Democratas pressionam Casa Branca e ameaçam expor fuga de Flávio Bolsonaro nos EUA
Com risco de derrota de Donald Trump nas midterms, bancada cobra explicações de Marco Rubio e projeta comissões de inquérito sobre vistos da família
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Estadão, G1). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O Partido Republicano do presidente Donald Trump chega na defensiva à reta final das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as chamadas midterms, marcadas para a próxima terça-feira (3). O pleito vai renovar todas as cadeiras da Câmara dos Deputados, um terço do Senado e 36 governos estaduais. Uma eventual vitória da oposição democrata deve transformar o abrigo concedido ao senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em alvo de investigações formais no Congresso americano.
Flávio desembarcou no território norte-americano após o encerramento da eleição presidencial brasileira. O governo dos Estados Unidos confirmou a passagem do parlamentar pelo controle de imigração na Flórida e sua posterior liberação. No entanto, o desembarque ocorreu a uma semana do pleito legislativo que pode tirar a maioria das mãos de Trump.
Um grupo de 25 deputados federais do Partido Democrata cobra explicações formais do Secretário de Estado, Marco Rubio, a respeito de três pontos sobre a entrada do senador brasileiro no país. As comissões da Câmara, caso passem ao controle oposicionista, contam com poder legal de convocação de autoridades e requisição de documentos. O parlamento pode abrir inquéritos para checar se houve facilitação na concessão de vistos para o senador e familiares, além de apurar a conduta de autoridades americanas na recepção do parlamentar.
Especialistas em direito e política internacional explicam que o Congresso não possui atribuição legal para decretar a deportação ou expulsão direta de estrangeiros. Essa competência pertence aos órgãos do Poder Executivo, como o Departamento de Estado chefiado por Rubio e o Departamento de Segurança Interna (DHS). Mesmo assim, audiências públicas e pedidos de informação têm peso político suficiente para pressionar o Executivo sobre o destino do senador.
Disputa eleitoral e desgaste republicano
A avaliação da consultoria Arko Advice indica que os deputados da base governista entraram em ritmo de emergência em distritos antes considerados tranquilos. Candidatos republicanos aceleram a arrecadação financeira de última hora e ampliam gastos com propaganda na televisão e na internet. Os articuladores admitem nos bastidores que a discussão atual da bancada não gira mais em torno da manutenção da maioria na Câmara, mas do tamanho da perda de assentos que sofrerão na contagem final.
O recuo eleitoral da base republicana reflete a piora nas condições materiais da classe trabalhadora norte-americana. A perda de apoio entre os jovens trabalhadores decorre da elevação generalizada no custo de vida, do aumento contínuo no preço dos combustíveis e da manutenção dos gastos bélicos na guerra contra o Irã. Esse conjunto de fatores econômicos enfraqueceu as alianças sociais que deram a vitória presidencial a Donald Trump no pleito de 2024.
No Senado, onde as disputas costumam ser mais equilibradas, o Partido Republicano enfrenta dificuldades inéditas. Levantamentos eleitorais mostram empate técnico no estado de Ohio, tradicional reduto conservador. Disputas acirradas e imprevisíveis atingem também redutos históricos como Kansas, Louisiana, Carolina do Sul e Nebraska. A consultoria aponta leve vantagem aos democratas na Casa Alta, embora a apuração oficial possa levar semanas devido a modelos distintos de apuração, como a contagem ranqueada no Maine e no Alasca e a recepção de votos por correspondência no Kansas até três dias após o pleito.
Desdobramentos institucionais e desinformação
Se o Partido Democrata confirmar a maioria legislativa, a Casa Branca enfrentará os limites de uma presidência esvaziada em seu término de mandato. A oposição articula votações de abertura de impeachment contra o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, e pretende colocar em pauta as cartas de teor golpista articuladas por aliados brasileiros que buscaram refúgio no território americano. Esse cenário eleva o custo político das tarifas comerciais e das declarações de suporte de Trump aos aliados bolsonaristas.
Em paralelo às articulações em Washington, redes sociais resgataram vídeos antigos fora de contexto para sustentar que a presidência americana estaria intervindo na situação de Flávio. Uma verificação feita pelo jornal O Estado de S. Paulo apontou que uma declaração recente atribuída a Donald Trump trata-se de um registro antigo gravado em 17 de junho de 2026, durante o encontro da cúpula do G7. Na ocasião, Trump confundiu os irmãos ao comentar a condenação penal do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação a ministros durante processo judicial no Brasil.
Eduardo Bolsonaro reside no estado do Texas desde fevereiro de 2025 e teve mandado de prisão expedido pela Justiça brasileira apenas em outubro de 2026, após condenação a 4 anos e 2 meses de prisão por coação a ministros, sem cumprimento até o momento. Já o senador Flávio Bolsonaro responde atualmente a três inquéritos instaurados perante o Supremo Tribunal Federal (STF), sem mandado de prisão expedido contra si até a data presente. A evolução das votações americanas na terça-feira definirá a margem de manobra do senador em solo estrangeiro.
A família Bolsonaro enfrenta desdobramentos judiciais simultâneos no Supremo Tribunal Federal e utiliza a proximidade ideológica com o núcleo republicano para buscar blindagem política nos Estados Unidos. Enquanto Eduardo Bolsonaro permanece no Texas sem cumprir a pena após condenação a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo, Flávio desembarcou na Flórida após disputar a eleição presidencial de 2026. A perda da maioria congressual de Donald Trump retira a proteção informal que garantia salvo-conduto aos parlamentares brasileiros em solo norte-americano.