Dólar fecha a R$ 5,44 e registra maior alta semanal desde a crise de 2008

Moeda acumulou avanço de 9,15% na semana após reeleição de Lula, em meio a incertezas fiscais e perdas de empresas de tecnologia no exterior

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Edifício sede do Banco Central do Brasil em Brasília (imagem de arquivo).
Foto: Senado Federal / CC BY 2.0 via Wikimedia Commons

Brasília — O dólar fechou cotado a R$ 5,44 e acumulou valorização de 9,15% na semana posterior ao segundo turno da eleição presidencial, segundo dados de mercado divulgados pela Agência Brasil. O salto semanal representa a maior alta da moeda estadunidense desde outubro de 2008, período marcado pela crise financeira internacional.

No acumulado de outubro, a divisa dos Estados Unidos subiu 5,27%. Com o resultado, a moeda passou a registrar alta de 0,81% no ano. A pressão sobre as cotações refletiu ajustes de investidores após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dúvidas sobre os rumos da política fiscal brasileira.

Na prática, a alta do dólar encarece produtos importados e insumos da indústria, o que tende a pressionar os preços de itens básicos no mercado interno e pesar no custo de vida das famílias trabalhadoras. A formação da Ptax de fim de mês, taxa apurada pelo Banco Central que serve de referência oficial para contratos futuros de câmbio, também elevou a volatilidade nos negócios no início da sessão.

O mercado financeiro manteve o foco na definição dos nomes para a equipe econômica do próximo mandato de Lula. As atenções dos operadores se concentram na apresentação das medidas voltadas ao controle das contas públicas da União.

Queda na bolsa e saída de capital estrangeiro

O Ibovespa, principal indicador do mercado de ações do país, fechou a semana com recuo acumulado de 18,12%. A retração semanal foi a mais intensa desde março de 2020, quando o índice havia desabado 18,88% nos primeiros impactos da pandemia de covid-19.

No mês de outubro, a perda do índice da B3 chegou a 9,88%. O recuo mensal representou o pior desempenho para o indicador acionário desde junho de 2022, ocasião em que a queda acumulada alcançou 11,5%.

A perda de valor das empresas nacionais foi impulsionada pela saída de investidores estrangeiros. Segundo registros da B3, os investidores de fora retiraram quase R$ 7,6 bilhões líquidos do mercado secundário de ações nos três primeiros pregões da semana.

No exterior, o recuo das ações de tecnologia e de empresas ligadas à inteligência artificial aumentou a aversão ao risco nos mercados mundiais. Em Nova York, o índice S&P 500 encerrou o dia em queda de 1,82%, influenciado pelos balanços dessas companhias e pela expectativa em torno da inflação e das taxas de juros no mundo.

O índice do dólar, que calcula a força da moeda norte-americana diante de uma cesta com seis divisas fortes, operava com leve alta de 0,01%, aos 101,890 pontos, no fim da tarde.