Presidência da COP30 lança mapas para afastar fósseis e acabar com desmatamento
Ferramentas orientam países a fazer diagnóstico, definir etapas e executar ações, segundo a Agência Brasil
A Presidência da COP30 lançou dois mapas que orientam os países a reduzir o uso de combustíveis fósseis e a zerar o desmatamento, segundo a Agência Brasil. As duas ferramentas têm estruturas parecidas e servem para que cada nação faça seu próprio diagnóstico. Depois, o país identifica em que etapa está e define ações para avançar.
De acordo com o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, os mapas não fazem mais parte da negociação. Eles são, segundo ele, contribuições para ajudar os países a colocar em prática o que já foi acordado.
"Nossa intenção é ajudar os países a terem políticas, tanto na direção de zerar o desmatamento quanto na direção do afastamento dos [combustíveis] fósseis. Políticas baseadas nas informações, na ciência e nos dados que já estão disponíveis hoje", afirmou Corrêa do Lago.
No caso dos combustíveis fósseis, o Mapa do Caminho para Longe dos Combustíveis Fósseis começa por uma avaliação nacional chamada Preparação de Belém. Os países devem medir como está a oferta e a demanda de energia em seu território e como isso se liga à economia interna.
A análise deve mostrar, por exemplo, o nível de dependência fiscal do mercado energético. O diagnóstico também precisa incluir os investimentos mais recentes, a expectativa de retorno dos investidores e os sinais de preço que os produtores passam aos consumidores.
"A transição é inevitável, então, comece a planejar agora e o mais breve possível. Porque isso vai ser bom para o seu país, para a sua sociedade, para a sua economia", disse Corrêa do Lago.
Na prática, o mapa propõe que os países descarbonizem a geração de energia e, ao mesmo tempo, ampliem sua economia. A proposta também prevê proteção a trabalhadores e a comunidades locais. O caminho pode variar conforme a realidade de cada país, mas o objetivo global é o mesmo.
As contribuições nacionais, que os integrantes da COP chamam de arquétipos, são o ponto de partida para formar um grande esforço coletivo por resultados globais. Os arquétipos servem para mostrar que os países partem de lugares muito diferentes.
"A gente criou arquétipos de países para mostrar que os países começam essa transição de lugares muito diferentes. Onde está o Brasil é muito diferente de onde está a União Europeia, a Noruega, os Estados Unidos ou o Canadá", explicou Ana Toni.
O Mapa do Caminho para o Fim do Desmatamento e da Degradação Florestal tem alcance global. Ele cobre florestas tropicais, subtropicais, temperadas e boreais, além de ecossistemas ligados às florestas, como turfeiras e manguezais.
O mapa também trata da degradação, que é uma perda de qualidade da floresta sem que ela seja derrubada por completo. Segundo a Agência Brasil, a degradação afeta a capacidade de armazenar carbono, de regular o regime de chuvas e de sustentar a biodiversidade. Ela ocorre de forma mais silenciosa que o desmatamento.
A trilha para acabar com o desmatamento segue a mesma lógica do mapa dos fósseis, do diagnóstico até a soma dos resultados globais. Nesse caso, foram observadas seis dimensões, entre elas a conservação.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que muitas das alavancas sugeridas no mapa são inspiradas em políticas que o Brasil já adotou. Segundo ele, essas políticas tiveram resultados expressivos, como a redução do desmatamento no país.
"Os Mapas do Caminho fazem exatamente isso, criam uma plataforma e um processo, que mostram no horizonte o que é possível a partir de experiências das mais diversas formas e vindas de diferentes povos. Colocam isso em perspectiva, que permite avançar em pequenos aspectos que vão se somando, criando uma sinergia e avançando em soluções globais", disse Capobianco.
Fontes: Agência Brasil — “Presidência da COP30 lança mapas de transição energética e florestal”.