Líder supremo do Irã ordena resposta militar sem limites territoriais a eventuais ataques

Aiatolá Mojtaba Khamenei reuniu cúpula das Forças Armadas e mandou atualizar lista de alvos contra ativos dos Estados Unidos e de Israel

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O líder supremo do Irã, Aiatolá Mojtaba Khamenei (imagem de arquivo).
Foto: khamenei.ir / CC BY 4.0 via Wikimedia Commons
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (G1, Jovem Pan, Poder360, UOL Notícias, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, determinou que qualquer investida contra o país receba uma retaliação imediata e sem restrições geográficas. A ordem foi dada neste sábado (31) durante reunião com os principais comandantes das Forças Armadas da República Islâmica, segundo comunicados divulgados no site oficial do líder e em seu canal no Telegram.

Khamenei afirmou que cabe aos militares e à população iraniana definir os rumos do conflito caso ocorram novos episódios hostis. "Se os inimigos voltarem a lançar ataques militares ou terroristas, serão as Forças Armadas da República Islâmica e a nação iraniana que determinarão o momento e as condições para lhes pôr fim", declarou o aiatolá na nota oficial.

A determinação estabelece que a resposta a qualquer grau de ameaça deve ocorrer com alto impacto e atingir estruturas fora das fronteiras iranianas. O líder religioso e chefe de Estado ordenou aos oficiais a revisão e a atualização completa do banco de dados de alvos militares das tropas, assegurando que todos os ativos físicos e não físicos dos Estados Unidos e de Israel permaneçam ao alcance do poderio bélico iraniano.

O aiatolá cobrou dos chefes militares o fortalecimento da inteligência, o aperfeiçoamento da defesa autóctone em tática e doutrina e a aplicação de tecnologias emergentes. Durante a reunião, Khamenei citou a importância de manter fundamentos espirituais e o espírito de defesa. Ele classificou a cooperação das frentes regionais aliadas como fator decisivo na consolidação de um novo arranjo político na Ásia Ocidental.

No mesmo encontro, os três principais comandantes militares do país apresentaram relatórios sobre o dispositivo de segurança. O chefe do Estado-Maior Conjunto, major-general Abdollahi, o comandante do Exército, major-general Hatami, e o chefe da Guarda Revolucionária, major-general Vahidi, informaram prontidão total nas áreas de fronteira e na faixa marítima, que abrange a costa do Golfo Pérsico, o Mar de Omã e o Estreito de Ormuz. Os generais confirmaram ainda a aceleração na produção interna de armamentos e munições.

Disputa regional e movimentações diplomáticas

O Exército do Irã emitiu um aviso paralelo neste sábado sustentando que novas ofensivas dos Estados Unidos e de Israel apenas servirão para alastrar os combates no Oriente Médio. As advertências ocorrem no momento em que governos da região tentam costurar entendimentos para frear uma nova escalada armada.

Negociadores do Catar desembarcaram em Teerã para conduzir conversas de mediação. Ao mesmo tempo, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, encaminhou uma carta ao chefe do setor de segurança iraniano, Mohsen Rezaei, de acordo com informações veiculadas pela imprensa.

A tensão marítima também registrou desdobramentos locais neste sábado. A televisão estatal do Irã noticiou o resgate de dois pescadores que estavam desaparecidos após um ataque contra a embarcação em que navegavam no Estreito de Ormuz. O governo iraniano atribuiu a autoria dessa agressão no canal marítimo a forças norte-americanas.

A escalada verbal sucede medidas prévias do governo norte-americano contra Teerã. Em 8 de outubro, o presidente Donald Trump afirmou que não planejava ações bélicas antes das eleições legislativas de meio de mandato marcadas para terça-feira (3). Naquela mesma data, o Departamento de Estado norte-americano impôs um pacote de sanções a embarcações e operadores financeiros voltados à venda de petróleo iraniano, por meio de uma operação batizada de Economic Outcast, voltada a asfixiar as receitas do país persa.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A tensão entre Teerã e Washington atinge novo pico após a ofensiva econômica desencadeada pelo governo Donald Trump, que aplicou duras sanções à frota comercial de petróleo do país do Golfo em outubro. Ao mesmo tempo em que a Casa Branca condiciona ações militares ao calendário das urnas norte-americanas, a cúpula de segurança de Teerã reposiciona suas forças regulares e a Guarda Revolucionária no Estreito de Ormuz, ponto crucial para o fluxo do comércio energético internacional.