Governo Trump aciona Justiça e investiga candidatura com mesmo nome de senador no Alasca
Disputa põe em risco maioria republicana no Congresso; Departamento de Justiça tenta barrar certificação de votos após democrata Mary Peltola liderar primárias
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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação criminal e moveu ações judiciais para intervir na eleição ao Senado no Alasca. A ofensiva começou após a revelação de que a campanha da democrata Mary Peltola teria articulado a candidatura de um professor aposentado com o mesmo nome do senador republicano Dan Sullivan para confundir eleitores na cédula de papel.
A investigação apura a presença de Daniel J. Sullivan Jr. Um docente aposentado sem filiação partidária morador de uma vila pesqueira remota, na mesma disputa que o atual senador republicano Dan S. Sullivan. Nas primárias de agosto, Peltola liderou com 49,5% dos votos, contra 41,4% do republicano Dan Sullivan. O professor Daniel obteve 2,5%, somando 4.107 votos. Pelas regras eleitorais do estado, os quatro primeiros colocados avançam para o pleito geral.
Documentos e apurações jornalísticas indicam que a estratégia começou em meados de 2025. Assessores da democrata, advogados eleitorais e membros do Comitê de Campanhas Democratas para o Senado (DSCC) teriam procurado pessoas chamadas Dan Sullivan no estado para dividir os votos conservadores. A ex-gerente de campanha de Peltola, Elisa Rios, demitida em agosto, afirmou que a candidata sabia do plano.
Peltola negou envolvimento. "Eu não sabia nada sobre qualquer outro candidato na cédula além de mim e do ocupante do cargo. Isso é tudo o que sempre soube. Não tenho interesse em enganar eleitores", disse a democrata. O comitê democrata e o professor Daniel J. Sullivan Jr. Também negaram conluio. Em junho, o professor declarou ter "zero, nenhum, nada" de contato com a campanha democrata e afirmou que não entrou na disputa para desviar votos.
Disputa pelo controle do Congresso
O presidente Donald Trump pressionou publicamente a Procuradoria Federal e confirmou a ordem para a ofensiva jurídica. "Fui eu quem disse para fazer isso", declarou a repórteres na Casa Branca. Em comício na Flórida, o republicano chamou o episódio de "fraude eleitoral no mais alto nível" e defendeu processar Peltola, além de impedir preventivamente que o Alasca certifique os resultados se o republicano for derrotado.
A Procuradoria Federal enviou mais de 40 intimações e pediu a um juiz federal a retenção das cédulas que possam registrar confusão dos eleitores. O promotor Heyman afirmou que o caso é apurado de forma rápida, chamou Sullivan Jr. De "candidato falso", mas não especificou qual crime teria sido cometido. Juristas avaliam o uso eventual de uma lei federal de 1871 contra conspirações eleitorais, criada originalmente para combater a Ku Klux Klan.
Os advogados de Peltola pediram à juíza federal Sharon Gleason que extinga a ação, sustentando que o governo federal não tem competência legal sobre a apuração estadual. A Constituição americana estabelece que a condução das eleições cabe primariamente aos estados. Especialistas em direito eleitoral apontam que partidos costumam lançar candidaturas para dispersar votos e que a prática não configura crime se não houver ocultação de recursos de campanha.
A cadeira no Alasca é decisiva para o equilíbrio de forças em Washington. Os republicanos mantêm maioria estreita de 53 a 47 no Senado e margem apertada na Câmara dos Deputados. Caso percam quatro assentos líquidos e fiquem sem o controle do Parlamento durante os últimos dois anos de mandato de Trump, os democratas poderão barrar projetos do governo, abrir investigações e pressionar pelo fim da guerra contra o Irã.
A ofensiva do governo federal atinge outros colégios eleitorais. O Departamento de Justiça acionou cerca de 30 estados para obter listas de eleitores sem censura e tenta barrar a contagem de mais de 20 mil votos enviados pelo correio na Califórnia sob a alegação de voto de não cidadãos. Paralelamente, mais de 51 milhões de norte-americanos já votaram antecipadamente em todo o país.
A disputa eleitoral nos Estados Unidos ocorre sob forte polarização pelo controle das duas casas do Congresso. Republicanos e democratas historicamente utilizam manobras regimentais e candidaturas de terceiros para fracionar bases adversárias em distritos concorridos. O governo Trump intensificou ações judiciais diretas contra legislações eleitorais estaduais e o voto pelo correio, estratégia que já havia sido rejeitada pela Suprema Corte em setembro ao barrar restrições federais adicionais às regras de votação.