Mauro Vieira e Marco Rubio conversam nos EUA e combinam reunião antes da cúpula do G20

Chanceler brasileiro e secretário de Estado norte-americano falaram durante recepção diplomática em Atlanta em meio a tensões entre Brasília e Washington

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O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, durante assinatura de acordo oficial (imagem de arquivo).
Foto: U.S. Department of Homeland Security (DHS) / Public domain via Wikimedia Commons
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Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CartaCapital, Folha de S.Paulo, G1, GZH, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.

Atlanta — O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, conversaram brevemente nos Estados Unidos e combinaram um novo encontro antes da cúpula de líderes do G20, marcada para dezembro na Flórida. A interação ocorreu durante a recepção de boas-vindas da Reunião de Ministros das Relações Exteriores do bloco, em Atlanta, no estado da Geórgia.

A data e o local da reunião preparatória entre os dois chefes de diplomacia ainda serão definidos. Fontes do Itamaraty ouvidas pela GloboNews apontaram que o objetivo é repassar a agenda bilateral entre os dois países. Durante a rápida interação no coquetel das delegações, nenhum tema específico entrou em debate detalhado.

O diálogo ocorre em um ambiente de forte atrito diplomático entre os dois governos. A Casa Branca ainda não reconheceu oficialmente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais brasileiras, enquanto o presidente norte-americano Donald Trump voltou a insinuar fraudes nas urnas do país sem apresentar provas. A estratégia traçada pelo Itamaraty para o evento é evitar que o desgaste político interrompa os canais de contato institucional.

Ao mesmo tempo em que esteve com o secretário norte-americano, o chanceler brasileiro recebeu felicitações diretas pela vitória eleitoral de Lula. Representantes diplomáticos de ao menos dez delegações cumprimentaram Mauro Vieira durante os encontros do G20: China, Alemanha, França, Reino Unido, União Europeia, Canadá, México, Índia, Turquia e Polônia. Um dos diplomatas afirmou estar "radiante", enquanto outro declarou que torcia pelo resultado e classificou a virada como "espetacular".

Atritos bilaterais e a fuga de Flávio Bolsonaro

Marco Rubio manteve postura profissional no evento, mas personifica uma linha dura em relação ao Palácio do Planalto. O secretário de Estado assumiu protagonismo na pressão sobre o governo brasileiro na questão das tarifas comerciais recentes e mantém alinhamento público com a família Bolsonaro. O deputado cassado Eduardo Bolsonaro vive autoexilado nos Estados Unidos desde março de 2025.

Retrato oficial do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio (imagem de arquivo).
Retrato oficial do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio (imagem de arquivo). (Foto: U.S. Department of State / Public domain via Wikimedia Commons)

O cenário ficou mais tenso com a ida do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos em meio a investigações em curso no Brasil. Uma apuração do jornal The New York Times apontou que a saída ocorreu com autorização direta de Donald Trump, por meio de uma permissão de acolhida humanitária conhecida como humanitarian parole. Jason Miller, conselheiro e estrategista do republicano, providenciou o jatinho particular usado pelo senador e pela família a partir da Argentina rumo a Miami.

O episódio abriu uma crise paralela com Buenos Aires. O governo brasileiro convocou nesta semana a encarregada de Negócios da Embaixada da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, para cobrar explicações sobre a passagem do parlamentar pelo território vizinho. O Itamaraty aguarda resposta formal da Casa Rosada comandada por Javier Milei, em um momento no qual os embaixadores de ambos os países já haviam sido recolhidos desde agosto.

A diplomacia brasileira estabeleceu que não haverá encontros formais fechados com o chanceler argentino, Pablo Quirno, nem estava prevista uma reunião bilateral oficial com Rubio antes do breve contato informal no coquetel. A última reunião pública oficial entre Mauro Vieira e Marco Rubio havia ocorrido em março deste ano, à margem da cúpula de chanceleres do G7, em Vaux-de-Cernay, na França.

Disputas multilaterais na agenda de Atlanta

A programação oficial de Mauro Vieira em Atlanta inclui três sessões de trabalho dedicadas a questões geopolíticas, energia e cadeias globais de suprimento. O chanceler brasileiro também realiza reuniões bilaterais com outros ministros estrangeiros presentes. O encontro antecede a Cúpula de Líderes do G20, prevista para 14 e 15 de dezembro em um resort de golfe de Trump em Miami, onde Lula deve comparecer.

A reunião ocorre a poucos dias das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, pleito que define a composição do Congresso norte-americano e serve como termômetro da força política do governo de turno. Diplomatas avaliam que o fórum enfrenta dificuldades para alcançar consensos substantivos devido à guerra na Ucrânia e às consequências do conflito militar envolvendo o Irã.

O chanceler russo, Sergei Lavrov, que segue alvo de sanções ocidentais desde a invasão da Ucrânia em 2022, também desembarcou nos Estados Unidos para os encontros do bloco. Rubio tem previsão de conversar com Lavrov antes das negociações multilaterais marcadas para novembro entre Moscou, Kiev e Washington. Donald Trump flexibilizou recentemente sanções econômicas contra Moscou e fechou a compra de mais de 2 milhões de barris de diesel russo, com a intenção declarada de conter os preços dos combustíveis no mercado interno norte-americano antes da votação.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A gestão dos Estados Unidos à frente do G20 marca uma mudança de rumo em relação à presidência brasileira do bloco em 2024, quando o governo Lula priorizou a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Washington busca redirecionar o grupo exclusivamente para o crescimento econômico e acordos bilaterais, enquanto aprofunda tensões com Brasília por meio de sobretaxas comerciais, apoio público ao clã Bolsonaro e a contestação retórica do resultado eleitoral brasileiro.