Governo Tarcísio adia entrega de duas estações da Linha 6-Laranja prometidas para outubro
Linha Uni ainda não definiu nova data; governo espera abertura em 2026, e a chegada a São Joaquim segue prevista para 2027
🚨 PLANTÃO GAZETA — notícia em desenvolvimento, escrita a partir de reportagens do G1, do Metrô CPTM e do Brasil de Fato. As fontes estão no fim do texto; esta página pode ser atualizada.
O governo de São Paulo adiou a entrega das duas novas estações da Linha 6-Laranja do metrô, que estavam prometidas para outubro deste ano. Segundo o G1, a nova data ainda não foi definida pela Linha Uni, concessionária responsável pela obra. A expectativa do governo é que as estações fiquem prontas ainda em 2026.
Em nota, a Artesp afirmou que "eventuais alterações de cronogramas são permitidas sob análise da ARTESP e do Poder Concedente, observados os procedimentos e requisitos regulatórios aplicáveis". A Linha Uni disse que "não há nada a acrescentar além do que foi informado pela Artesp".
A mudança de prazo já havia sido revelada pelo Metrô CPTM em 23 de outubro. Na ocasião, a Linha Uni e a Artesp descartaram a abertura das duas estações naquele mês e passaram a indicar apenas o final do ano. Em resposta ao Estadão, a Artesp confirmou a previsão de operação até o fim do ano.
O contrato previa que o trecho entre Brasilândia e Perdizes começasse a operar em outubro de 2026. Parte dele foi antecipada para julho, quando seis estações abriram em operação assistida. Brasilândia e Itaberaba, porém, continuaram em obras, com 96,3% e 87,7% de execução, respectivamente, segundo dados da Artesp informados ao Estadão e divulgados pelo Metrô CPTM. Para o Metrô CPTM, o adiamento das duas paradas é "relativamente pequeno" diante da incerteza na segunda fase da linha, pois o cronograma elaborado pela Linha Uni para levar os trens a São Joaquim está "profundamente defasado" e o atraso já ultrapassa em mais de um ano a premissa do plano.
Estação 14 Bis é o principal entrave
Segundo o Metrô CPTM, o principal problema está na estação 14 Bis-Saracura, afetada por descobertas arqueológicas no terreno. No início de 2025, a Linha Uni apresentou um cronograma a entidades do Bixiga para preservar a chegada a São Joaquim em outubro de 2027. O plano previa que 14 Bis ficaria pronta depois das demais, mas exigia o terreno liberado até 28 de fevereiro de 2025. Segundo a mesma fonte, o plano já previa manter a estação fechada enquanto os trens passassem pelo local, e a chegada a São Joaquim "não depende necessariamente" da conclusão de 14 Bis.
Esse prazo passou sem que a área estivesse disponível. Em setembro de 2025, a concessionária informou que cerca de 75% do terreno ainda não havia sido investigado arqueologicamente e não projetou a conclusão da estação. Pelo planejamento anterior, a escavação já deveria estar no terceiro dos cinco níveis previstos.
Em fevereiro de 2026, 14 Bis tinha apenas 15,33% de execução. André de Angelo, CEO da Acciona no Brasil, reconheceu que entregar a estação em 2027 seria um "desafio muito grande". Em junho, o presidente da Artesp, André Isper, admitiu ao Metrô CPTM que 14 Bis poderia não abrir junto com o restante da linha.
Em agosto deste ano, novos achados arqueológicos levaram à paralisação integral do canteiro. Em setembro, o Iphan decidiu que as obras podiam prosseguir nas áreas não afetadas, mas a chamada Área 6 continuou isolada para escavação e resgate arqueológico manual. A Linha Uni disse que precisaria avaliar as determinações do órgão para reprogramar as atividades. A estação está com avanço físico próximo de 15%.
Governo e concessionária seguem indicando 2027 para a chegada dos trens a São Joaquim. O problema é que, para alcançar Bela Vista e São Joaquim, as composições precisam atravessar 14 Bis, o que depende de a estrutura e a infraestrutura ferroviária atingirem um estágio que permita a circulação. Até agora, não foi apresentado publicamente um novo cronograma para essa passagem. Segundo o Metrô CPTM, o próprio cronograma da Linha Uni alertava que novos atrasos poderiam comprometer a conclusão da Linha 6 e impedir a operação na data programada, em outubro de 2027.
Críticas de sindicatos e especialistas
Segundo o Brasil de Fato, as duas paradas foram prometidas pelo governador para outubro durante a inauguração do primeiro trecho, em 2 de julho. A data ocorreu no limite do prazo da legislação eleitoral para candidatos à reeleição participarem de entregas de obras públicas. A reportagem informa que a Artesp e a Linha Uni não definiram nova data para a abertura.
O diretor sindical Junior Luiz Barbosa Neto, do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, criticou a decisão. Ele afirmou que "ao invés de esperar a conclusão de um trecho funcional para a população, optou-se por abrir algumas estações justamente para usar isso na eleição". Para ele, o prazo de outubro já era "artificial", e os custos dos sucessivos aditamentos recaem sobre a população.
O secretário-geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Bernardo Figueiredo de Lima, afirmou que "o governo Tarcísio, assim como o governo anterior, tem o costume de anunciar expansões na linha metroviária nos anos eleitorais, e a maioria delas não se confirma". Segundo ele, a falta de transparência técnica marca o caso; o sindicato ressalta que não foram divulgados os motivos operacionais do adiamento.
Para o especialista em mobilidade urbana Rafael Calabria, a inauguração de julho não significou a entrega completa da linha. "Na prática, a linha não está inaugurada ainda. Ela está em uma operação controlada que eles chamam operação assistida", disse ele, na ocasião da abertura parcial.
Fontes: G1 — “Gestão Tarcísio adia entrega de novo trecho da Linha 6-Laranja, prometido para o mês de outubro”; Metrô CPTM — “Governo Tarcísio admite atraso na Linha 6 e diz que contrato permite mudar cronograma”; Brasil de Fato — “Após inauguração incompleta às vésperas das eleições, Tarcísio adia entrega de novo trecho da Linha 6-Laranja em SP”.