Votação antecipada nos EUA bate recorde com 48 milhões de eleitores

Número supera marca de 2022 nas eleições de meio de mandato sob impacto de disputas pelo Congresso e pressão econômica

Compartilhar
Votação antecipada nos EUA bate recorde com 48 milhões de eleitores
Foto: Arquivo Gazeta Estrela Vermelha
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Folha de S.Paulo, G1, Gazeta do Povo, Poder360). Novos desdobramentos a qualquer momento.

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos registraram recorde de comparecimento prévio, somando 48,5 milhões de votos computados até as 18h de sexta-feira (30), segundo o Laboratório Eleitoral da Universidade da Flórida. O volume supera a marca histórica de 45,9 milhões registrada no pleito legislativo de 2022.

Do total registrado pelo levantamento universitário, 26,1 milhões de cidadãos compareceram pessoalmente aos postos de votação. Outros 22,4 milhões enviaram suas cédulas pelo correio. A apuração do órgão apontava 47.922.669 sufrágios no meio-dia da mesma data.

Nos estados com registro partidário obrigatório, eleitores filiados ao Partido Democrata somam 43,7% das cédulas, o equivalente a cerca de 10,1 milhões de votos. Republicanos representam 31,4%, com 7,3 milhões, enquanto independentes e legendas menores perfazem 24,9% das participações registradas.

O perfil demográfico indica que eleitores com 65 anos ou mais concentram cerca de metade dos votos recolhidos até o momento. Jovens entre 18 e 25 anos representam 4,5% do total. Entre as cédulas enviadas à distância, o papa Leão XIV votou por correio para Chicago, em Illinois, tornando-se o primeiro pontífice a votar em uma eleição, segundo a assessoria de imprensa do Vaticano.

A corrida eleitoral de 3 de novembro renovará todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 vagas do Senado e 36 governos estaduais. No Senado, disputas apertadas impulsionam a presença nas urnas em estados como Carolina do Norte, Carolina do Sul e Kansas. No Texas, a votação presencial cresceu 50%. No Kansas, onde o senador republicano Roger Marshall disputa a reeleição, a ida às urnas superou em dois terços a marca de 2022.

Especialistas apontam que a alta adesão prévia não define o resultado final. Eleitores republicanos costumam votar presencialmente na data oficial, e a filiação partidária não vincula a escolha do candidato. A modalidade presencial antecipada e o voto postal são adotados em 47 estados e no Distrito de Colúmbia. Localidades como Minnesota e Virgínia iniciaram o recolhimento ainda em setembro.

Disputas judiciais e mobilização eleitoral

O processo eleitoral enfrentou contestações nos tribunais antes da abertura das urnas. Republicanos e democratas travaram disputas pelo desenho de distritos eleitorais na Flórida e na Califórnia. O governo federal acionou a Justiça para checar a cidadania de eleitores na Califórnia, tentou barrar certificações de votos no Alasca por divergências em nomes e ofereceu recompensa de US$ 1 milhão por relatos de fraudes.

O interesse popular provocou recorde de buscas pelo termo de alistamento eleitoral no Google Trends, liderado pelo Texas, seguido por Idaho, Arizona, Geórgia e Indiana. Na última semana, termos sobre crime lideraram as pesquisas temáticas, seguidos por saúde, imigração, economia e o conflito com o Irã. O voto não é obrigatório no país, cuja taxa de participação atingiu 52,2% em 2022 e 53,4% em 2018, segundo o Censo americano.

A situação econômica é apontada por 84% dos eleitores registrados como critério decisivo no voto, aponta pesquisa do Centro de Pesquisas Pew. A preocupação reúne 88% dos apoiadores democratas e 82% dos republicanos, impulsionada pelos custos de moradia, alimentos, saúde e combustíveis. O galão da gasolina atingiu média de US$ 4,27 em 22 de outubro, cerca de US$ 1,20 acima do valor apurado no ano anterior pela associação automotiva AAA.

A alta dos combustíveis coincide com ações militares de Washington e Israel contra o Irã iniciadas em fevereiro. O conflito armado completou seis meses, contrariando previsões iniciais da Casa Branca de resolução em seis dias. A assistência médica é indicada como tema prioritário por 68% dos entrevistados no levantamento do Pew, após cortes de verbas federais do Medicaid e o fim de subsídios ampliados da lei de saúde conhecida como Obamacare.

Equilíbrio partidário no Congresso

O presidente Donald Trump chega à votação com aprovação em patamar baixo. Sondagem da Reuters/Ipsos divulgada em 26 de outubro registrou 32% de apoio à sua gestão, após marcar 31% na semana anterior. Em entrevista ao canal CNN Brasil, o cientista político Pedro Costa Júnior, da USP, afirmou que o governo corre o risco de virar um "pato manco", expressão usada para mandatos que perdem governabilidade ao ficar sem maioria parlamentar.

"Ele praticamente passou tudo o que ele quis passar nesses dois anos", declarou Costa Júnior sobre o início de mandato com apoio na Câmara, no Senado e na Suprema Corte. O analista avaliou a eleição como um teste direto ao Executivo: "Ela é muito mais plebiscitária do que regional. É sobre a continuação dessa governabilidade ou não do governo Trump".

Para o próximo ciclo eleitoral de 2028, Pedro Costa Júnior apontou disputas internas no campo governista entre o vice-presidente JD Vance e Marco Rubio, além de movimentações no lado democrata com nomes como Alexandria Ocasio-Cortez e Bernie Sanders. O controle das duas Casas legislativas define o ritmo final da administração federal.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

As eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos ocorrem a cada quatro anos, exatamente dois anos após a eleição presidencial, servindo historicamente como termômetro da aprovação da gestão federal. Nos dois primeiros anos do atual mandato republicano, o partido manteve o controle conjunto da Câmara dos Representantes e do Senado, aprovando pacotes tributários e reformas em programas sociais. A oposição busca agora retomar as maiorias legislativas em meio à inflação doméstica, ao desgaste econômico do setor energético e a questionamentos nas cortes sobre cadastros de eleitores e regras de voto antecipado.