PF inaugura laboratório para rastrear origem do ouro de garimpo ilegal na Amazônia

Estrutura financiada com R$ 318,5 milhões do Fundo Amazônia vai comparar amostras apreendidas com registros de jazidas brasileiras, segundo a Agência Brasil.

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Aloizio Mercadante participa de reunião oficial no Palácio do Itamaraty em Brasília (imagem de arquivo).
Foto: Vice-Presidência da República / CC BY 2.0 via Wikimedia Commons

A Polícia Federal inaugurou um laboratório para identificar a origem do ouro extraído ilegalmente na Amazônia. A estrutura faz parte do Programa Ouro Alvo, segundo a Agência Brasil.

O programa tem R$ 318,5 milhões do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) coordena a iniciativa, que pretende ampliar ações de inteligência, fiscalização e repressão ao crime organizado na região.

O laboratório fica no centro de referência em perícia criminal vinculado ao Instituto Nacional de Criminalística (INC) da PF, em Brasília. Ali serão analisadas e armazenadas as amostras.

A principal função do projeto é registrar as características de jazidas brasileiras. Com esses registros, o programa busca criar referências científicas capazes de determinar a procedência do minério. Uma amostra de ouro apreendida poderá ser comparada com esses dados, e o resultado servirá de evidência para investigações e operações de fiscalização.

Os recursos também pagam equipamentos para análises minerais e de mercúrio, além de máquinas, materiais e estruturas para preparar, caracterizar e guardar as amostras. A iniciativa também busca inibir novos crimes ligados à mineração irregular e ao desmatamento associado à atividade.

O plano tem quatro eixos de atuação. Além da PF, participam a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e os governos dos nove estados da Amazônia Legal.

Segundo o diretor da Amazônia e Meio Ambiente da PF, Humberto Freire de Barros, o laboratório representa "um avanço fundamental no combate ao garimpo ilegal". Ele afirmou que a estrutura vai permitir "rastrear a origem do ouro, produzir provas científicas e combater os crimes ambientais".

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que a identificação do "DNA do ouro" fortalece a rastreabilidade do mineral e dificulta a ação de organizações criminosas. Ele afirmou ainda que o combate ao garimpo ilegal é uma prioridade do governo do presidente Lula.

O secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, Adalberto Maluf, afirmou que é preciso "ir além das operações pontuais". Segundo ele, a meta é "alcançar o poder econômico que financia essas atividades criminosas". Na fala de Maluf, a proteção também atinge a saúde e a vida de populações indígenas e ribeirinhas.

Fontes: Agência Brasil — “PF inaugura laboratório para combater garimpo ilegal na Amazônia”.