Zambelli cancela comunidade paga de R$ 50 e lança vaquinha no GoFundMe
Ex-deputada, que aguarda na Itália o julgamento de um pedido de extradição, diz que reembolsou os inscritos e que não consegue abrir conta bancária
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Carla Zambelli Cancelou a comunidade paga que havia criado para cobrar R$ 50 por mês de seguidores, segundo a própria ex-deputada. Ela afirma que todas as inscrições foram reembolsadas. Zambelli, que está em liberdade na Itália, também anunciou uma nova arrecadação na plataforma internacional GoFundMe, onde as doações podem ser feitas de forma anônima.
A comunidade foi criada nesta semana. Em troca da mensalidade, Zambelli prometia conteúdos exclusivos de várias áreas, vídeos ao vivo, convidados e relatos sobre a experiência na prisão. Quando a CNN Brasil consultou o link, ele aparecia como indisponível.
Ao anunciar o cancelamento, Zambelli disse que algumas pessoas suspeitaram de golpe. Ela afirmou ter divulgado o link na própria página e que, depois, o acesso passou a mostrar zero inscritos. "Todas as inscrições foram devolvidas, foram reembolsadas e foram canceladas", disse.
Zambelli afirma que suas contas bancárias estão bloqueadas e que ela não consegue abrir conta corrente em lugar nenhum do mundo. A CNN Brasil ressalta, porém, que a deputada não explicou como pretende acessar o dinheiro, uma vez que está proibida de manter contas bancárias em seu nome. Segundo Zambelli, também está impossibilitada de trabalhar e não consegue obter emprego na Itália. Ao falar da vaquinha, disse: "É uma forma de eu conseguir me manter até que a gente consiga pelo menos derrubar o pedido na Interpol". Em outro trecho do vídeo, citado pela CNN Brasil, ela criticou o ministro do STF Alexandre de Moraes: "Moraes destruiu a minha vida". Ela afirma que Moraes a impediu de abrir conta porque "colocou na Interpol um crime de invasão com prejuízo financeiro que dá a entender que eu roubei um banco".
Pedidos de extradição
Zambelli foi condenada pelo STF a dez anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela também foi condenada a cinco anos e três meses por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, por perseguir, de arma em punho, um jornalista na época das eleições de 2022. Considerada foragida pela Justiça brasileira, ela foi presa em Roma em 29 de julho de 2025.
Em março de 2026, a Corte de Apelação de Roma autorizou a extradição no caso do CNJ, mas a defesa recorreu. Em 22 de maio, a Corte de Cassação, última instância da Justiça italiana, rejeitou o pedido de extradição no caso do CNJ. Zambelli foi solta depois de quase dez meses presa. Um segundo pedido, ligado à condenação por porte ilegal de arma, segue em tramitação. Em julho, a autorização para entregá-la ao Brasil foi anulada, com determinação de um novo julgamento.
O julgamento está marcado para 24 de novembro, após dois adiamentos. No último, em 27 de outubro, a defesa alegou não ter tido acesso aos documentos enviados pelo Brasil sobre as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. Zambelli deverá ficar presa lá caso seja extraditada. Segundo a CNN Brasil, o ministro Alexandre de Moraes não respondeu ao pedido de manifestação da emissora.
Carla Zambelli foi condenada pelo STF por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo a investigação, ela atuou em conjunto com o hacker Walter Delgatti Neto para inserir documentos falsos, entre eles um mandado de prisão contra Moraes. Ela entrou na lista de difusão vermelha da Interpol, a polícia internacional, em junho de 2025. Essa lista é um alerta para que outros países localizem e prendam a pessoa procurada, e a extradição é a entrega dela ao país que a condenou, para que cumpra a pena lá.
Fontes: Estadão — “Comunidade paga criada por Zambelli para se manter na Itália é cancelada”; CNN Brasil — “Zambelli lança vaquinha de R$ 50 e critica Moraes: "Destruiu a minha vida"”; Terra — “'Vaquinha' de Zambelli é cancelada e ex-deputada foragida anuncia nova campanha”.
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