Família de Marielle Franco denuncia ofensas racistas em grupo de estudantes da PUC-Rio

Luyara Franco relatou ataques contra a memória da vereadora assassinada em 2018; universidade abriu apuração interna

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A ministra Anielle Franco participa de solenidade oficial (imagem de arquivo).
Foto: Lula Oficial / CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

Rio de Janeiro — A filha de Marielle Franco, Luyara Franco, denunciou ofensas racistas contra a vereadora assassinada em 2018 em um grupo de mensagens com integrantes da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). A informação foi divulgada pela ativista nas redes sociais e publicada pela Agência Brasil.

De acordo com o relato feito em conjunto com o Instituto Marielle Franco, uma pessoa usou a palavra "macaca" para se referir à vereadora e questionou como ela teria financiado a própria graduação. Marielle cursou sociologia na universidade.

"Mais uma vez, atacam a memória da minha mãe com o ódio e o racismo. Dói, revolta, mas não vai nos silenciar. Racismo é crime! Exigimos respeito, apuração e posicionamento da PUC-Rio", afirmou Luyara na publicação.

A PUC-Rio informou, em nota oficial, que recebeu denúncias sobre o caso por meio da Ouvidoria e do Canal Externo de Denúncias. A instituição abriu uma investigação interna para averiguar os fatos e declarou que vai adotar as medidas administrativas e legais cabíveis.

Em comunicado distribuído à comunidade acadêmica, a universidade declarou que repudia qualquer ato discriminatório, incluindo racismo e injúria racial, e reforçou o compromisso com a memória de Marielle.

Histórico de ataques e apuração

A memória da parlamentar também foi alvo de ataques no último dia 13, durante ato político nas proximidades da PUC-Rio com apoiadores do então presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). Em vídeos que circularam na internet, um manifestante afirmou em carro de som que a vereadora estaria "com papai do céu" ou "no colo do capeta".

Luyara Franco e a irmã de Marielle, a deputada federal eleita Anielle Franco (PT), divulgaram gravações na ocasião para repudiar as declarações e defender a trajetória da vereadora.

Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados a tiros em março de 2018 no centro do Rio de Janeiro. Em 2024, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, assassinos confessos do crime, foram condenados pela Justiça.