Lula fará pronunciamento em rede nacional para acalmar o mercado e falar sobre a dívida pública

Presidente deve reafirmar compromisso com a responsabilidade fiscal sem anunciar medidas de ajuste, segundo Estadão e Valor Econômico

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a 3ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (imagem de arquivo).
Foto: Lula Oficial / CC BY-SA 2.0 via Wikimedia Commons

🚨 PLANTÃO GAZETA — notícia em desenvolvimento, escrita a partir do que 2 veículos publicaram. As fontes estão no fim do texto; esta página pode ser atualizada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão neste domingo (8), para tentar acalmar o mercado financeiro, segundo o Estadão. A fala será a primeira formal de Lula aos brasileiros depois da reeleição, no dia 25 de outubro. O mercado enfrentou uma forte sangria no primeiro pregão da Bolsa de Valores após a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).

De acordo com o Estadão, o presidente vai dizer que seguirá perseguindo as metas fiscais e que não deixará de cumprir promessas de campanha. A meta fiscal é o resultado que o governo se compromete a alcançar nas contas públicas. Lula deve afirmar que terá responsabilidade fiscal ao longo de todo o quarto mandato.

Segundo fontes do governo ouvidas pelo Valor Econômico, Lula não deve detalhar medidas de ajuste fiscal. O jornal também informou que ele não deve antecipar o nome do ministro da Fazenda que comandará a pasta no próximo mandato, segundo o Estadão. O presidente deve manifestar preocupação com a dívida pública e com os juros altos.

O cenário é de instabilidade. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central interrompeu o ciclo de queda da Selic, a taxa básica de juros, que pesa no custo do crédito e dos financiamentos. Lula deve defender condições para reduzir os juros, porque quer ampliar investimentos públicos e privados, informou o Valor.

Promessas que pesam no Orçamento

Durante a campanha, Lula prometeu um pacote de medidas que supera R$ 400 bilhões, segundo o Estadão. Entre as promessas estão a criação do Pé-de-Meia para universitários, a universalização do Pé-de-Meia para todos os alunos do ensino médio e a construção de mais de 100 presídios de segurança máxima. Há ainda reajustes do Bolsa Família e do salário mínimo.

Ainda de acordo com o Estadão, essas medidas vão exigir ajustes de ao menos R$ 39,8 bilhões no Orçamento de 2027. Na prática, o governo terá de encaixar esses gastos em um orçamento que já precisa de controle para conter a alta das despesas, segundo o Valor.

Na campanha, Lula também disse que fazer superávit primário era "babaquice", conforme o Estadão. O superávit primário ocorre quando o governo arrecada mais do que gasta, sem contar os juros da dívida. O Estadão afirma que o presidente não deu indicações claras sobre como pretende fazer o ajuste.

Segundo fontes ouvidas pelo Estadão, está descartada qualquer menção à proposta do economista André Lara Resende. Ela prevê uma espécie de tabelamento dos juros, que cairia para 7,5% em 12 meses.

No pronunciamento, Lula deve agradecer aos mais de 64 milhões de votos, segundo o Valor. Ele também deve reafirmar a promessa de manter e ampliar as políticas sociais e dizer que não cometerá "estelionato eleitoral", ou seja, prometer uma coisa na campanha e fazer outra depois. O Estadão informa que ele vai agradecer a mulheres, estudantes e idosos pela virada sobre Flávio Bolsonaro.

Lula anunciou o pronunciamento na semana passada, após um almoço com o deputado reeleito André Janones (Rede-MG), informou o Estadão. O texto é construído sob coordenação do ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira. Os trechos sobre economia foram discutidos com os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento, Bruno Moretti, além do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Segundo o Valor, o conteúdo ainda pode ser alterado até a gravação.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A Selic é a taxa básica de juros da economia e serve de referência para o custo do crédito, dos financiamentos e das parcelas no comércio. Quando o Copom interrompe a queda da Selic, o dinheiro emprestado tende a continuar caro para famílias e empresas. Já a meta fiscal e o superávit primário são os indicadores que mostram se o governo arrecada mais do que gasta, sem contar os juros da dívida pública.

Fontes: Estadão — “Lula fará pronunciamento para tentar acalmar o mercado e demonstrar preocupação com a dívida pública”; Valor Econômico — “Sem detalhar medidas, Lula vai se comprometer com responsabilidade fiscal em pronunciamento”.

Também noticiaram: CNN Brasil, JOTA Info, UOL Notícias.