Fuvest aplica primeira fase do vestibular para 106 mil candidatos com prova menor e estreia no Ceará
Exame deste domingo tem 80 questões e oferta 8.147 vagas na USP; aplicação em Fortaleza foi alvo de questionamento na Assembleia paulista
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Estadão, Folha de S.Paulo, G1, Guia do Estudante). Novos desdobramentos a qualquer momento.
São Paulo — A Fundação Universitária para o Vestibular aplica neste domingo (1º) a prova da primeira fase da Fuvest 2027 para 106.165 candidatos, segundo dados divulgados pela organização do exame. Ao todo, 93.828 inscritos disputam 8.147 vagas na Universidade de São Paulo (USP), enquanto 12.337 participam como treineiros por não terem concluído o ensino médio.
Os portões abriram às 12h e fecharam às 13h, horário em que começou a resolução do teste. Os estudantes contam com cinco horas de duração máxima e só podem deixar as salas a partir das 16h. A aplicação ocorre em 88 locais de 30 cidades do estado de São Paulo e, pela primeira vez fora do território paulista, em Fortaleza, capital do Ceará.
A prova deste ano traz um formato diferente das edições anteriores. O número total de questões de múltipla escolha caiu de 90 para 80 perguntas, cada uma com cinco alternativas. Segundo a Fuvest, a diminuição do volume do teste visa dar mais tempo de leitura e reflexão aos candidatos, diante do aumento de questões interdisciplinares que exigem articular matérias variadas do núcleo comum obrigatório.
O conteúdo geral reúne tópicos de arte, biologia, educação física, filosofia, física, geografia, história, inglês, matemática, português, química e sociologia. Medicina segue no topo das carreiras mais disputadas, embora a relação candidato por vaga tenha recuado de 90,7 no ano passado para 76,3 nesta edição. Na sequência aparecem psicologia em São Paulo (50,9 concorrentes por vaga), psicologia em Ribeirão Preto (37,5) e relações internacionais (34,8).
Estreia no Nordeste e debate sobre custos
A aplicação em Fortaleza reuniu 1.640 inscritos de 23 estados e do Distrito Federal. A capital cearense virou alternativa para vestibulandos que buscavam evitar viagens aéreas ou rodoviárias caras até São Paulo para realizar a prova.
Marco Antônio Coutinho Feitosa, 18, viajou 598 quilômetros de carro com o pai a partir de Teresina, no Piauí, até a capital cearense. O trajeto levou cerca de oito horas na véspera do exame. Ele tenta engenharia da computação no campus de São Carlos. Segundo a Folha de S.Paulo, o gasto com combustível será o principal custo do deslocamento dos dois para a realização do teste.
Beatriz Lima, 17, estuda em escola pública em tempo integral e trabalha como jovem aprendiz no Ceará. Ela busca vaga no curso de farmácia e afirmou que a presença da prova no estado viabilizou sua inscrição. "Se a Fuvest não fosse aplicada aqui, sinceramente, eu não tentaria, porque os custos com transporte e hospedagem tornariam tudo muito mais difícil", disse à Folha.
A descentralização das provas para o Ceará provocou divergência política no parlamento paulista. Em agosto, o deputado estadual Leonardo Siqueira (Novo) acionou a Assembleia Legislativa de São Paulo com pedido formal de esclarecimentos sobre os gastos da operação e os critérios técnicos da escolha. A decisão também recebeu críticas nas redes sociais.
O diretor-executivo da Fuvest, Gustavo Monaco, afirmou que a instituição escolheu Fortaleza pela localização geográfica estratégica, facilitando o deslocamento de concorrentes do Norte e do Nordeste. Monaco disse ainda que a fundação pesou o histórico de desempenho dos alunos cearenses e o contingente local de inscritos na universidade.
Regras de sala e calendário da seleção
Nos locais de exame, os vestibulandos tiveram entrada permitida apenas com documento oficial de identificação com foto e caneta esferográfica de corpo transparente nas cores azul ou preta. A fundação liberou materiais complementares como lápis, lapiseira, borracha, apontador e régua transparente, além de água em garrafa sem rótulo e lanches leves.
Ficaram vetados aparelhos celulares, relógios de qualquer modelo, calculadoras, fones de ouvido, corretivos líquidos e canetas de tubo opaco. A organização também proibiu o uso de bonés, gorros, chapéus e óculos escuros durante a execução da prova.
No interior paulista, a região do Vale do Paraíba contabilizou 4.662 candidatos distribuídos por três municípios: São José dos Campos (2.979 inscritos na Unip), Lorena (963 no Centro Universitário Salesiano) e Taubaté (720 na Faculdade Anhanguera).
A Fuvest programou a divulgação dos cadernos de questões e do gabarito oficial para as 19h deste domingo. A lista de aprovados para a etapa seguinte será divulgada em 23 de novembro. A segunda fase ocorre nos dias 6 e 7 de dezembro, com dez questões discursivas de português e redação no primeiro dia, seguidas por 12 perguntas dissertativas específicas da carreira no segundo. A primeira chamada para matrícula está marcada para 26 de janeiro de 2027.
Criada na década de 1970 para unificar a seleção da principal universidade pública de São Paulo, a Fuvest completa 50 anos em 2026 mantendo histórico de restrição territorial que concentrava os exames no estado paulista. A abertura de postos fora de São Paulo responde à pressão logística sobre estudantes de baixa renda de outras regiões, mas reacendeu disputas orçamentárias na Assembleia paulista sobre a aplicação de verbas estaduais na expansão de bancas interestaduais.