Marco Rubio nega envolvimento direto dos EUA na ida de Flávio Bolsonaro ao país
Secretário de Estado declarou que Donald Trump autorizou a entrada condicional do senador; parlamentar viajou após determinação do STF para reter passaporte
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Folha de S.Paulo, G1, Terra, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.
Brasília — O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou neste sábado (31) que o governo norte-americano "não se envolveu diretamente" na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil rumo ao país. A viagem ocorreu após o parlamentar ser derrotado no segundo turno das eleições presidenciais por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e receber ordem para entregar o passaporte à Justiça.
"Não facilitamos nada. Ouvimos que ele chegaria nos Estados Unidos, ele tinha um visto, e o presidente Donald Trump decidiu permitir a entrada dele", afirmou Rubio durante coletiva de imprensa nas reuniões pré-G20 em Atlanta. O chefe da diplomacia americana disse que o governo não participou dos preparativos ou das rotas escolhidas pelo senador, mas ressaltou que Trump garantiu a permissão caso ele se apresentasse em um ponto de entrada.
A concessão concedida foi o chamado parole, uma autorização de entrada condicional que permite a estadia legal temporária em território americano. Rubio declarou que deve se reunir com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante o encontro de cúpula do G7, na França.
A saída de Flávio Bolsonaro ocorreu logo após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenar a apreensão imediata dos passaportes do parlamentar. A decisão judicial foi expedida em uma apuração sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.
A operação de deslocamento incluiu a mulher de Flávio, Fernanda, e as duas filhas do casal. O grupo atravessou a fronteira com a Argentina e passou pelo Equador antes de aterrissar no estado da Flórida, no sul dos Estados Unidos. O senador, que tem 45 anos, é investigado em dois inquéritos no STF.
Logística de viagem e articulação em Washington
Reportagens dos jornais The New York Times e The Wall Street Journal apontaram que o assessor de comunicação de Donald Trump, Jason Miller, ajudou a organizar o avião particular que transportou Flávio Bolsonaro até o território americano. Miller ocupa o cargo temporário de funcionário especial do governo federal e integra o núcleo político próximo ao ex-presidente republicano. Procurado pelo The New York Times, o assessor recusou-se a falar.
Em transmissão ao vivo em redes sociais, Flávio negou qualquer participação externa no planejamento da viagem. "A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse, até porque se soubesse a chance de dar errado seria maior, então de verdade, não escolham, não apontem o dedo para ninguém, não tem ninguém que é responsável pelo que aconteceu, com relação a minha saída", disse o senador.
O parlamentar rechaçou a classificação de fuga e utilizou a frase "não saí do Brasil, saí pelo Brasil". Segundo Flávio, a permanência fora das fronteiras brasileiras permitirá manter atuação pública sem o risco de sofrer medidas judiciais. O senador declarou temer "perseguição judicial" e afirmou que o sistema institucional do país opera sob o que chamou de "regime de exceção".
Flávio fez menção à postura adotada pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que também viajou aos Estados Unidos no encerramento de seu mandato após a eleição de 2022. O senador disse que sua atuação impedirá que ele seja uma liderança silenciada e contestou a investigação que o associaria a movimentações financeiras de uma empresa ligada a Willer Tomaz.
Disputa no Congresso e planos eleitorais
Durante o pronunciamento, Flávio agradeceu os quase 60 milhões de votos recebidos na eleição presidencial do último domingo (25). Ele afirmou que continuará organizando a bancada oposicionista a partir do exterior e declarou que a oposição concentrará esforços de fiscalização política no Senado Federal.
O senador defendeu a candidatura do senador Rogério Marinho à presidência do Senado e pediu mobilização pública de seus apoiadores sobre os parlamentares. Na visão de Flávio, o desempenho da economia será o principal foco de desgaste do governo do PT nos próximos anos, servindo de contraponto ao Executivo.
O parlamentar sustentou a possibilidade de voltar às urnas para disputar a Presidência da República em um período menor do que o intervalo tradicional do calendário nacional. "Se preciso for, para resgatar, para salvar o nosso país, para disputar mais uma eleição para presidente da República. Eu não estou falando de 2030, não. Eu estou falando de antes disso", declarou.
A retenção do passaporte do senador Flávio Bolsonaro foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito de investigações que tramitam sob sigilo no Supremo Tribunal Federal para apurar transações financeiras suspeitas de lavagem de dinheiro. O deslocamento do parlamentar pela fronteira sul-americana reedita a estratégia utilizada por Jair Bolsonaro no fim de 2022, quando o ex-mandatário deixou o Brasil rumo à Flórida após o término do mandato presidencial.