Alcolumbre articula anistia para atrair bolsonaristas no Senado e enfrenta resistências

Proposta de perdão a Jair Bolsonaro divide bancadas, gera críticas no governo Lula e esbarra em candidaturas de oposição na disputa pelo comando da Casa

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Plenário do Senado Federal durante sessão solene destinada à promulgação de emendas constitucionais (imagem de arquivo).
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado / Attribution via Wikimedia Commons
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Campo Grande News, Folha de S.Paulo, G1, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), colocou em prática uma estratégia para atrair votos da bancada bolsonarista na tentativa de assegurar sua reeleição na Casa. A articulação envolve acenos à tramitação de medidas de anistia ou indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. O movimento, contudo, abriu divergências dentro da base governista e enfrenta travas jurídicas no próprio parlamento.

Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por envolvimento na trama golpista. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar por razões médicas. A anistia debatida nos bastidores funcionaria como um perdão institucional concedido pelo Congresso, capaz de extinguir a punição imposta pela Suprema Corte.

O ministro-chefe da Casa Civil e senador eleito, Rui Costa (PT-BA), questionou abertamente a manobra durante cerimônia no Palácio do Planalto. Rui Costa declarou que a sucessão legislativa não deve passar por interferências nas decisões do tribunal contra os envolvidos nos ataques aos Três Poderes. O ministro defendeu afastar as punições judiciais do centro do tabuleiro político nacional.

“Eu sou a favor do distensionamento político, que a gente não coloque essa questão da polarização política no centro do governo, nem do Congresso Nacional”, afirmou Rui Costa. O titular da Casa Civil completou: “A gente deve tirar da agenda essa centralidade na polarização e, eventualmente, na discussão dos crimes cometidos por qualquer família, inclusive a família Bolsonaro”.

Apesar do diálogo com o bolsonarismo, Alcolumbre já dispõe do suporte formal de PSD, MDB, PP e da bancada do União Brasil, além de sinais positivos dados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e setores progressistas. Aliados do chefe do Senado relatam que a defesa das pautas atende ao objetivo de desarmar a crise institucional entre os Poderes, embora neguem a existência de um compromisso fechado e condicionado aos votos da oposição.

Bloqueio judicial e divisão partidária

Parlamentares da oposição e de legendas de centro sustentam que não votarão novo perdão antes de um posicionamento definitivo da Justiça sobre as regras já fixadas. O Congresso Nacional aprovou projeto que reduz a dosimetria — ou seja, o cálculo das penas — aplicada aos condenados pelo 8 de janeiro. A execução da norma, entretanto, está suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

O magistrado vinculou a eficácia da lei à análise de duas ações diretas de inconstitucionalidade. Os processos estão sob relatoria direta de Moraes e paralisados no gabinete desde o dia 8 de julho. Senadores afirmam reservadamente que o Legislativo cumpriu seu papel e que partidos como MDB e PSD exigem uma manifestação formal da corte antes de voltar ao tema.

A cúpula do campo conservador também mantém desconfiança diante dos prazos regimentais e da conduta de Alcolumbre à frente da mesa diretora. Congressistas recém-eleitos construíram suas campanhas criticando o que apontam como blindagem a magistrados do STF e a retenção de requerimentos de comissões parlamentares de inquérito, como a CPI do Master. Para esse grupo, o calendário curto impede garantias firmes de votação.

Disputas avulsas e articulação feminina

O cenário para a eleição interna do Senado, programada para fevereiro de 2027 com votação secreta, estimula candidaturas concorrentes. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) intensificou conversas com a bancada feminina para tentar construir um projeto próprio. O movimento desafia o apoio já comunicado pela Federação União Progressista em favor da reeleição do atual mandatário.

O Senado contará em 2027 com 19 mulheres entre as 81 cadeiras, o equivalente a 23,5% do plenário. Doze senadoras foram eleitas para iniciar mandato em 2027, somando-se a sete parlamentares com exercício até 2031. Tereza Cristina defende a ocupação feminina nas posições de mando e destaca a soberania do voto individual de cada parlamentar sobre as orientações das cúpulas partidárias.

A bancada do PL, que terá a maior força do plenário com 29 cadeiras, atua como o principal contraponto ao bloco governista. O senador Rogério Marinho (PL-RN) desponta como o nome preferencial da ala alinhada a Jair Bolsonaro. Interlocutores registram que Tereza Cristina e Marinho já dialogaram sobre um pacto de apoio mútuo para não fragmentar a oposição contra a candidatura governista.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A disputa pela chefia do Congresso Nacional reflete os desdobramentos judiciais dos ataques aos prédios dos Três Poderes e a condenação de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. O projeto que atenua o tempo de reclusão dos réus do 8 de janeiro foi aprovado pelos parlamentares, mas segue paralisado no tribunal após suspensão cautelar determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. Enquanto lideranças do governo exigem o cumprimento irrestrito das sentenças, a oposição utiliza seu contingente de 29 senadores do PL para pressionar por anistia ampla na eleição da Casa.