Malafaia rompe com clã Bolsonaro e carta golpista isola Flávio no PL após fuga

Pastor chama filhos do ex-presidente de 'jumentos' e 'amadores', enquanto 75% dos eleitos do partido ignoram texto que contesta eleição.

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O pastor Silas Malafaia concede entrevista ao então presidente Jair Bolsonaro (imagem de arquivo).
Foto: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil / CC BY 2.0 via Wikimedia Commons
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Estadão, Folha de S.Paulo, Migalhas, O GLOBO). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O pastor Silas Malafaia sinalizou o esgotamento do diálogo com o clã Bolsonaro e chamou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro de "jumentos", "babacas" e "amadores". As mensagens foram enviadas a interlocutores e reveladas pela imprensa após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgar um manifesto contestando o resultado eleitoral e deixar o país rumo aos Estados Unidos.

Flávio viajou para Miami após descumprir uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva por uma diferença de 4,4 milhões de votos, o senador publicou uma carta na qual alegou fraude nas urnas e se autodeclarou o "verdadeiro presidente eleito". Sob pressão de aliados, ele trocou o termo para "líder do Brasil", mantendo os ataques ao sistema eleitoral.

Três em cada quatro parlamentares e governadores eleitos pelo PL no pleito deste ano ignoraram o texto golpista de Flávio, segundo levantamento do jornal O Globo. De 155 representantes da legenda, 117 (75%) não compartilharam nem endossaram o documento. Apenas 38 políticos do partido apoiaram a tese publicamente.

A direção partidária tenta convencer o senador a abandonar os questionamentos para evitar o desgaste da oposição e frear reações da Justiça. Entre os parlamentares que rejeitaram a tese estão o deputado Major Vitor Hugo (GO) e a deputada Rosangela Moro (PR). Vitor Hugo declarou que a diferença de votos e o reconhecimento das instituições inviabilizam qualquer tentativa de reversão.

Líderes evangélicos vinham acumulando insatisfações com a família Bolsonaro pelo tratamento dispensado às igrejas. Pastores criticam a tentativa do clã de transformar os templos em currais eleitorais. No ano passado, Jair Bolsonaro impôs a candidatura de Flávio, contrariando a preferência dos religiosos pelo governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Em entrevista recente, Tarcísio acenou ao eleitorado religioso ao afirmar que leva a dimensão espiritual para as decisões políticas e que entrega seus projetos a Deus. O bispo Teo Hayashi, figura com forte penetração na juventude cristã, também se distanciou da narrativa conspiratória, declarando que a derrota nas urnas precisa ser respeitada.

Uso indevido de brasão e denúncia à PF

A carta divulgada por Flávio virou alvo de representação formal. Um grupo de advogados acionou a Polícia Federal após o senador estampar símbolos oficiais no documento. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo.

O senador Flávio Bolsonaro durante pronunciamento (imagem de arquivo).
O senador Flávio Bolsonaro durante pronunciamento (imagem de arquivo). (Foto: Palácio do Planalto / CC BY 2.0 via Wikimedia Commons)

A primeira versão trazia um brasão histórico com o termo "Estados Unidos do Brazil". O texto foi republicado com as Armas Nacionais da República Federativa do Brasil. Os advogados apontam indício de crime previsto no artigo 296 do Código Penal, que pune o uso indevido de símbolos da administração pública com pena de dois a seis anos de reclusão e multa.

A representação pede que o caso seja enviado ao STF para abertura de inquérito, além de perícia técnica para verificar se servidores ou equipamentos públicos do gabinete parlamentar foram usados na confecção do material.

Apoiam a carta de Flávio os senadores Magno Malta (ES) e Jorge Seif (SC), o senador eleito Gustavo Gayer (GO) e os deputados federais José Medeiros (MT) e Nikolas Ferreira (MG). Nikolas defendeu o documento, mas admitiu publicamente que a chance de anulação do pleito no país é praticamente nula.

Articulação em Washington e fardo para Trump

Em solo americano, Flávio tenta marcar reuniões na capital dos Estados Unidos. Interlocutores articulam encontros com o secretário de Estado, Marco Rubio, que auxiliou na sua entrada no país, e integrantes do Departamento do Tesouro, chefiado por Scott Bessent.

A ida a Washington ocorre em meio às disputas das eleições de meio de mandato, as midterms. O analista Thiago de Aragão, da Arko Internacional, afirmou à CNN Brasil que o caso de Flávio Bolsonaro é tratado como "um fardo" que o presidente Donald Trump precisa gerenciar sem desgastar as relações bilaterais com o Brasil.

A prioridade da Casa Branca na relação com o governo Lula envolve o acordo sobre minerais críticos e a tentativa de frear o avanço de empresas chinesas de processamento no território brasileiro. Trump mantém interlocução direta com o Palácio do Planalto e evitou endossar os títulos de presidente ou líder reivindicados pelo senador brasileiro, repassando os questionamentos sobre o refúgio ao lobista Jason Miller.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

Silas Malafaia foi o artífice da aliança histórica entre as cúpulas pentecostais e a família Bolsonaro ao celebrar o casamento de Jair e Michelle em 2013. O rompimento público reflete o desgaste da retórica de fraude eleitoral, amplificado pelo isolamento partidário no PL após a fuga do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos com apoio da extrema-direita internacional.