STF manda soltar desembargador e autoriza volta de Rodrigo Bacellar a presídio no Rio

Alexandre de Moraes substituiu a preventiva de Macário Neto por tornozeleira e determinou que o ex-presidente da Alerj deixe Mossoró

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O deputado estadual Rodrigo Bacellar durante declaração pública (imagem de arquivo).
Foto: TV ALERJ / CC BY 3.0 via Wikimedia Commons
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Consultor Jurídico, G1, O GLOBO, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a transferência do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar da Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, para uma unidade prisional fluminense. Na mesma frente de decisões, o magistrado determinou a soltura do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que já deixou o cárcere. As medidas foram confirmadas neste sábado (31).

Bacellar continuará preso preventivamente. A determinação judicial altera apenas o local da custódia e atende a um pedido da própria defesa acolhido pelo relator no STF. Na decisão, Moraes registrou que não há mais motivos para manter o parlamentar na penitenciária federal potiguar e proibiu o contato dele com os outros réus do processo. A Secretaria de Estado de Polícia Penal informou que está em tratativas com a Secretaria Nacional de Políticas Penais para cumprir a ordem. O presídio estadual de destino ainda não foi definido, e a escolta ficará a cargo da Polícia Penal Federal.

Para Macário Ramos Júdice Neto, preso desde 16 de dezembro de 2025, Moraes impôs medidas cautelares alternativas à prisão. O desembargador terá de usar tornozeleira eletrônica e entregar os passaportes. Ele é investigado na Operação Unha e Carne por suspeita de repassar dados sigilosos da Polícia Federal sobre uma ação contra o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado pela investigação policial como ligado à facção criminosa Comando Vermelho.

Segundo a denúncia, o magistrado teria antecipado os detalhes da operação policial a Bacellar, que depois teria avisado TH Joias sobre a ordem de prisão. A Primeira Turma do STF recebeu a denúncia contra o desembargador em agosto. O parlamentar foi preso em março de 2026, na terceira fase da operação policial, que também cumpriu mandados de busca e apreensão. TH Joias, preso em setembro com outras 17 pessoas, permanece encarcerado.

Contestação técnica sobre encontro no Aterro

A defesa do magistrado nega as acusações e sustenta que não há provas de vazamento nem necessidade de prisão cautelar. Os advogados rebatem a hipótese da acusação de que Macário e Bacellar teriam se encontrado em uma churrascaria no Aterro do Flamengo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, em setembro de 2025, para fazer o alerta telefônico a TH Joias. Para os defensores, o relato é cronologicamente contraditório.

Jardim de Palmeiras Imperiais com vista parcial do Supremo Tribunal Federal (imagem de arquivo).
Jardim de Palmeiras Imperiais com vista parcial do Supremo Tribunal Federal (imagem de arquivo). (Foto: Juliana Werneck / CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons)

Dados de antenas de telefonia celular solicitados pela Polícia Federal indicam que os dois investigados não estiveram juntos na data apontada. A defesa afirma que Macário estava em um jantar com amigos em um restaurante no Leblon naquela mesma noite e que o desembargador não foi ouvido formalmente sobre os fatos imputados. Apesar da revogação da prisão preventiva de Macário e da autorização de transferência de Bacellar, as investigações continuam em andamento no STF.

Bacellar havia sido transferido para Mossoró em junho por ordem do Supremo Tribunal Federal. Antes da transferência para o presídio de segurança máxima do Nordeste, o deputado estadual esteve detido em Bangu 8, unidade localizada no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste carioca. A defesa do político afirmou que a remoção de volta ao Rio de Janeiro deve ocorrer nos próximos dias.

Denúncia de condições prisionais em Mossoró

A transferência ocorre após a esposa de Bacellar, Manoella Duarte, publicar relatos nas redes sociais denunciando o tratamento dado ao marido no presídio de Mossoró. Ela afirmou ter visto o deputado com marcas de algema pelo corpo e com o dedo do pé inflamado sem a assistência médica necessária.

Manoella também relatou que Bacellar tomava banho com um caneco, espalhava sabonete pelo corpo para espantar mosquitos e não tinha banho de sol regular porque os horários do pátio eram divididos entre presos de facções criminosas e de milícias. A Secretaria Nacional de Políticas Penais afirmou em nota que todos os presos do sistema federal contam com a assistência prevista em lei e recebem atendimento dentro dos protocolos operacionais das unidades.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A Operação Unha e Carne apura o vazamento de ações policiais sigilosas e a obstrução de apurações sobre o crime organizado no Rio de Janeiro. O desembargador Macário Ramos Júdice Neto atuava como relator de processos relativos ao ex-deputado TH Joias no TRF-2 quando o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal. Com a manutenção da prisão preventiva de Bacellar e as cautelares contra Macário, a ação penal segue aberta na 1ª Turma da corte.