Aliados defendem Tarcísio de Freitas após ataques bolsonaristas por declaração sobre disputa presidencial
Governador admitiu concorrer ao Planalto em 2030 após fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos; ala ligada ao ex-presidente reagiu com críticas
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Folha de S.Paulo, Metrópoles, O GLOBO, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.
Aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), uniram forças para conter uma onda de ataques de integrantes do núcleo bolsonarista após o chefe do Executivo paulista admitir que pode disputar a Presidência da República em 2030. A reação ocorre em meio ao isolamento político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que viajou para os Estados Unidos após a derrota nas eleições presidenciais.
Em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo, Tarcísio avaliou pela primeira vez o seu futuro eleitoral nacional. O governador declarou que a conclusão de uma boa administração no estado de São Paulo cria condições para o projeto nacional.
"A gente tem que ver qual é o cenário do momento e, claro, vou estar terminando o segundo mandato aqui no estado de São Paulo. Terminando bem o segundo mandato, obviamente abre uma possibilidade. Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, não sozinho", afirmou Tarcísio de Freitas.
A fala gerou reação contrária na ala do Partido Liberal ligada diretamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. Integrantes desse grupo classificaram a declaração como inoportuna e apontaram erro de momento, embora tenham descartado o gesto como traição.
O vice-prefeito eleito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), rejeitou o nome do governador paulista para o comando do bloco oposicionista. "O líder da direita é o Jair Bolsonaro, que endossou a liderança do Flávio. É um direito do Tarcísio concorrer, mas achei a fala precipitada. Não o reconheço como o líder da direita", declarou Mello Araújo.
Em defesa do governador, deputados da ala pragmática do PL afirmam que Tarcísio desponta em posição sólida para disputar a eleição de 2030. Esse grupo aponta o vácuo de comando criado pela saída de Flávio Bolsonaro do país e a resistência provocada pela carta com contestações às urnas deixada pelo senador derrotado.
Disputas internas e divisão partidária
A crise expôs a divisão no campo conservador. De um lado, a ala ideológica ligada ao deputado Eduardo Bolsonaro defendeu a saída de Flávio do Brasil diante do receio de prisão. Do outro lado, advogados, coordenadores de campanha e parlamentares pragmáticos defenderam a permanência do senador no país para comandar a bancada oposicionista no Congresso Nacional.
O próprio Tarcísio revelou ter aconselhado Flávio a permanecer no território nacional logo após o anúncio da apuração. "O conselho que nós demos a ele, os advogados, eu, Marinho, as pessoas que estavam ali reunidas, foi que ficasse", relatou o governador, em referência ao senador Rogério Marinho (PL-RN).
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, admitiu desconforto com a postura de Flávio. Sobre a carta divulgada pelo candidato derrotado, o dirigente resumiu a posição interna da cúpula partidária: "Não gostei". Valdemar e Marinho disseram que não foram avisados previamente sobre a partida de Flávio em voo para os Estados Unidos, aeronave que teria sido providenciada com auxílio de Jason Miller, funcionário da Casa Branca.
Tarcísio também se posicionou sobre os inquéritos judiciais que atingem o clã bolsonarista. O governador evitou criticar a fuga de Flávio e disse que não sabe como agiria na mesma situação. Ele afirmou que houve intimidação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ao determinar a entrega de passaportes, e defendeu Flávio na apuração sobre lavagem de dinheiro ao lado do advogado Willer Tomaz, sob a justificativa de que não há nada comprovado contra o senador.
O cenário pós-eleitoral também colocou em evidência outros nomes da direita. A ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) abriu conversas para retornar ao comando do PL Mulher, cargo deixado após desavenças com Flávio. Michelle focou sua campanha recente na reeleição da governadora Celina Leão (PP) no Distrito Federal e assegurou mandato no Senado a partir de 2027.
No Congresso, o PL elegeu bancadas expressivas na Câmara e no Senado, onde a família Bolsonaro contará com Michelle e Carlos Bolsonaro. A saída do senador do país também alterou a articulação para a presidência do Senado em fevereiro. Rogério Marinho e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) articulam candidaturas contra Davi Alcolumbre (União-AP).
A disputa pela liderança da oposição ocorre após a derrota da chapa bolsonarista na corrida presidencial e a viagem de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. O senador partiu após ordens do ministro Alexandre de Moraes para retenção de passaportes e investigações financeiras envolvendo Willer Tomaz. O vácuo acelerou a busca de espaço por governadores e parlamentares eleitos, com Jair Bolsonaro cumprindo prisão domiciliar.