Justiça de Hong Kong condena Joshua Wong a mais 10 anos de prisão
Ativista de 30 anos já cumpre pena de quatro anos e oito meses por outro caso de segurança nacional, segundo as reportagens
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O ativista pró-democracia Joshua Wong foi condenado a mais 10 anos de prisão em Hong Kong por conspiração para se aliar a forças estrangeiras e colocar em risco a segurança nacional, segundo o G1 e a CNN Brasil. O crime está previsto na Lei de Segurança Nacional, imposta por Pequim à cidade em 2020. Wong tem 30 anos.
Em setembro, ele se declarou culpado da acusação. Essa confissão normalmente pode reduzir a pena. Segundo a agência Associated Press, citada pelo O Globo, o juiz William Tam considerava inicialmente uma punição de 13 anos.
Na audiência de sentença, o magistrado afirmou que o crime cometido por Wong era de natureza grave. Tam também rejeitou a alegação de que o papel do ativista no caso havia sido limitado.
Wong já cumpre uma pena de quatro anos e oito meses de prisão pelo maior caso de segurança nacional da cidade. Esse processo está relacionado a uma eleição primária não oficial, e ele também se declarou culpado naquele julgamento. Antes da nova condenação, a expectativa era que ele fosse libertado em janeiro de 2027.
Acusação de lobby por sanções
Os promotores acusam Wong de conspirar para fazer lobby junto aos Estados Unidos e a outros países, pedindo sanções contra a China e Hong Kong. Segundo a acusação, a articulação teria ocorrido antes mesmo da aprovação da lei de 2020, por meio de campanhas nas redes sociais e de reuniões com políticos americanos.
Entre os citados estão a ex-presidente da Câmara dos Representantes Nancy Pelosi e o então senador Marco Rubio, atual secretário de Estado dos EUA. De acordo com os promotores, o lobby continuou depois que a lei entrou em vigor. Os EUA aplicaram sanções a mais de uma dúzia de autoridades chinesas e de Hong Kong após 2020.
A defesa havia pedido uma pena de três a dez anos. Pela acusação, porém, o caso poderia resultar em prisão perpétua, segundo o O Globo.
A Human Rights Watch classificou a decisão como "cruel e injusta". Em comunicado, a diretora da organização para a Ásia, Elaine Pearson, afirmou: "A severa condenação imposta a Joshua Wong com base em acusações infundadas é cruel e injusta". A entidade pediu a libertação imediata do ativista e que governos estrangeiros condenem a decisão.
Wong ganhou projeção internacional ainda adolescente, quando liderava o grupo estudantil Scholarism nos protestos de 2019. Ele entrou na prisão pela primeira vez aos 23 anos. Desde aquelas manifestações, as autoridades chinesas restringiram a participação política na cidade, prenderam ativistas e fecharam veículos de imprensa críticos ao governo.
Líderes chineses já classificaram Wong e outros ativistas como "separatistas". Os governos de Hong Kong e da China afirmam que a lei ajudou a restaurar a estabilidade. Grupos de direitos humanos dizem que a legislação sufocou a oposição e tornou arriscada qualquer crítica ao governo.
Para Eric Lai, pesquisador do Centro de Direito Asiático da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, a lei pode ser usada para prolongar a prisão de opositores, segundo o O Globo.
Os protestos pró-democracia de 2019 se alastraram pelo centro financeiro de Hong Kong, muitas vezes de forma violenta, e levaram Pequim a impor a Lei de Segurança Nacional em 2020. A legislação estreitou o controle da China sobre a ex-colônia britânica e levou à dissolução de grupos civis e ao fechamento de veículos de imprensa críticos. Wong, que já havia sido condenado em 2024 por subversão, é um dos rostos do movimento, hoje desmantelado, que defendia a democracia na cidade.
Fontes: G1 — “Ativista Joshua Wong é condenado a 10 anos de prisão em Hong Kong”; CNN Brasil — “Joshua Wong, ativista de Hong Kong, é condenado a mais 10 anos de prisão”; O GLOBO — “Ativista pró-democracia de Hong Kong é condenado a mais 10 anos de prisão”.
Também noticiaram: Estadão, Vatican News.