Eleitores dos EUA aprovam limites a atletas trans e rejeitam propostas sobre aborto em Idaho e Missouri

Na Califórnia, o imposto de 5% sobre bilionários caminha para derrota, com apuração ainda em curso.

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Fachada do edifício da Suprema Corte dos Estados Unidos (imagem de arquivo).
Foto: Bravodelnorte / CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

🚨 PLANTÃO GAZETA — notícia em desenvolvimento, escrita a partir do que 3 veículos publicaram. As fontes estão no fim do texto; esta página pode ser atualizada.

Eleitores de vários estados dos Estados Unidos aprovaram, na eleição de meio de mandato, medidas que restringem a participação de meninas e mulheres trans em equipes esportivas femininas. Na mesma votação, rejeitaram propostas que ampliariam ou restabeleceriam proibições ao aborto em Idaho e no Missouri. As consultas, chamadas de "ballot measures", permitem que a população vote diretamente sobre leis e Constituições estaduais.

No Arizona, Colorado, Nebraska e Washington, segundo a Folha de S.Paulo, os eleitores aprovaram proibições à participação de atletas trans em competições femininas em escolas e universidades. Em Washington e no Colorado, porém, o G1 descreve resultados apenas parciais: em Washington, os primeiros resultados também indicavam apoio à proposta, e, no Colorado, a apuração apontava maioria favorável a uma medida semelhante. No Arizona, a regra também vale para escolas particulares e exige que vestiários e banheiros sejam usados conforme a certidão de nascimento. O texto teve 58% dos votos, de acordo com o Decision Desk HQ. Segundo o G1, alguns estados ainda não tinham resultados consolidados e aparecem com "tendência de aprovação" ou "tendência de reprovação", e os percentuais desses casos são provisórios.

No Nebraska, a proibição foi incluída na Constituição estadual, com 68% dos votos segundo o Ballotpedia. Na prática, fica mais difícil para os parlamentares mudarem a regra no futuro. Em Washington, quem quiser jogar em time feminino terá o "sexo biológico" verificado por um profissional de saúde. Críticos dizem que a exigência pode levar a exames desnecessários e invasivos.

Republicanos afirmam que as medidas protegem mulheres cisgênero, que se identificam com o sexo biológico. Opositores acusam o partido de mobilizar sua base às custas dos direitos de uma minoria, segundo a Folha. No Colorado, os primeiros resultados indicavam apoio à proibição de cirurgias de redesignação sexual em crianças e adolescentes. No Missouri, os eleitores rejeitaram incluir na Constituição a proibição de tratamentos de afirmação de gênero para menores, embora o estado já tenha lei semelhante.

Votação dividida sobre o aborto

Em Idaho, a população rejeitou uma iniciativa que garantiria o direito ao aborto até a viabilidade fetal, período em torno da 24ª semana de gestação. O estado proíbe praticamente todos os abortos desde 2022, quando a Suprema Corte dos EUA derrubou a proteção constitucional ao procedimento em todo o país. Os eleitores de Idaho também escolheram a carabina Winchester modelo 1873 como arma oficial do estado.

No Missouri, os eleitores rejeitaram uma proposta do Legislativo, controlado pelos republicanos, que restabeleceria a proibição do aborto. A votação ocorreu dois anos depois de o estado ter aprovado, em 2024, uma medida para derrubar essa restrição. Já na Virgínia e em Nevada, os eleitores codificaram o direito ao aborto nas Constituições estaduais, segundo a Gazeta do Povo.

Com isso, o quadro ficou dividido: alguns estados ampliaram a proteção ao aborto, enquanto outros barraram mudanças nas regras atuais.

Na Califórnia, a Proposição 40 previa uma cobrança única de 5% sobre o patrimônio mundial de cerca de 250 bilionários residentes no estado. Segundo a Folha, a proposta esperava arrecadar US$ 100 bilhões (R$ 550 bilhões), que seriam usados em planos de saúde para famílias de baixa renda, educação e segurança alimentar. A Folha também compara o valor ao orçamento federal brasileiro de 2026 para a saúde, de R$ 250 bilhões.

Os eleitores californianos caminhavam para rejeitar a medida, segundo o G1. O governador Gavin Newsom se opôs ao texto e alertou que empresas de tecnologia poderiam transferir operações para outros estados. A proposta dividiu os democratas, embora tivesse apoio popular entre parte do partido.

Em Montana, os eleitores aprovaram a proibição de gastos de empresas em campanhas eleitorais. A medida busca contornar a decisão da Suprema Corte de 2010, conhecida como Citizens United, que abriu caminho para os super PACs e para o chamado dark money, cujos financiadores não precisam ser divulgados.

Sobre o voto, a identificação do eleitor foi aprovada em Nevada, com 62%, segundo a NBC News, citada pela Gazeta do Povo, e em Ohio, com 66%, segundo a Gazeta do Povo. Na Califórnia, 60% rejeitaram uma lei de identificação, e no Colorado, 64% barraram a exigência para o voto por correio. Segundo o G1, alguns estados ainda não tinham resultados consolidados, e seus números aparecem apenas como "tendência de aprovação" ou "tendência de reprovação".

No Missouri, os eleitores rejeitaram o novo mapa eleitoral desenhado por republicanos, que dividiria um dos dois distritos de tendência democrata. Em Maryland, a população aprovou uma mudança que facilita o redesenho dos distritos pelo Legislativo, abrindo caminho para eliminar, em 2028, o único distrito com tendência republicana do estado. Segundo o G1, o tema deve continuar no centro da disputa até 2028.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

Em 2022, a Suprema Corte dos EUA derrubou a proteção constitucional ao aborto em todo o país, e a regra passou a ser definida pelos estados. Em 2010, no caso Citizens United, a Corte decidiu que empresas e sindicatos podem gastar quantias ilimitadas em campanhas, desde que atuem de forma independente dos candidatos. Segundo o G1, estrategistas políticos atribuíram parte da vitória de Donald Trump em 2024 aos ataques do presidente aos direitos das pessoas trans.

Fontes: Folha de S.Paulo — “Aborto, pessoas trans, armas e bilionários também estavam nas cédulas durante eleição nos EUA”; G1 — “Aborto, atletas trans e taxa para bilionários: veja resultados de referendos polêmicos nos EUA”; Gazeta do Povo — “Apesar da onda democrata, conservadores vencem em referendos estaduais”.

Também noticiaram: CNN Brasil, Folha PE.