Lula busca mulher civil para assumir o Ministério da Defesa e renovar comando das Forças Armadas

Mudança na pasta ocorre após pedido de saída de José Múcio e coincide com cortes orçamentários em projetos militares estratégicos

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Lula busca mulher civil para assumir o Ministério da Defesa e renovar comando das Forças Armadas
Foto: Arquivo Gazeta Estrela Vermelha
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, DefesaNet, Estadão, R7). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca uma mulher civil para assumir o Ministério da Defesa, segundo apurações da imprensa nacional. Se a escolha se confirmar, será a primeira vez que uma mulher comanda as Forças Armadas na história do país, em uma pasta chefiada exclusivamente por homens desde a sua criação em 1999.

A troca no comando ocorre após o atual ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, ter pedido ao presidente para deixar o cargo. Múcio já pretendia sair anteriormente, mas atendeu a pedidos de Lula para permanecer até o término do mandato. Aliados do governo levaram nomes para avaliação dos comandantes militares, com a intenção de evitar indicações que enfrentem resistência direta nos quartéis.

O plano busca atrair a atenção de setores de esquerda para uma área historicamente cercada de desconfianças. Lula também debate opções com assessores próximos, entre eles o senador Camilo Santana e o governador do Piauí, Rafael Fonteles. O presidente defendeu na convenção do PT a importância da soberania nacional ao lembrar que o país tem 16,8 mil quilômetros de fronteira seca e 8 mil quilômetros de costa marítima.

Três nomes femininos concentram as discussões no Palácio do Planalto. A presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha, de 66 anos, é citada por aliados pela atuação em processos penais contra militares e pela defesa de punições a Jair Bolsonaro no plano golpista, embora petistas também a vejam como alternativa para o Supremo Tribunal Federal (STF). A ex-ministra Simone Tebet desponta pelo diálogo com setores conservadores. O grupo formado pelos ex-ministros Celso Amorim, Nelson Jobim e Jaques Wagner articula outro nome com trânsito militar e conhecimento técnico em defesa, como alternativa à candidata de Múcio, que conta com a simpatia de Bruno Dantas, presidente do Conselho da Avibras.

Restrições no orçamento e programas estratégicos

A futura gestão do ministério terá de enfrentar um quadro crônico de falta de verbas públicas. Nesta semana, o governo federal cancelou R$ 226,51 milhões em dotações orçamentárias das Forças Armadas para cobrir gastos com o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a compra de remédios do Sistema Único de Saúde (SUS).

O estrangulamento financeiro atinge diretamente as três Forças. O programa do submarino nuclear da Marinha foi adiado para 2038 após o almirantado avisar que a previsão de R$ 1,48 bilhão no orçamento de 2027 não atende ao cronograma de obras. Na Força Aérea Brasileira (FAB), a lentidão na compra dos caças Gripen gerou custos extras equivalentes ao valor de quatro aviões, mantendo em operação apenas 11 das 36 aeronaves previstas. No Exército, projetos de mísseis balísticos, drones e sistemas de defesa antiaérea avançam em ritmo lento.

Para atenuar os atrasos, Lula sancionou uma lei complementar que autoriza adiantar recursos fora do arcabouço fiscal previstos até a próxima década. Múcio alertou publicamente em agosto sobre o sucateamento dos equipamentos bélicos ao afirmar que o país estava desprotegido em caso de ataques externos.

Mudança geracional no comando das tropas

A saída de Múcio deve coincidir com uma renovação completa no comando do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Os atuais comandantes — general Tomás Paiva, almirante Marcos Sampaio Olsen e brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno — completam quatro anos no posto e consideram suas missões cumpridas. A mudança marca uma transição histórica ao colocar nos postos máximos oficiais formados após o encerramento da ditadura militar brasileira.

Na Marinha, o chefe do Estado-Maior da Armada, almirante de esquadra Arthur Fernando Bettega Corrêa, desponta entre os cotados, ao lado do comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Carlos Chagas Vianna Braga. Na Aeronáutica, aparecem o chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, brigadeiro Walcyr Josué de Castilho Araújo, e o brigadeiro Ary Soares Mesquita.

No Exército, a disputa envolve o critério de antiguidade. O general Luciano Guilherme Cabral Pinheiro ocupa o primeiro lugar na lista de oficiais mais antigos, enquanto o chefe do Estado-Maior da Força, general Francisco Humberto Montenegro Júnior, conta com a simpatia do comando atual. Os generais Kleber de Vasconcelos e Hertz Pires do Nascimento também figuram na lista de opções. Tomás Paiva é cogitado para assumir o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

As relações entre o Palácio do Planalto e as Forças Armadas enfrentaram atritos contínuos devido ao envolvimento de militares com os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e à resistência de alas do governo em ampliar os gastos com a Defesa. O cenário externo e a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do venezuelano Nicolás Maduro reacenderam o debate sobre soberania territorial e modernização das tropas.