, a negativa, porém, não elimina as informações do NYT sobre a participação de Jason Miller na organização do voo nem a autorização de entrada da família. Nos EUA, 25 deputados democratas enviaram carta a Marco Rubio pedindo esclarecimentos sobre o papel do governo americano na saída de Flávio e na concessão de vistos.

Flávio deixou o Brasil depois de receber ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para entregar seus passaportes. Ele não cumpriu a determinação no prazo, segundo o Poder360. A Associated Press informou que autoridades brasileiras investigam o senador por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão fiscal. Ele nega irregularidades.

Uma carta de Flávio que o apresentava como "verdadeiro presidente eleito" também causou constrangimento, segundo o Observatório da Imprensa. Nela, o senador contestava a legitimidade do resultado, acusava instituições de perseguição política e levantava suspeitas de fraude, sem apresentar provas. Depois da repercussão, o texto passou a se definir como líder do Brasil. Um aliado nos Estados Unidos, Paulo Figueiredo, atribuiu erros do documento ao ChatGPT, mas uma análise do arquivo feita pelo Metrópoles apenas indicou o uso da ferramenta. Segundo o Observatório da Imprensa, a explicação de Figueiredo não tem comprovação técnica independente, o documento passou por várias etapas com participação humana, e a análise do Metrópoles confirma apenas o uso da ferramenta, não a responsabilidade por cada erro.

Ao jornal americano, Flávio afirmou que pretende continuar atuando politicamente dos Estados Unidos. "Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente", declarou.

Fontes: Poder360 — “Sem provas, Flávio volta a alegar fraude nas eleições”; Gazeta do Povo — ““Perdi para o sistema”: Flávio Bolsonaro dá entrevista bomba nos EUA”; Observatório da Imprensa — “Carta de Flávio Bolsonaro tropeça no ChatGPT e vira constrangimento político também nos Estados Unidos”.

Também noticiaram: CartaCapital, Intercept Brasil.