Perseguição política atinge colégios e universidade no RS e no Rio após segundo turno
Casos envolvem ameaças armadas na UFSM, coação de parlamentar em escola da capital gaúcha e intimidação contra alunos na Barra da Tijuca.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (A Gazeta, Brasil de Fato, O GLOBO, Sul 21, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
Uma onda de perseguição política, assédio e ameaças de morte atingiu escolas de educação básica e instituições de ensino superior no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro nesta semana. Os episódios ocorreram após a vitória eleitoral de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa presidencial, gerando mobilizações de órgãos públicos, representações estudantis e sindicatos.
No Rio Grande do Sul, a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa acionou o Ministério Público estadual para apurar retaliações, discriminações e convocações de boicotes feitas por apoiadores do candidato derrotado contra trabalhadores e estabelecimentos comerciais. As intimidações se repetiram no ambiente escolar e universitário do estado.
No Colégio Anchieta, em Porto Alegre, pais de alunos relataram a formação de uma rede de vigilância interna em grupos de mensagens. Segundo denúncia encaminhada por um responsável, famílias se organizaram para fotografar pessoas vestindo roupas vermelhas no colégio e montaram uma lista com nomes de professores do ensino médio que manifestaram voto em Lula. O denunciante classificou o ambiente como uma "quase inquisição". Procurada, a direção do Anchieta informou que seus canais oficiais são apenas o e-mail e o aplicativo Layers, ressaltando que não possui gerência sobre conversas privadas e que não abrirá investigação interna.
Ainda na capital gaúcha, o Instituto Estadual Rio Branco registrou atritos após a vereadora Mariana Lescano (PP) comparecer à escola para confrontar a diretora sobre suposta doutrinação política em sala de aula. A parlamentar gravou a ação para as redes sociais, o que gerou protestos de dezenas de estudantes secundaristas. Diante da mobilização, a vereadora filmou os alunos menores de idade e ironizou um jovem que segurava um cartaz com a frase "Juventude Antifascista" acompanhado da mãe. O caso foi levado à Assembleia Legislativa pela deputada Luciana Genro (PSOL) e remetido ao Ministério Público Federal pela deputada estadual Sofia Cavedon (PT) em conjunto com o sindicato Cpers.
Ameaças com armas na UFSM e ofensas no Rio
Na Universidade Federal de Santa Maria, o Diretório Central dos Estudantes levou à Reitoria cerca de 30 capturas de tela com mensagens violentas enviadas no grupo de mensagens da turma 118 do curso de Agronomia. O conteúdo reunia declarações de intenção de matar pessoas de esquerda em caso de conflito, menções sobre "gastar um pente de bala" contra opositores e ameaças expressas contra integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
O coordenador geral do DCE, Douglas Jardim, afirmou que as mensagens representam risco direto à comunidade universitária e cobrou a suspensão preventiva dos estudantes envolvidos. A Reitoria da instituição repudiou as declarações, instaurou uma comissão interna para apurar as responsabilidades e encaminhou o material para a Polícia Federal. Antes desse episódio, o campus da UFSM já havia registrado o aparecimento de sete inscrições com runas neonazistas desenhadas em banheiros e prédios de centros acadêmicos logo após o primeiro turno.
No Rio de Janeiro, a disputa provocou agressões verbais na escola particular SAP, situada na Barra da Tijuca. Após o segundo turno, o perfil anônimo @sapfofocanews publicou imagens de adolescentes que manifestaram apoio a Lula na campanha eleitoral, associando as fotografias a ataques sobre a renda e a moradia das famílias. As postagens traziam termos como "coisa de pobre" e mensagens intimidatórias direcionadas a alunas.
Os pais dos estudantes registraram ocorrência por injúria e ameaça na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima, na Lapa. A direção da escola SAP conversou com turmas e familiares, mas declarou que não conseguiu identificar os administradores da página digital. A instituição enviou comunicados à comunidade escolar repudiando atitudes de discriminação e defendeu a convivência pacífica e o respeito às divergências políticas dentro e fora das salas de aula.
A tensão no ambiente pedagógico ocorre na esteira da polarização do processo eleitoral nacional, no qual a derrota de candidatos apoiados pela extrema-direita desencadeou movimentos de boicote econômico e patrulhamento ideológico. Denúncias formais de perseguição a trabalhadores e listas de cancelamento agora tramitam no Ministério Público estadual e no Ministério Público Federal, enquanto instituições de ensino recorrem a órgãos de segurança para conter ameaças físicas e atos de apologia extremista dentro dos campi.