Presidente do Supremo da Bolívia deixa o país e diz sofrer perseguição

Procurador interino afirma que ordem de prisão por tráfico de drogas foi emitida contra Romer Saucedo, cujo paradeiro é desconhecido.

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Presidente do Supremo da Bolívia deixa o país e diz sofrer perseguição
Foto: Arquivo Gazeta Estrela Vermelha

🚨 PLANTÃO GAZETA — notícia em desenvolvimento, escrita a partir do que 3 veículos publicaram. As fontes estão no fim do texto; esta página pode ser atualizada.

O presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, deixou o país e afirmou ter recebido ameaças. Segundo o Valor Econômico, ele disse temer pela própria vida e pela segurança da família. A saída acontece em meio a investigações criminais que ainda não foram detalhadas.

O tribunal que ele preside é a mais alta instância da Justiça comum do país. Na Bolívia, existe ainda o Tribunal Constitucional Plurinacional, que analisa questões relacionadas à Constituição. As mais altas autoridades do Judiciário boliviano são eleitas por voto popular. Saucedo venceu em Santa Cruz com mais de 700 mil votos, em eleição realizada no fim de 2024. Um mês depois, foi escolhido pelos colegas para presidir o tribunal.

Em uma publicação na rede social X, Saucedo escreveu: "Deixei o país, estou com toda a minha família no exílio". Ele também denunciou "tentativas de perseguição e intimidação" por parte do governo do presidente Rodrigo Paz, de centro-direita. "Sei que vão forjar provas para me desacreditar", afirmou, segundo a Folha de S.Paulo.

Do lado oficial, o procurador-geral interino, José Armando Urioste, nomeado pelo Congresso após a prisão do ex-procurador Roger Mariaca, disse à imprensa que o órgão emitiu, no dia anterior, uma ordem de prisão contra Saucedo. A acusação é de "tráfico de substâncias controladas e associação criminosa". Na prática, trata-se de um mandado para levar o juiz de 38 anos à prisão quando ele for localizado.

Investigação sob sigilo

Urioste não detalhou a participação de Saucedo nesses crimes. Segundo ele, as investigações "seguirão seu curso" e tramitam sob sigilo porque contam com a colaboração de "testemunhas protegidas". O Correio do Povo informou que, até o momento, não se conhecem investigações contra o magistrado. A mesma reportagem lembra que ele tem foro por prerrogativa de função, ou seja, não pode ser investigado sem autorização do Poder Legislativo.

O histórico migratório do juiz mostra que ele entrou na Bolívia na terça-feira (3), mas não há registro de sua saída, de acordo com Urioste. O Ministério Público suspeita que ele tenha deixado o país por terra. As autoridades desconhecem onde ele está.

O governo tem outra leitura sobre o caso. O presidente Paz disse, na quarta-feira (4), em um encontro empresarial na Espanha, antes da Cúpula Ibero-Americana, que Saucedo "deixa o país porque há uma série de acusações ou investigações sobre nosso modelo de sistema judiciário". O vice-ministro do Interior, Peter Maldonado, ligou a fuga ao caso de Mariaca. "Muitos dos cúmplices de Mariaca e da criminalidade estão fugindo", disse à imprensa local.

Mariaca é acusado pelo governo dos Estados Unidos de receber subornos "para facilitar o narcotráfico e ajudar criminosos violentos a escapar da Justiça". Para tentar localizar Saucedo fora do país, Urioste afirmou que o gabinete solicitará à Interpol um alerta vermelho, instrumento que a polícia internacional usa para localizar procurados. "Temos de acionar esses alertas internacionais para evitar que ele saia ou entre na Bolívia", disse.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

Desde outubro, vários altos funcionários do sistema judiciário boliviano foram detidos por supostos vínculos com o tráfico de drogas. Entre eles está o ex-procurador-geral Roger Mariaca, preso dias depois de os Estados Unidos cancelarem seu visto e o de outros funcionários e empresários de Bolívia, Colômbia, Peru e Equador. Em março, o governo Paz aderiu ao Escudo das Américas, aliança regional liderada pelo governo de Donald Trump para combater o crime organizado transnacional.

Fontes: Valor Econômico — “Presidente da Suprema Corte da Bolívia foge do país e diz ter recebido ameaças”; Folha de S.Paulo — “Alvo de mandado de prisão por tráfico de drogas, presidente do Supremo da Bolívia foge do país”; Correio do Povo — “Presidente do máximo tribunal deixa Bolívia e denuncia perseguição política”.

Também noticiaram: Metrópoles, Terra.