PL rejeita acordo com Alcolumbre e lança Rogério Marinho na disputa pelo Senado
Partido reúne bancada na próxima semana, aposta em racha no PP e mira votos do centro contra o atual presidente da Casa
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Jovem Pan, ND Mais, O GLOBO, Poder360). Novos desdobramentos a qualquer momento.
Brasília — O Partido Liberal rejeitou as investidas de acordo feitas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e vai oficializar na próxima semana o lançamento do senador Rogério Marinho (PL-RN) na disputa pelo comando da Casa. O PL terá 28 senadores a partir de fevereiro do ano que vem, somando mais de um terço das 81 cadeiras em plenário.
A candidatura de Marinho recebeu o aval do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da corrida eleitoral, e do senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC). A ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS) também vinha tentando se cacifar para a disputa, mas a oposição trabalha para unificar o grupo em torno de um único nome.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), defende usar o peso da bancada para pressionar por mudanças na relação do Legislativo com o Judiciário. "Hora de unidade. Se amarrar direitinho, seremos fortes. Mais uma batalha. Incessante. Há chance de recuperar o mínimo equilíbrio entre os Poderes. Precisamos da maioria", afirmou.
Para barrar o avanço oposicionista, Alcolumbre tentou construir uma ponte com o bolsonarismo nos bastidores. A proposta inicial incluía uma negociação institucional envolvendo o Congresso, o Palácio do Planalto e o Poder Judiciário em busca de medidas favoráveis ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pela Justiça por liderar uma trama golpista.
Entre as alternativas ventiladas estavam a concessão de indulto presidencial para libertar Bolsonaro, a aprovação de anistia ampla ou o destravamento da proposta de redução de penas que está parada no Supremo Tribunal Federal. Alcolumbre sondou senadores sobre a ideia, mas não levou o tema até o presidente Lula.
A manobra encontrou veto imediato dentro da bancada oposicionista, que apontou falta de garantias reais de cumprimento do acerto. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República, afirmou que "Alcolumbre não tem condições de oferecer isso". A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) seguiu a mesma linha: "Não aceito isso. É inviável".
A desconfiança se apoia no precedente de 2025, quando o PL marchou com Alcolumbre na tentativa de avançar na pauta da anistia, sem obter o resultado desejado. O deputado eleito para o Senado Carlos Jordy (PL-RJ) reagiu duramente: "Tem que ser muito otário para cair nessa conversa fiada de Alcolumbre. Senador que votar nele não tem compromisso com o resgate da independência e harmonia entre os Poderes".
Divisão no PP e a conta dos votos
Somados os 28 parlamentares do PL e os três do Partido Novo, a candidatura de Rogério Marinho parte de um piso inicial de 31 votos declarados. Para chegar aos 41 apoios necessários para vencer a votação em plenário, os articuladores bolsonaristas miram diretamente as divergências internas dos partidos de centro.
A bancada do Progressistas está dividida na Casa Alta. Embora a direção nacional da federação formada por União Brasil e PP tenha declarado apoio formal à recondução de Alcolumbre, quatro dos seis senadores do partido já sinalizaram voto em Marinho: Tereza Cristina, Guilherme Derrite, Laércio Oliveira e Hiran Gonçalves. Do lado oposto, Arthur Lira e o ex-ministro André Fufuca sustentam o apoio ao atual presidente.
Alcolumbre conta com uma base teórica de 39 senadores, formada pelas direções da federação União-PP e pelas legendas governistas, incluindo o PT, PSB, PDT e Rede. Como as dissidências ameaçam sua margem, o senador intensificou conversas individuais. Ele se reuniu com Arthur Lira, que ainda não anunciou voto oficial, e aposta na votação secreta para atrair dissidentes da própria oposição.
Outros 16 votos seguem sem definição nos quadros do Republicanos, Podemos e PSDB. A pauta prioritária do grupo em torno de Marinho inclui o avanço de pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes e maior rigor na análise de futuras indicações presidenciais para o Supremo.
O vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes (PL-TO), afirmou que a direita vai se reunir na próxima quarta-feira para bater o martelo. Segundo Gomes, governadores de grandes colégios eleitorais, como Tarcísio de Freitas, Sérgio Moro, Jorginho Mello e Cleitinho, terão peso na reorganização de forças do bloco.
A disputa pelo comando do Senado reflete o confronto direto entre a oposição de direita e o Supremo Tribunal Federal. O PL tenta capitalizar o crescimento eleitoral de sua bancada para assumir o controle da pauta da Casa, tendo como objetivos centrais a tramitação de anistia judicial para envolvidos em atos golpistas e a abertura de processos contra ministros da Corte.