Flávio Bolsonaro foge para os EUA via Argentina com apoio de agentes estrangeiros, diz jornal
Senador deixou o país em jato particular após derrota na eleição presidencial e ordem do STF para reter passaporte; Casa Branca nega participação direta
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Estadão, Folha de S.Paulo, G1, Gazeta do Povo, Poder360). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fugiu para os Estados Unidos na terça-feira (27 de outubro) em uma operação com veículos camuflados e jatos particulares por Puerto Iguazú, na Argentina. A manobra contou com apoio de agentes norte-americanos e autoridades argentinas, segundo revelou o jornal argentino Clarín.
O parlamentar viajou acompanhado da esposa e de duas filhas adolescentes. Ele deixou o Brasil após ser derrotado na eleição presidencial e ter a apreensão de seu passaporte determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem judicial acolheu pedido feito pela Polícia Federal apenas sete minutos após o Tribunal Superior Eleitoral proclamar o resultado eleitoral, às 21h09 de 25 de outubro de 2026. A apuração oficial terminou com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, com 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio.
A família viajou de Brasília até a fronteira argentina por terra. O grupo utilizou caminhões e carros com placas trocadas para despistar os postos de controle. O veículo que transportava o senador entrou na pista do Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú por um portão secreto uma hora antes da decolagem.
Agentes enviados pelos Estados Unidos assumiram o controle de setores do terminal argentino. Esses agentes afastaram integrantes da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA), da Alfândega e da Imigração local para conduzir os trâmites de embarque. A família Bolsonaro aguardou 40 minutos dentro do jato particular de matrícula LV-JQW, operado pela empresa de voos fretados Baires Fly, até a liberação final de voo rumo a Miami.
O jornal Clarín apurou que representantes norte-americanos fretaram pelo menos três aeronaves de alto custo operacional para garantir rotas alternativas caso o plano principal falhasse. Os jornais The New York Times e The Wall Street Journal informaram que a aeronave foi organizada pelo assessor de comunicação da Casa Branca, Jason Miller. O marqueteiro retornou à equipe de Donald Trump em setembro em caráter temporário, após integrar campanhas anteriores e visitar Brasília em 2021.
O presidente da Argentina, Javier Milei, deu suporte à fuga ao enviar o assessor Santiago Caputo até a província de Misiones. Caputo manteve contato direto com o deputado federal Eduardo Bolsonaro, que mora em território norte-americano desde o ano passado, para coordenar os deslocamentos em solo vizinho.
A versão da Casa Branca e a reação judicial
O governo norte-americano negou envolvimento direto na ação. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou no sábado (31 de outubro) que o país não organizou a saída do parlamentar.
"Não estávamos envolvidos em nenhum dos acordos ou preparativos que ele fez para deixar o país. Pelo menos, o governo dos Estados Unidos não participou diretamente de nenhuma das ações realizadas", declarou Rubio. O secretário ressaltou que Donald Trump autorizou a acolhida formal do brasileiro: "O presidente deixou claro que, se ele chegasse aos Estados Unidos por um ponto de entrada, receberia autorização de entrada condicional (parole). E foi isso que aconteceu".
A fuga gerou medidas imediatas no Judiciário brasileiro. Dois advogados protocolaram uma ação popular na 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro na sexta-feira (31 de outubro). O processo pede a suspensão imediata do salário de senador, da verba de gabinete, do auxílio-moradia e da cota parlamentar (CEAPS) destinados a Flávio Bolsonaro. Os advogados Leonardo Nicolau Passos Marinho e Rodrigo da Silva Roma sustentam que a permanência no exterior lesa os cofres públicos e impede o trabalho parlamentar.
Do exterior, Flávio afirmou que pretende comandar a oposição e previu o desgaste precoce do governo eleito. Em declarações públicas, comparou a crise que projeta para o novo mandato às dificuldades de 2014 e 2015: "Se ele fizer aquilo que prometeu, o Brasil vai quebrar ainda mais rápido", afirmou o senador, que cogita disputar novamente a Presidência antes de 2030. A defesa do parlamentar não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre a ação popular.
A saída clandestina de Flávio Bolsonaro ocorreu após o encerramento do segundo turno presidencial de 2026, quando medidas cautelares do Supremo Tribunal Federal miraram a retenção de seus documentos de viagem para impedir viagens internacionais. A operação envolveu articulações diretas entre assessores de Javier Milei e interlocutores ligados à equipe de Donald Trump, contornando a fiscalização migratória na fronteira com a Argentina.