Juíza dos EUA suspende por 14 dias obras do arco triunfal de Trump em Washington
Decisão provisória atinge projeto de 76 metros perto do Cemitério Nacional de Arlington, onde estão sepultados veteranos de guerra
A juíza federal dos Estados Unidos Tanya Chutkan determinou nesta sexta-feira uma suspensão de 14 dias para qualquer obra do "arco triunfal" de 76 metros que o presidente Donald Trump quer construir em Washington. A decisão ocorre apesar de a gestão Trump ter dito, na semana anterior, que as obras poderiam começar já na quinta-feira.
A Comissão Nacional de Planejamento da Capital (NCPC, na sigla em inglês) aprovou o projeto por 8 votos a 4, ao fim de uma audiência de nove horas realizada na quinta-feira. A votação ocorreu mesmo com a oposição de dezenas de pessoas que testemunharam contra a obra.
A decisão da juíza segue uma série de processos contra a construção. Um dos autores é um grupo de veteranos da Guerra do Vietnã, que entrou com ação em fevereiro. Na prática, a suspensão é provisória e vale por 14 dias.
Trump propôs erguer o arco ao lado do Cemitério Nacional de Arlington, onde estão enterrados veteranos de guerra. A construção causou preocupações de que poderia bloquear a visão entre o cemitério e o Memorial Lincoln. Em documento apresentado à Justiça, os veteranos afirmam que essa linha de visão foi "cuidadosamente desenhada para simbolizar a unificação do país após a Guerra Civil e a força de uma nação unida".
Trump apresentou a ideia no ano passado, para marcar os 250 anos da independência dos Estados Unidos. Segundo ele, o monumento seria semelhante a outros arcos famosos, como o Arco do Triunfo, construído em Paris em 1836. A obra é apenas um dos projetos do presidente para a capital. Na sexta-feira, Trump também assinou um decreto que transforma o Salão Oval e a sala do Gabinete em monumento nacional.
Vários planos de Trump já foram barrados por juízes. Após os democratas conquistarem o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato desta semana, esses projetos podem enfrentar mais fiscalização.
Fontes: Al Jazeera — “play”.