PL tenta filiar Tarcísio de Freitas após derrota eleitoral e racha com ala de Flávio Bolsonaro
Governador de São Paulo admite disputar a Presidência em 2030, provoca desgaste com a família do ex-presidente e abre disputa pela liderança da oposição
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, CartaCapital, Estadão, GZH, O GLOBO). Novos desdobramentos a qualquer momento.
Brasília — Dirigentes do Partido Liberal tentam reabrir conversas para filiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), segundo apuração conjunta de veículos da imprensa nacional. Interlocutores da legenda ouvidos pela revista CartaCapital avaliam, no entanto, que a chance de sucesso na negociação é mínima no cenário atual.
A articulação partidária começou logo após a derrota eleitoral da oposição na disputa presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento ganhou tração depois da viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Miami, nos Estados Unidos, fato que abriu disputas diretas sobre o comando e o futuro político do campo conservador.
O ambiente interno azedou quando Tarcísio concedeu entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo e admitiu a intenção de concorrer ao Palácio do Planalto em 2030. A declaração ocorreu apenas quatro dias após a apuração das urnas, enquanto o grupo ligado ao senador derrotado ainda tentava assimilar o resultado da votação de domingo.
Parlamentares ligados a Flávio Bolsonaro classificaram o gesto do governador paulista como oportunista e disseram que ele queimou a largada na sucessão nacional. O entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro chamou o momento escolhido de inoportuno, conforme fontes informaram à CNN Brasil, embora tenham descartado a tese de traição deliberada.
Disputa pelo espólio eleitoral
Tarcísio condicionou a postulação presidencial ao resultado de sua gestão no Palácio dos Bandeirantes, após vencer a reeleição estadual no primeiro turno. "A gente tem que ver qual é o cenário de momento e, claro, vou estar terminando o segundo mandato aqui no estado de São Paulo. Terminando bem o segundo mandato, obviamente abre uma possibilidade. Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, não sozinho", declarou o governador ao Estadão.
O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), rejeitou publicamente a liderança de Tarcísio em manifestação à CNN Brasil. "O líder da direita é o Jair Bolsonaro, que endossou a liderança do Flávio. É um direito do Tarcísio concorrer, mas achei a fala precipitada. Não o reconheço como o líder da direita", afirmou o militar da reserva.
Nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro discute com Eduardo Bolsonaro o anúncio de uma nova pré-candidatura para 2030, revelou a Folha de S.Paulo. O senador tenta preservar espaço próprio de comando na oposição, mesmo após deixar o país e divulgar um manifesto com questionamentos ao resultado do pleito, do qual recuou posteriormente.
A reação da cúpula do PL mostra visões divididas sobre a postura de Tarcísio. Enquanto deputados da ala pragmática apoiam o governador e citam a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) como opção para 2030, o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, rejeitou embarcar na carta golpista divulgada por Flávio em Miami.
Demarcação com as regras do jogo
O governador paulista marcou distância dos questionamentos eleitorais ao defender a aceitação do resultado das urnas. Em análise publicada no Estadão, o cientista político Fernando Schüler apontou que Tarcísio estabeleceu um afastamento formal do discurso de fraude, sustentando que a oposição precisa atuar dentro da legitimidade do processo político regular.
Em postagem nas redes sociais compartilhada por Tarcísio, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que Jair Bolsonaro mantém respeito e carinho por nomes atacados por aliados dos filhos. A mensagem citou nominalmente o governador de São Paulo, a senadora Damares Alves, o deputado Nikolas Ferreira e o pastor Silas Malafaia.
Malafaia atacou os filhos de Bolsonaro em mensagens a aliados após a publicação da carta golpista nos Estados Unidos. O pastor chamou os parlamentares de amadores e criticou a estratégia do grupo em Miami, afirmando que o ex-presidente Donald Trump não deu aval para tumultuar o cenário institucional brasileiro.
O levantamento aponta que 86% dos parlamentares eleitos pelo PL ainda evitam reconhecer a vitória de Lula publicamente, enquanto um quarto apoiou formalmente a primeira versão da carta do senador. A bancada federal da oposição volta a se reunir nas próximas semanas para definir como atuará no Congresso Nacional a partir de 2027.
Tarcísio de Freitas chegou a ser cogitado como nome principal da direita para disputar o Planalto neste ano, respaldado por setores do empresariado e do mercado financeiro, mas recuou para disputar o governo paulista quando Jair Bolsonaro bancou o nome do primogênito. O governador cumpriu compromissos de palanque, auxiliou o candidato do PL em debates e foi reeleito em primeiro turno em São Paulo. Com o desfecho eleitoral favorável a Lula e a saída imediata de Flávio Bolsonaro do país, o grupo político que sustentava a unidade partidária entrou em rota de fragmentação pela liderança do bloco opositor.