Homem é preso suspeito de cortar garganta da namorada após resultado da eleição no RN
Caso ocorreu em Lucrécia e a Polícia Civil apura motivação política; jovem deixou a UTI e defesa do acusado não foi localizada
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (DeFato.com, G5News, Metrópoles, O GLOBO, Tribuna do Norte). Novos desdobramentos a qualquer momento.
Lucrécia (RN) — A Polícia Militar prendeu um homem em flagrante na madrugada deste domingo (25), por volta das 2h24, suspeito de cortar o pescoço e desferir golpes de faca contra a própria namorada, Clara, na região da Várzea, em Lucrécia, no interior do Rio Grande do Norte. A Polícia Civil abriu investigação para apurar se a agressão teve motivação política, após relatos de desentendimento sobre a apuração eleitoral.
A equipe policial foi acionada por meio de um pedido de socorro e encontrou a jovem consciente na residência, apresentando ferimentos graves provocados por arma branca. O namorado permanecia no imóvel no instante da chegada das viaturas. Os policiais apreenderam a lâmina utilizada no crime e detiveram o homem no local.
A vítima foi levada imediatamente para atendimento de urgência no hospital da cidade de Umarizal. Em razão da gravidade dos cortes no pescoço, os médicos transferiram a paciente para uma unidade regional de referência situada no município de Pau dos Ferros, onde ela foi submetida a uma cirurgia.
O quadro clínico apresentou evolução nas horas seguintes. Clara deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e seguiu para um quarto da enfermaria hospitalar, segundo relato prestado por sua mãe, Monária Maia. A jovem ainda não consegue falar normalmente, emitindo apenas alguns sons, e deve manter repouso vocal absoluto por recomendação da equipe médica para a cicatrização das lesões.
Investigação sobre motivação e rito criminal
O casal mantinha relacionamento há seis meses. Monária Maia afirmou que o suspeito, identificado como Eduardo, participava de atos públicos e passeatas do então candidato Flávio, enquanto a família de Clara declarava apoio a Lula. A mãe ressaltou que o investigado não demonstrava agressividade diante de divergências de posicionamento antes do ataque.
A mãe da vítima cobrou celeridade na punição do agressor e reforçou o foco no restabelecimento da saúde da filha. "Espero que ele pague tudo o que ele fez, que a justiça seja feita para minha filha. Agora eu quero que ela se recupere", declarou.
A advogada constituída pela família informou que vai atuar como assistente de acusação no processo penal, auxiliando o trabalho dos promotores públicos na produção de provas materiais. O objetivo da assistência jurídica é obter a formalização da denúncia do agressor por tentativa de feminicídio qualificado.
A defesa jurídica da vítima sustentou que vai acionar os mecanismos de proteção legal previstos para casos de violência de gênero. "Buscarei apoio multidisciplinar garantido na Lei Maria da Penha para resguardá-la ao máximo. Tenho certeza que o MP vai denunciá-lo pelo feminicídio na forma tentada", afirmou a advogada.
O agressor e a faca apreendida foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil para a formalização do flagrante e cumprimento dos atos legais. A defesa do investigado não foi localizada até a publicação desta reportagem.
Episódios de violência física motivados por intolerância partidária e disputas em períodos de sufrágio mobilizam os órgãos de segurança pública e o Judiciário na aplicação da Lei Maria da Penha. O enquadramento penal como feminicídio tentado impõe penas mais severas quando a agressão ocorre no ambiente doméstico conjugada a motivações fúteis ou torpes sob a custódia do Estado.