Governo projeta novo CNU com até 3 mil vagas em 2027 condicionado ao Orçamento
Ministério da Gestão planeja edital para o segundo semestre e depende da liberação de espaço fiscal pelo Congresso Nacional
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Correio Braziliense, Estratégia Concursos, Folha de S.Paulo, G1, Qconcursos Folha Dirigida). Novos desdobramentos a qualquer momento.
Brasília — O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) informou que uma eventual terceira edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) em 2027 poderá ofertar entre 2 mil e 3 mil vagas. A realização do certame depende da aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) e do espaço fiscal para novos postos pelo Congresso Nacional.
A ministra Esther Dweck afirmou que a proposta do governo federal prevê a aplicação das provas no segundo semestre de 2027. O ministério avalia que uma oferta de 2 mil a 3 mil oportunidades compensa a mobilização logística, de pessoal e de recursos exigida por uma prova unificada.
A pasta havia adotado cautela ainda nesta semana, quando evitou confirmar a realização da seleção. A nota oficial do MGI apontou a mudança de cenário condicionada à votação legislativa: "Como sempre informamos, a realização de um novo CPNU em 2027 está condicionada à aprovação do PLOA e do espaço fiscal para novas vagas que será aprovado pelo Congresso Nacional".
Na prática, o modelo do CNU permite que os candidatos disputem vagas em órgãos federais variados pagando uma única taxa de inscrição, com aplicação de testes em mais de 200 municípios brasileiros. A pasta defende a seleção como política pública voltada a recompor quadros em ciclos regulares a cada dois anos, diante da previsão de que mais de 70 mil servidores federais estarão em idade de aposentadoria até 2030.
Disputa orçamentária e cálculo de vagas
O Projeto de Lei Orçamentária Anual entregue pelo Executivo no final de agosto reserva R$ 1,3 bilhão em despesas primárias para concursos e novas contratações no Executivo e R$ 1,2 bilhão para instituições federais de ensino. O texto geral enviado ao Congresso prevê 53.530 vagas federais, sendo 4.704 para criação de cargos e 48.826 para provimento nos três Poderes, no Ministério Público da União e na Defensoria Pública da União.
Dentro desse total, o Poder Executivo reúne 47.609 postos previstos, com 44.864 provimentos e 2.745 criações. O cálculo envolve até 32 mil postos civis, sendo 19,4 mil alocados na área de Educação. Este ano, o governo federal já autorizou 576 vagas em concursos federais para cinco órgãos e autarquias, lista na qual somente a Controladoria-Geral da União (CGU) teve edital publicado, restando os demais em etapa de escolha de banca organizadora.
A definição final sobre o CNU 2027 depende de quatro eixos centrais: aprovação do espaço orçamentário no Legislativo, volume de pedidos de órgãos públicos, limites fiscais para provimento e inclusão de seleções já autorizadas. A pasta ressaltou que a confirmação depende diretamente dos critérios aprovados pelos parlamentares.
A diretora de planejamento da força de trabalho do MGI, Maria Aparecida Chagas Ferreira, afirmou que a intenção é manter a Escola Nacional de Administração Pública (Enap) como órgão executor do exame, cabendo ao ministério monitorar e avaliar a política pública. O governo abriu diálogo com o Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad) para ofertar parâmetros técnicos a seleções locais, pois a equipe econômica avalia incluir vagas de estados e municípios no modelo de 2027.
Histórico das seleções anteriores
A primeira edição do concurso ocorreu em 2024, sob execução da Fundação Cesgranrio. O certame ofereceu 6.640 postos para 21 órgãos, alcançou 2,1 milhões de inscritos e aplicou avaliações em 228 cidades em agosto, após adiamento provocado pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
A segunda edição, lançada em 2025, reuniu 761.528 inscritos para disputar 3.652 vagas distribuídas em 32 órgãos, sob organização da Fundação Getulio Vargas (FGV). As oportunidades tiveram remunerações iniciais de até R$ 18,7 mil e foram divididas por blocos temáticos, com 145 postos na região Norte, 173 no Nordeste, 820 no Sudeste, 58 no Sul, 1.012 no Centro-Oeste e 1.444 sem localidade fixa prévia.
A estrutura de aplicação adotou coleta de biometria, exame grafológico e detectores de metal para evitar vazamentos de conteúdo. A fiscalização reuniu Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Força Nacional, polícias militares, Ministério da Justiça e Casa Civil, cooperação que desbaratou uma quadrilha investigada por tentar fraudar o exame.
A pasta indicou que pretende repetir o protocolo operacional nas etapas futuras. O modelo da última edição separou as provas objetivas e discursivas em dois dias distintos, formato que a administração federal estuda manter na próxima seleção nacional.
Criado em 2024 para descentralizar o preenchimento de cargos na administração federal, o Concurso Público Nacional Unificado concentrou certames antes dispersos em dezenas de bancas e calendários independentes. O modelo foi transferido formalmente para a coordenação executiva da Escola Nacional de Administração Pública a partir de 2025. O governo tenta agora fixar a seleção como uma rotina institucional bienal dependente da dotação fixada na Lei Orçamentária Anual pelo Congresso Nacional.