Abdul El-Sayed vence eleição para o Senado em Michigan e se torna primeiro senador muçulmano dos EUA
Democrata derrota o republicano Mike Rogers por 51,8% a 46,2%, segundo o G1, em virada inédita no estado em mais de 30 anos
🚨 PLANTÃO GAZETA — notícia em desenvolvimento, escrita a partir do que 2 veículos publicaram. As fontes estão no fim do texto; esta página pode ser atualizada.
O democrata Abdul El-Sayed venceu a eleição para o Senado dos Estados Unidos pelo estado de Michigan e se tornou o primeiro senador muçulmano da história do país. Segundo o G1, ele teve 51,8% dos votos, contra 46,2% do republicano Mike Rogers.
A vitória representa uma virada do Partido Democrata em Michigan depois de mais de 30 anos. Ela faz parte de um resultado mais amplo do partido nas eleições de meio de mandato, as midterms, em que a oposição ao presidente Donald Trump conquistou a maioria da Câmara dos Deputados e do Senado.
Nascido nos arredores de Detroit, filho de imigrantes egípcios, El-Sayed tem 42 anos e integra a ala mais progressista do partido. Segundo a BBC, ele é médico e nunca tinha ocupado um cargo eletivo antes desta eleição.
A campanha dele viralizou nas redes sociais, foi alvo de ataques de Trump e ganhou a companhia do ex-presidente Barack Obama na reta final. A disputa interna foi tensa: a democrata Haley Stevens perdeu para ele por uma pequena margem na primária, a disputa que escolhe o candidato de cada partido, e declarou apoio a Rogers nos últimos dias.
Ao comentar o episódio no domingo (1º de novembro), El-Sayed disse a jornalistas: "Este é um Estado de 10 milhões de pessoas que merecem muito mais de seu governo. Estou muito mais concentrado nos outros 9.999.998 sobre os quais vocês não estão falando."
Ataques e acusações na campanha
Trump acusou El-Sayed, filho de imigrantes egípcios, de estar "do lado dos terroristas". O vice-presidente J.D. Vance, em comício de Rogers em 15 de outubro, afirmou: "Vocês merecem coisa melhor do que um pequeno covarde que deveria ficar de boca fechada e demonstrar um pouco de gratidão ao país que lhe deu tudo".
Rogers se distanciou dos comentários de Trump, mas acusou a campanha de El-Sayed de receber apoio financeiro de doadores ligados a organizações radicais e extremistas. Republicanos também disseram que ele tem ligações com a Irmandade Muçulmana, a maior e mais antiga organização islamista do Egito, que chegou brevemente ao poder após a Primavera Árabe de 2011.
El-Sayed nega qualquer ligação com o grupo. Seus adversários citam uma carta aberta que ele assinou em 2012, pedindo ao então presidente islamista Mohamed Morsi que "purgasse a mídia e a polícia o mais rápido possível".
Ele também foi criticado por suas ligações com o comentarista de esquerda Hasan Piker, que afirmou que os Estados Unidos "mereceram" os ataques de 11 de setembro. Em agosto, El-Sayed pediu desculpas à comunidade judaica de Michigan por comentários sobre as motivações de um ataque violento contra uma sinagoga em Detroit, cometido por um americano de origem árabe.
Segundo o site Jewish Insider, citando lideranças comunitárias, a candidatura dividiu o eleitorado judaico de Michigan, que historicamente tende a apoiar os democratas. O veículo previu uma migração de votos para Rogers.
Posições sobre Israel e propostas
A plataforma de El-Sayed criticava a ajuda militar dos Estados Unidos a Israel. Ele classificou como genocídio a operação militar israelense na Faixa de Gaza após os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023, acusação que Israel rejeita veementemente. Também afirmou que o país pratica apartheid na Cisjordânia ocupada.
Entre as propostas, ele defendia a taxação de bilionários para financiar um sistema de saúde universal. Ele também afirmou que queria que os impostos pagos pelos americanos fossem usados para "construir escolas e criar oportunidades, em vez de serem enviados para o exterior para lançar bombas sobre outras pessoas".
Durante a campanha, El-Sayed afirmou que sua lealdade está com a Constituição dos Estados Unidos e pediu aos eleitores que avaliassem suas propostas, e não sua origem ou religião. "Meu nome e minha fé não são a razão pela qual as pessoas não conseguem pagar pela gasolina ou pelas compras no supermercado", disse ele. "Embora eu possa rezar de uma maneira um pouco diferente da maioria dos americanos, rezamos pelas mesmas coisas."
El-Sayed nasceu em 1984 em Rochester Hills, subúrbio de Detroit, e foi criado pelo pai e pela madrasta depois que seus pais se divorciaram, quando ele tinha três anos. Em 2015, foi nomeado diretor-executivo do Departamento de Saúde de Detroit, cargo que lhe deu destaque nacional. Em 2018, concorreu ao governo de Michigan e ficou em segundo lugar nas primárias democratas, perdendo por mais de 20 pontos percentuais para Gretchen Whitmer, que depois foi eleita e conquistou dois mandatos como governadora.