Escolas e universidades registram onda de violência política e assédio contra estudantes após eleições

Relatos de perseguição atingem colégios no Rio, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul; MPT soma mais de 3,5 mil denúncias de assédio eleitoral no país

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Escolas e universidades registram onda de violência política e assédio contra estudantes após eleições
Foto: Arquivo Gazeta Estrela Vermelha
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (A Gazeta, Brasil de Fato, Diário do Centro do Mundo, O GLOBO, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.

Escolas e universidades registraram relatos de bullying, hostilidade e intimidação contra estudantes nos dias posteriores ao segundo turno das eleições presidenciais. A maioria dos casos envolve filhos de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro perseguindo alunos ligados a famílias que apoiaram o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a Folha de S.Paulo. Os episódios motivaram registros policiais e intervenções pedagógicas em capitais e cidades do interior.

No Rio de Janeiro, pais de alunos da escola SAP, na Barra da Tijuca, registraram boletim de ocorrência na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV). Uma página fechada na rede social Instagram, chamada @sapfofocanews, publicou fotos de estudantes que apoiaram o petista acompanhadas de ataques como "isso é coisa de pobre" e "meninas nojentas". O caso foi registrado na Polícia Civil como injúria e ameaça. A escola afirmou que conversou com turmas e responsáveis, mas não identificou os autores da página.

Em São Paulo, colégios tradicionais adotaram medidas disciplinares. A Escola do Futuro recolheu adesivos político-partidários em salas de aula e conversou com estudantes após registrar ofensas verbais. No Colégio Bandeirantes, na zona sul paulistana, um empresário divulgou vídeo denunciando que a filha adolescente foi ameaçada de estupro por manifestar apoio a Lula, enquanto outra jovem bolsista sofreu ofensas contra o próprio corpo. A direção do Bandeirantes informou que não admite intimidações e busca recompor as relações entre as famílias.

No Paraná, a mãe de um estudante de 12 anos em Foz do Iguaçu afirmou que o filho acabou cercado e chamado de "petista nojento" por outros estudantes. Em Brasília, um caso de sinal contrário levou a Polícia Civil do Distrito Federal a abrir investigação: um aluno de 16 anos do Centro Educacional 6 do Gama relatou perseguição por apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) e precisou mudar de unidade escolar. A governadora Celina Leão (PP) determinou abertura de apuração administrativa pela Secretaria de Educação.

Assédio no trabalho e ameaças no ambiente acadêmico

A violência política extrapolou os limites escolares e gerou intervenções da Justiça do Trabalho. Em Fortaleza, a juíza Manuela de Albuquerque Viana mandou reintegrar imediatamente 22 trabalhadores demitidos de uma confecção. A magistrada apontou comprovação documental de perseguição política e afixação de cartazes depreciativos na fábrica. O proprietário, Gutemberg Bittencourt, declarou que as acusações são falsas. Dados do Ministério Público do Trabalho mostram que o país acumulou 3.529 denúncias de assédio eleitoral em 2026, com mais de mil queixas registradas logo após 26 de outubro.

No Rio Grande do Sul, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) acionou a Polícia Federal após o Diretório Central dos Estudantes (DCE) denunciar ao menos 30 mensagens de violência em grupo de WhatsApp da turma 118 de Agronomia. As postagens falavam abertamente em "gastar um pente de bala" contra militantes de esquerda e ameaçavam integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O estudante Douglas Jardim, coordenador geral do DCE, relatou também a aparição de sete runas neonazistas desenhadas em prédios do campus universitário. A reitoria da UFSM abriu comissão para aplicar processos administrativos disciplinares.

Ainda na capital gaúcha, pais do tradicional Colégio Anchieta denunciaram ao portal Sul21 a existência de um grupo de mensagens promovendo perseguição contra funcionários e professores com posições de esquerda. A instituição respondeu que utiliza canais oficiais como o aplicativo Layers e que não fará investigações sobre redes privadas. No Instituto Estadual Rio Branco, a vereadora Mariana Lescano (PP) filmou estudantes menores de idade durante um protesto contra ações parlamentares na escola. O caso foi encaminhado ao Ministério Público Federal pela deputada estadual Sofia Cavedon (PT) e acolhido na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia gaúcha por Luciana Genro (PSOL).

A radicalização pós-pleito também provocou demissões em órgãos públicos e entidades de classe pelo país. Em Vitória, a Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES) exonerou a assessora jurídica Júlia Gobbo Amorim após a publicação de vídeo em que prometia "dificultar a vida de petistas". Em São Paulo, o governo estadual demitiu Silvana Gimenes da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência após a coordenadora criticar termos depreciativos usados pelo senador Flávio Bolsonaro, justificando o ato como mero ajuste administrativo.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A escalada de intimidações nos ambientes educacional e corporativo reflete o acirramento decorrente da recusa do núcleo bolsonarista em aceitar o resultado das urnas no segundo turno. A mobilização de redes sociais e canais privados de mensagens reproduz a conduta de parlamentares que insuflam boicotes comerciais e retaliações ideológicas contra trabalhadores e estudantes identificados com o governo eleito.