Procuradoria da Malásia suspende transferência de Najib Razak para prisão domiciliar

Ex-premiê teve indulto real condicionado após partido pagar multa de US$ 12 milhões, mas a mudança de regime foi suspensa nesta sexta-feira

Compartilhar
Retrato oficial do ex-premiê malaio Najib Razak (imagem de arquivo).
Foto: Government of Malaysia / CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

A Procuradoria-Geral da Malásia suspendeu nesta sexta-feira a transferência do ex-premiê Najib Razak da prisão para a prisão domiciliar. Segundo a Reuters, o gabinete do procurador-geral disse que a situação atual de detenção será mantida, porque há questões legais sobre a interpretação do indulto condicional concedido a ele.

Antes do anúncio, o advogado de Najib, Farhan Shafee, afirmou a jornalistas que havia recebido a ordem e que a levaria ao presídio de Kajang. Segundo ele, a prisão domiciliar poderia começar ainda nesta sexta-feira, caso tudo ocorresse como previsto.

O caso começou com um indulto real. Em setembro, o rei Sultan Ibrahim concordou em perdoar Najib, o que permitiria que ele cumprisse o restante da pena em casa. Ele está preso desde 2022, condenado por corrupção e desvio de bilhões de dólares ligados ao fundo estatal 1Malaysia Development Berhad (1MDB), que ele ajudou a criar quando governou o país, entre 2009 e 2018. Najib nega qualquer irregularidade.

Para pagar a multa de 50 milhões de ringgits (US$ 12 milhões), o partido dele, a Organização Nacional Malaia Unida (UMNO), recorreu a uma vaquinha, segundo a Al Jazeera. As contas bancárias de Najib estão bloqueadas, o que o impediu de quitar a multa com recursos próprios.

Segundo a Al Jazeera, que cita o correspondente Rob McBride em Kuala Lumpur, a decisão pode provocar desdobramentos políticos na Malásia. O primeiro-ministro, Anwar Ibrahim, levantou publicamente preocupações com o indulto, na condição de principal símbolo do combate à corrupção no país. Há, porém, especulação de que ele possa ter ajudado, nos bastidores, a destravar o perdão sob pressão do partido de Najib.

Investigadores afirmam que cerca de US$ 4,5 bilhões foram desviados do 1MDB, e que mais de US$ 1 bilhão desse valor está ligado a Najib. Ele diz ter sido o único responsabilizado por um esquema financeiro global altamente complexo.

Em um processo separado, do próprio 1MDB, Najib foi condenado a 15 anos de prisão e a uma multa de US$ 2,5 bilhões por lavagem de dinheiro e abuso de poder. Ele recorreu, e seus advogados pediram a suspensão da pena e da multa, alegando problemas de saúde e incapacidade de pagar. Em setembro, um juiz rejeitou o pedido, afirmando que "a gravidade do crime é uma consideração de interesse público mais importante".

Segundo McBride, Najib deve voltar à prisão para cumprir o restante da sentença quando a prisão domiciliar terminar, em 2028. Ainda não está claro se isso acontecerá.

Fontes: Al Jazeera — “play”.