Simone Tebet entra na lista de cotadas para o STF enquanto movimentos cobram ministra negra

Nome da ex-ministra foi levado a Lula, que prevê indicar ao menos uma mulher para a corte; entidades do movimento negro articulam juristas para vaga rejeitada pelo Senado

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Simone Tebet discursa em solenidade oficial (imagem de arquivo).
Foto: Vice-Presidência da República / CC BY 2.0 via Wikimedia Commons
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Alma Preta Jornalismo, BNC Amazonas, Estadão, Folha de S.Paulo, Rádio Metrópole). Novos desdobramentos a qualquer momento.

A ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB-SP) entrou na lista de cotadas para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Apoiadores levaram o nome diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo apuração da coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, repercutida pelo portal BNC Amazonas. Aliados palacianos afirmam que o mandatário já decidiu indicar ao menos uma mulher durante o atual mandato, restando definir em qual das vagas fará a escolha.

Simone Tebet possui mestrado em direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), lecionou em universidades e presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Ela disputou o Palácio do Planalto em 2022 e apoiou Lula no segundo turno. No governo, chefiou a pasta do Planejamento e disputou uma vaga ao Senado por São Paulo nas eleições deste ano, mas não se elegeu. A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Daniela Teixeira também é lembrada entre os nomes femininos sob avaliação.

A articulação ocorre em meio a um vácuo deixado pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso, aberta em outubro de 2025. Para essa vaga, Lula indicou anteriormente o advogado-geral da União, Jorge Messias, que acabou barrado pelo plenário do Senado em abril por 42 votos a 34. Lula já indicou que pode reapresentar o nome de Messias. Em outra frente, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Rodrigo Pacheco recebe o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e de magistrados do Supremo.

A corrida pelas indicações mobiliza entidades da sociedade civil logo após o segundo turno. Movimentos negros e entidades jurídicas retomaram a campanha "Indicação é reparação", cobrando a nomeação de uma mulher negra para o Supremo. A organização Juristas Negras, o movimento Mulheres Negras Decidem, a Coalizão Negra por Direitos e o Instituto de Defesa da População Negra (IDPN) destacam que o STF nunca teve uma mulher negra entre seus integrantes em mais de 130 anos de história.

Campanha por diversidade racial ganha força

Em nota, a organização Juristas Negras sustentou que o tribunal precisa espelhar a sociedade brasileira. "Uma Corte que decide sobre a vida de um país majoritariamente negro precisa refletir esse país", registrou o texto. As organizações lembram que as mulheres negras somam 28% da população e que existem ainda sete vagas abertas no Superior Tribunal de Justiça.

A promotora de Justiça Lívia Sant’Anna Vaz, do Ministério Público da Bahia (MP-BA), desponta como um dos nomes defendidos pelas entidades. Integrante do MP baiano desde 2004, Lívia atua na Promotoria de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa em Salvador e foi reconhecida em 2020 pela entidade MIPAD como uma das 100 pessoas de ascendência africana mais influentes do mundo no setor da Justiça. Em entrevista à Rádio Eldorado, ela ressaltou que a presença de minorias no Judiciário traz equilíbrio às sentenças. "A representatividade no topo do sistema de Justiça não é uma questão simbólica apenas, é uma questão da qualidade da decisão, da legitimidade democrática efetivamente", pontuou a promotora.

Na mesma transmissão, Lívia Vaz alertou para o crescimento do discurso de ódio e de preconceito contra nordestinos em razão das eleições. A promotora explicou que essas práticas configuram delito penal, sujeitas a penas de um a três anos de prisão, subindo para dois a cinco anos caso ocorram em redes sociais. "A liberdade de expressão não afasta a responsabilização civil, criminal e administrativa das pessoas que abusam desse direito para praticar o ódio, para praticar a discriminação e o racismo", advertiu.

Adriane Primo, coordenadora de Comunicação do Mulheres Negras Decidem, declarou à agência Alma Preta que a indicação é urgente na janela do Novembro Negro. O grupo defende os nomes de Edilene Lobo, Karen Luise Vilanova, Adriana Cruz e da própria Lívia Vaz para a vaga do tribunal. A comunicadora classificou a escolha prévia de Messias, anunciada no Dia da Consciência Negra em 2025, como "um verdadeiro acinte para seu maior eleitorado", cobrando agora pioneirismo do Executivo.

O calendário prevê a abertura de novas vagas na corte ao longo dos próximos anos. O ministro Luiz Fux atinge a idade de aposentadoria compulsória em abril de 2028, seguido por Cármen Lúcia, que se aposenta no ano seguinte. Pela contagem do Senado, até 2030 também se somará a vaga de Gilmar Mendes, o que poderá abrir até quatro indicações no total.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A disputa pela vaga no Supremo Tribunal Federal segue aberta após o Senado rejeitar a escolha de Jorge Messias por 42 votos contra 34 em abril. Historicamente, a Corte nunca teve uma ministra negra em seus 135 anos de atividade, o que mobiliza bancadas, partidos e organizações sociais em torno de indicações que equilibrem gênero e raça até as próximas aposentadorias compulsórias previstas na legislação.