Constituição dos Estados Unidos barra nova candidatura de Barack Obama à presidência

Vigésima segunda Emenda limita mandatos presidenciais a duas eleições; movimentação de ex-presidente e Donald Trump nas eleições de meio de mandato impulsiona debate sobre a disputa de 2028

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O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama discursa em evento de campanha (imagem de arquivo).
Foto: Gage Skidmore from Surprise, AZ, United States of America / CC BY-SA 2.0 via Wikimedia Commons
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Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Diário de São Paulo, InvestNews, Revista Fórum, Tribuna do Planalto, Valor Econômico). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama não pode disputar a presidência do país novamente por impedimento expresso da 22ª Emenda da Constituição norte-americana. A regra constitucional proíbe que qualquer pessoa seja eleita para o cargo mais de duas vezes.

Obama exerceu dois mandatos consecutivos após vencer as eleições de 2008 e de 2012, permanecendo no comando da Casa Branca de janeiro de 2009 até janeiro de 2017. Para que o ex-presidente pudesse concorrer a uma nova gestão, o Congresso dos Estados Unidos precisaria aprovar uma emenda constitucional por dois terços da Câmara dos Representantes e do Senado, com posterior ratificação de três quartos dos estados do país.

A dúvida sobre uma eventual candidatura ganhou força nas redes e no debate político norte-americano com o retorno de Obama às campanhas eleitorais nas eleições legislativas de meio de mandato, as chamadas midterms, marcadas para 3 de novembro de 2026. Na reta final da disputa pelo controle do Congresso, Obama e Donald Trump visitaram estados competitivos como Ohio e Geórgia para apoiar correligionários.

Trump, que voltou ao poder em 2025, está no meio do seu mandato e também não poderá disputar um terceiro mandato presidencial em 2028. Pela primeira vez desde 2016, a corrida para a Presidência dos Estados Unidos não terá um titular no cargo disputando a reeleição.

O texto constitucional norte-americano também impõe limites para mandatos parciais. Quem assume a chefia do Executivo e governa por mais de dois anos do período para o qual outro titular foi eleito só recebe permissão para disputar o cargo uma única vez. A restrição entrou na Carta Magna após ser aprovada pelo Congresso em 1947 e ratificada pelos estados em fevereiro de 1951, rompendo com o precedente histórico de Franklin D. Roosevelt, que conquistou quatro mandatos seguidos entre 1933 e sua morte em 1945.

A legislação também impõe travas a uma eventual postulação à vice-presidência. A 12ª Emenda estabelece que cidadãos inelegíveis para o posto de presidente não podem ser eleitos vice-presidentes. Uma corrente jurídica sustenta que a posse de um ex-presidente com dois mandatos como vice criaria uma via indireta de contornar a regra constitucional caso o titular renunciasse, enquanto outra interpretação defende que o texto barra eleições diretas para um terceiro mandato, sem vedar a sucessão em situações de emergência.

Disputa pelo Legislativo pressiona governo republicano

As eleições legislativas de novembro de 2026 renovam as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. Atualmente, os republicanos mantêm a maioria nas duas Casas: possuem 53 senadores contra 47 democratas e independentes, além de 218 cadeiras na Câmara Baixa frente a 214 dos democratas.

O presidente Donald J. Trump responde a perguntas de repórteres durante atualização da Força-Tarefa do Coronavírus (imagem de arquivo).
O presidente Donald J. Trump responde a perguntas de repórteres durante atualização da Força-Tarefa do Coronavírus (imagem de arquivo). (Foto: The White House from Washington, DC / Public domain via Wikimedia Commons)

No Senado, o republicano John Thune lidera a bancada governista desde janeiro de 2025, enquanto o republicano Mike Johnson preside a Câmara dos Representantes. O resultado das urnas define o espaço institucional de manobra de Trump nos dois últimos anos da sua gestão, impactando a fiscalização governamental e a aprovação de matérias orçamentárias.

O governo enfrenta pressão popular expressiva na reta final das campanhas. A rejeição à gestão Trump chega a 66%, impulsionada pela insatisfação popular com a inflação, o custo de vida e os gastos da política externa, incluindo tensões com o Irã e o suporte militar mantido nas guerras entre Ucrânia e Rússia e nos territórios palestinos por Israel. Sondagens Reuters/Ipsos mostram que ao menos 71% dos eleitores consideram que o país caminha no rumo errado.

O modelo estatístico Decision Desk HQ calcula 61,8% de chance de o Partido Democrata retomar a maioria no Senado, projetando 52 assentos para os democratas e 48 para os governistas. As disputas mais acirradas concentram-se em colégios eleitorais estratégicos como Alasca, Iowa, Kansas, Maine, Ohio, Texas e Carolina do Sul, onde a candidata democrata Annie Andrews aparece empatada em 48% com a republicana Darline Graham. Na Câmara dos Representantes, projeções apontam ao menos 223 cadeiras para a bancada democrata.

Balanço partidário articula pré-candidaturas para 2028

O vice-presidente JD Vance desponta como o principal nome governista para as prévias presidenciais de 2028, impulsionado por sua atuação administrativa ao lado de Trump. Pela média de pesquisas nacionais do levantamento RealClearPolling entre julho e 26 de outubro, Vance lidera as intenções de voto com 39,2%, superando o secretário de Estado Marco Rubio, que soma 24,2%. Donald Trump Jr. Pontua com 10,9% e o governador Ron DeSantis alcança 7,9%.

Nas pesquisas individuais, o levantamento Harvard-Harris de outubro coloca Vance com 40%, enquanto Rubio e Donald Trump Jr. Dividem a vice-liderança com 21%. O levantamento Echelon Insights registra o vice-presidente com 38%, Rubio com 20% e DeSantis com 12%. No grupo conservador, os senadores Ted Cruz e John Kennedy admitiram planos para a disputa, embora o secretário de Estado mantenha articulações com a cúpula do governo.

O campo democrata mobiliza diversas alas internas antes dos lançamentos oficiais previstos para 2027. A ex-vice-presidente Kamala Harris retomou atos públicos em estados competitivos e avalia nova candidatura. O governador Gavin Newsom declarou que não disputará caso Harris ingresse na disputa. O ex-secretário Pete Buttigieg expressou inclinação para concorrer, enquanto a deputada Alexandria Ocasio-Cortez figura nas sondagens da ala progressista.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

Barack Obama governou os Estados Unidos entre 2009 e 2017 enfrentando a crise financeira internacional, período no qual aprovou a reforma da saúde conhecida como Affordable Care Act e autorizou a operação militar que matou Osama bin Laden em 2011. No segundo mandato, sua administração restabeleceu laços diplomáticos com Cuba em 2014, firmou o acordo nuclear com o Irã em 2015 e assinou o Acordo de Paris sobre o clima antes de transferir a presidência a Donald Trump. O modelo de reeleição única em vigor no país decorre da 22ª Emenda de 1951, criada pelo Congresso após a série de quatro vitórias eleitorais de Franklin D. Roosevelt.