Governo projeta novo CNU com até 3 mil vagas em 2027 condicionado ao Orçamento

Ministério da Gestão planeja edital para o segundo semestre e depende da liberação de espaço fiscal pelo Congresso Nacional

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A ministra de Estado de Gestão, Esther Dweck, é empossada em cerimônia oficial (imagem de arquivo).
Foto: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil / CC BY 2.0 via Wikimedia Commons
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Correio Braziliense, Estratégia Concursos, Folha de S.Paulo, G1, Qconcursos Folha Dirigida). Novos desdobramentos a qualquer momento.

Brasília — O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) informou que uma eventual terceira edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) em 2027 poderá ofertar entre 2 mil e 3 mil vagas. A realização do certame depende da aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) e do espaço fiscal para novos postos pelo Congresso Nacional.

A ministra Esther Dweck afirmou que a proposta do governo federal prevê a aplicação das provas no segundo semestre de 2027. O ministério avalia que uma oferta de 2 mil a 3 mil oportunidades compensa a mobilização logística, de pessoal e de recursos exigida por uma prova unificada.

A pasta havia adotado cautela ainda nesta semana, quando evitou confirmar a realização da seleção. A nota oficial do MGI apontou a mudança de cenário condicionada à votação legislativa: "Como sempre informamos, a realização de um novo CPNU em 2027 está condicionada à aprovação do PLOA e do espaço fiscal para novas vagas que será aprovado pelo Congresso Nacional".

Na prática, o modelo do CNU permite que os candidatos disputem vagas em órgãos federais variados pagando uma única taxa de inscrição, com aplicação de testes em mais de 200 municípios brasileiros. A pasta defende a seleção como política pública voltada a recompor quadros em ciclos regulares a cada dois anos, diante da previsão de que mais de 70 mil servidores federais estarão em idade de aposentadoria até 2030.

Disputa orçamentária e cálculo de vagas

O Projeto de Lei Orçamentária Anual entregue pelo Executivo no final de agosto reserva R$ 1,3 bilhão em despesas primárias para concursos e novas contratações no Executivo e R$ 1,2 bilhão para instituições federais de ensino. O texto geral enviado ao Congresso prevê 53.530 vagas federais, sendo 4.704 para criação de cargos e 48.826 para provimento nos três Poderes, no Ministério Público da União e na Defensoria Pública da União.

Dentro desse total, o Poder Executivo reúne 47.609 postos previstos, com 44.864 provimentos e 2.745 criações. O cálculo envolve até 32 mil postos civis, sendo 19,4 mil alocados na área de Educação. Este ano, o governo federal já autorizou 576 vagas em concursos federais para cinco órgãos e autarquias, lista na qual somente a Controladoria-Geral da União (CGU) teve edital publicado, restando os demais em etapa de escolha de banca organizadora.

A definição final sobre o CNU 2027 depende de quatro eixos centrais: aprovação do espaço orçamentário no Legislativo, volume de pedidos de órgãos públicos, limites fiscais para provimento e inclusão de seleções já autorizadas. A pasta ressaltou que a confirmação depende diretamente dos critérios aprovados pelos parlamentares.

A diretora de planejamento da força de trabalho do MGI, Maria Aparecida Chagas Ferreira, afirmou que a intenção é manter a Escola Nacional de Administração Pública (Enap) como órgão executor do exame, cabendo ao ministério monitorar e avaliar a política pública. O governo abriu diálogo com o Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad) para ofertar parâmetros técnicos a seleções locais, pois a equipe econômica avalia incluir vagas de estados e municípios no modelo de 2027.

Histórico das seleções anteriores

A primeira edição do concurso ocorreu em 2024, sob execução da Fundação Cesgranrio. O certame ofereceu 6.640 postos para 21 órgãos, alcançou 2,1 milhões de inscritos e aplicou avaliações em 228 cidades em agosto, após adiamento provocado pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

A segunda edição, lançada em 2025, reuniu 761.528 inscritos para disputar 3.652 vagas distribuídas em 32 órgãos, sob organização da Fundação Getulio Vargas (FGV). As oportunidades tiveram remunerações iniciais de até R$ 18,7 mil e foram divididas por blocos temáticos, com 145 postos na região Norte, 173 no Nordeste, 820 no Sudeste, 58 no Sul, 1.012 no Centro-Oeste e 1.444 sem localidade fixa prévia.

A estrutura de aplicação adotou coleta de biometria, exame grafológico e detectores de metal para evitar vazamentos de conteúdo. A fiscalização reuniu Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Força Nacional, polícias militares, Ministério da Justiça e Casa Civil, cooperação que desbaratou uma quadrilha investigada por tentar fraudar o exame.

A pasta indicou que pretende repetir o protocolo operacional nas etapas futuras. O modelo da última edição separou as provas objetivas e discursivas em dois dias distintos, formato que a administração federal estuda manter na próxima seleção nacional.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

Criado em 2024 para descentralizar o preenchimento de cargos na administração federal, o Concurso Público Nacional Unificado concentrou certames antes dispersos em dezenas de bancas e calendários independentes. O modelo foi transferido formalmente para a coordenação executiva da Escola Nacional de Administração Pública a partir de 2025. O governo tenta agora fixar a seleção como uma rotina institucional bienal dependente da dotação fixada na Lei Orçamentária Anual pelo Congresso Nacional.