Ambientalistas avaliam positivamente os dois mapas do caminho da COP30
Documentos propostos pela presidência brasileira tratam do afastamento dos combustíveis fósseis e do fim da destruição florestal, segundo a Agência Brasil.
Segundo a Agência Brasil, representantes do setor ambiental repercutiram positivamente os dois mapas do caminho propostos pela presidência brasileira da COP30. Os documentos tratam do afastamento dos combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, e do combate à destruição das florestas.
Mapas do caminho são roteiros com etapas para colocar em prática o que os países já negociaram. COP é a sigla de Conferência das Partes, a reunião anual da ONU sobre mudanças climáticas. Segundo a Agência Brasil, as ferramentas poderão ser usadas por governos, empresas e organizações sociais.
Claudio Providas, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no Brasil, avaliou que a presidência brasileira da COP30 demonstrou liderança e que o Brasil faz uma contribuição importantíssima. "A presidência brasileira da COP30 demonstrou liderança. Com esses dois mapas do caminho, o Brasil faz uma contribuição importantíssima no multilateralismo", ressaltou.
Providas afirmou que a proposta não reabre acordos antigos. "Em vez de reabrir negociações sobre compromissos já assumidos, propõe caminhos para transformar consensos existentes em ação", disse. Multilateralismo é o processo em que vários países negociam juntos soluções para problemas comuns.
Matriz limpa e lição de casa
Ricardo Fujii, especialista em transição energética da WWF-Brasil, destacou que o país pode servir de exemplo no afastamento dos combustíveis fósseis. Ele também vê o mapa como estratégia de desenvolvimento. Matriz é o conjunto de fontes que gera a energia de um país.
Fujii citou a diversidade de fontes do Brasil, como hidrelétrica, eólica, solar, biomassa e biocombustíveis. "Ampliar o uso dessas fontes é uma escolha competitiva, que gera emprego, renda e desenvolvimento em diferentes regiões do país", avalia.
Stela Herschmann, líder em política internacional do Observatório do Clima, disse que o mapa para longe dos combustíveis fósseis responde à urgência e à complexidade da transição. Para ela, o documento aponta caminhos possíveis para essa mudança.
"Acabaram as desculpas. Cada país pode e deve fazer seu diagnóstico para se situar nesse mapa e começar a lição de casa já", defendeu Herschmann.
Carolina Pasquali considerou que o Brasil pode contribuir para criar um senso de urgência capaz de gerar ação coletiva global para acabar com a destruição florestal. Ela ressaltou que a etapa seguinte é a mais difícil. "A parte mais desafiadora começa agora, [que é] garantir um processo de seguimento para o mapa do caminho que seja capaz de elevar a centralidade política dessa agenda", destacou.
Pasquali defendeu participação direta e real da sociedade civil, em especial dos Povos Indígenas e das comunidades tradicionais, na implementação.
Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima e deputada federal, afirmou que os mapas vão além da negociação entre países. Segundo ela, o Brasil assumiu a iniciativa no mesmo país onde nasceram as conferências do clima, da biodiversidade e da desertificação.
Marina lembrou a Eco 92, a conferência da ONU sobre meio ambiente realizada em 1992. "Não consigo imaginar como estaria o mundo sem a Eco 92, sem as convenções, sem os esforços que foram feitos", disse.
Segundo ela, em 1992 as projeções apontavam aquecimento de até 4 °C acima da temperatura pré-industrial, ou seja, da época anterior à industrialização. Os esforços feitos depois levaram a perspectiva para 2 °C até o fim do século.
O número ainda não chega a 1,5 °C, limite que, segundo a ciência, garantiria menos impactos globais. Mesmo assim, Marina afirma que a trajetória das ações multilaterais mostra ser possível reverter um cenário de catástrofes.
No caso do Brasil, Marina apontou a redução do desmatamento como a principal contribuição. "A redução do desmatamento mexeu o ponteiro global para uma redução de 15% no desmatamento no mundo", afirmou.
Fontes: Agência Brasil — “Mapas do caminho repercutem positivamente entre ambientalistas”.