Michelle vira porta-voz de Bolsonaro, pede união da direita e rechaça busca por culpados após derrota
Senadora eleita defende aliados atacados nas redes e evita endossar acusações de fraude feitas por Flávio Bolsonaro
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, G1, Poder360, Terra, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
A senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) publicou mensagem em suas redes sociais para afirmar que o ex-presidente Jair Bolsonaro pediu a união da direita e orientou seus apoiadores a não procurarem culpados pela derrota eleitoral. A manifestação ocorreu após críticas de aliados sobre a postura adotada por ela no segundo turno da disputa presidencial.
Michelle atuou como porta-voz do marido, que cumpre pena em prisão domiciliar. Na mensagem divulgada em seu perfil no Instagram, ela relatou conversas com o ex-mandatário e transmitiu agradecimentos aos apoiadores e figuras políticas que trabalharam na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto.
"Eu e o Jair (meu galego e nosso líder) temos conversado sobre isso. Ele sempre diz que é muito grato pelo empenho e sacrifício que — dentro das possibilidades — cada um fez em prol da campanha do Flávio. Ele lembra de cada um e reconhece com muita gratidão a mobilização de todos", escreveu Michelle em sua primeira manifestação pública após a votação de domingo (25).
De acordo com o texto divulgado pela ex-primeira-dama, Jair Bolsonaro rejeita os ataques direcionados a lideranças do campo conservador. O ex-presidente se entristece com informações que atribuem a ele declarações divisionistas ou tentativas de apontar responsáveis pelo resultado desfavorável nas urnas.
"Ele se entristece quando vê notícias falsas, atribuindo a ele manifestações mentirosas, que pregam a divisão, apontam injustamente supostos 'culpados' e afirmam exatamente o contrário do que ele verdadeiramente sente por pessoas como Damares, Tarcísio, Nikolas, Silas Malafaia e outros que estão sendo atacados: muito respeito, carinho e gratidão", afirmou a senadora eleita.
Michelle pediu ainda que o eleitorado não se deixe levar por disputas digitais internas. "O meu marido ressalta que é momento de união e não de procurar culpados. Não caiamos nas enganações daqueles que sempre semeiam o ódio, a mentira e provocam a nossa divisão em troca de likes e engajamento. Deus está conosco e a Ele cabe o Julgamento e a Justiça", concluiu.
Disputas internas e postura diante do resultado
A manifestação de Michelle ocorreu em meio a questionamentos de militantes nas redes. Críticos apontaram que ela teria ignorado a derrota de Flávio Bolsonaro na noite de domingo (25), momento em que publicou imagens comemorando a reeleição de Celina Leão (PP) ao governo do Distrito Federal.
Michelle acompanhou a contagem dos votos no Distrito Federal ao lado da governadora reeleita e de parlamentares como Bia Kicis (PL) e Damares Alves (Republicanos). Na ocasião, vídeos e fotos registraram a comemoração da vitória local enquanto aliados do candidato a presidente lamentavam o desfecho da apuração federal.
Ao se manifestar, Michelle não contestou o resultado das urnas eletrônicas, mas também evitou citar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. A postura adotada pela senadora eleita destoou diretamente do posicionamento assumido por Flávio Bolsonaro após o encerramento da contagem.
O senador derrotado publicou uma carta na qual chegou a se declarar "verdadeiro presidente eleito do Brasil", alterando o texto posteriormente para "líder do Brasil". Flávio afirmou que o pleito foi "roubado" por "criminosos que implementaram uma tirania", acusação que não recebeu o endosso público de Michelle nem da direção do Partido Liberal.
Oficialmente, o PL reconheceu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. Dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral confirmam a vitória de Lula com 64 milhões de votos (51,79% dos votos válidos), contra quase 60 milhões de votos (48,21%) atribuídos a Flávio Bolsonaro.
Após a confirmação do resultado das urnas, Flávio e seus familiares deixaram o território nacional em direção aos Estados Unidos. O grupo viajou em um jato particular que decolou da Argentina, desrespeitando ordem do Supremo Tribunal Federal que havia determinado a entrega de passaportes pelo senador.
Michelle, garantiu mandato legislativo próprio até 2034. A ex-primeira-dama foi eleita senadora pelo Distrito Federal no primeiro turno de 2026 com 938.496 votos, marca correspondente a 29% dos votos válidos na capital federal.
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de reclusão por tentativa de golpe de Estado, decisão imposta pela Justiça após investigações sobre a articulação antidemocrática. O ex-presidente foi detido no fim do ano passado e obteve a conversão para regime de prisão domiciliar em março deste ano. A condenação e as restrições judiciais impostas à família mantiveram o ex-mandatário afastado de agendas públicas durante toda a campanha eleitoral de 2026.