Eleições de meio de mandato testam governo Trump sob desaprovação de 66% e pressão inflacionária

Pleito renova a Câmara e um terço do Senado nos EUA; oposição democrata mira maioria em meio a divisões internas e avanço socialista

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Retrato oficial do congressista Hakeem Jeffries (imagem de arquivo).
Foto: Office of Representative Hakeem Jeffries / Public domain via Wikimedia Commons

🚨 PLANTÃO GAZETA — notícia em desenvolvimento, escrita a partir do que 5 veículos publicaram. As fontes estão no fim do texto; esta página pode ser atualizada.

Washington — Os Estados Unidos realizam em 3 de novembro as eleições de meio de mandato com o presidente Donald Trump enfrentando 66% de desaprovação popular, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 19 de outubro. A votação renova todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado, determinando o equilíbrio de poder nos dois últimos anos da gestão do republicano, cujo mandato termina em janeiro de 2029.

Na prática, o resultado define se o governo manterá facilidade para aprovar medidas ou se enfrentará comissões parlamentares com poder de convocar autoridades, exigir documentos e abrir processos de impeachment. O custo de vida elevado domina as preocupações do eleitorado, que lida com a alta dos combustíveis, da alimentação, da saúde e da moradia. A inflação segue acima da meta do Federal Reserve, o banco central do país, pressionada pelo conflito armado iniciado pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã em fevereiro e pelas tarifas de importação adotadas pela Casa Branca.

Atualmente, o Partido Republicano comanda a Câmara dos Representantes com uma margem estreita de 218 cadeiras — o piso exato da maioria absoluta —, além de um deputado independente aliado. No Senado, a legenda governista soma 53 assentos. Para assumir o controle da câmara alta, os democratas precisam alcançar pelo menos 51 cadeiras, patamar indispensável para superar o voto de desempate do vice-presidente J.D. Vance caso haja empate de 50 a 50.

A oposição democrata aparece como favorita nas pesquisas para retomar o comando das duas Casas. A cúpula partidária trabalha para eleger o deputado Hakeem Jeffries, que pode se tornar o primeiro presidente negro da Câmara na história americana. Uma vitória no Senado também permitiria barrar indicações presidenciais para a Suprema Corte e para o primeiro escalão do governo federal.

Tensões internas e disputa partidária

A disputa ocorre em meio a cobranças da ala progressista democrata, insatisfeita com a condução de líderes tradicionais como Jeffries e o senador Chuck Schumer. Setores à esquerda exigem mudanças profundas nas diretrizes partidárias. Um dos nomes do setor ativista, o candidato ao Senado por Michigan, Abdul El-Sayed, defende ações urgentes, embora não pertença à organização Socialistas Democráticos da América (DSA) nem se declare socialista.

O presidente Donald Trump acena ao chegar ao Aeroporto Internacional de Yuma, no Arizona (imagem de arquivo).
O presidente Donald Trump acena ao chegar ao Aeroporto Internacional de Yuma, no Arizona (imagem de arquivo). (Foto: The White House from Washington, DC / Public domain via Wikimedia Commons)

Do lado republicano, a liderança de Trump alterou as bases tradicionais herdadas de Ronald Reagan, antes focadas em cortes de gastos estatais e livre-comércio. A legenda passou a atrair trabalhadores da base operária, jovens, negros e hispânicos. O ex-senador John Sununu, candidato ao Senado por New Hampshire, pontuou que a futura saída de Trump deixará "um vácuo imenso" sobre os rumos do país. Caso a legenda sofra derrotas expressivas no pleito, as pretensões eleitorais do vice-presidente Vance e do secretário de Estado Marco Rubio para a eleição presidencial de 2028 podem ser afetadas, abrindo espaço para nomes como Ted Cruz, Ron DeSantis e Chris Christie.

O ambiente eleitoral registra contestações diretas do presidente à lisura da contagem. Trump condicionou a aceitação dos resultados à ocorrência de um pleito sem irregularidades: "Vou aceitar, se forem eleições honestas, sim". A declaração ocorre no momento em que o Departamento de Justiça atuou para barrar a certificação da eleição ao Senado no Alasca caso o senador Dan Sullivan seja derrotado, alegando risco de confusão na cédula devido à candidatura de Daniel J. Sullivan. A Suprema Corte estadual autorizou a candidatura concorrente e um tribunal federal de apelações bloqueou o pedido do governo federal.

O Procurador-Geral Todd Blanche negou irregularidades na medida do Alasca em entrevista televisiva e disse que o governo busca apenas garantir a vitória do candidato legítimo, rebatendo comparações com os atos de 6 de janeiro de 2021. Hakeem Jeffries afirmou que os republicanos pretendem articular barreiras contra o processo eleitoral. O especialista em direito eleitoral Ben Ginsberg alertou que a contestação da posse de parlamentares agride as instituições do Congresso, enquanto as autoridades estaduais mantêm os preparativos para a contagem descentralizada dos votos no dia 3 de novembro.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

O sistema político dos Estados Unidos realiza pleitos legislativos a cada dois anos por meio de administrações estaduais autônomas, sem autoridade eleitoral centralizada. Historicamente, os eleitores costumam aplicar votos de descontentamento contra o partido do presidente em exercício na votação de meio de mandato. A disputa atual ganha contornos de confronto institucional após a contestação das eleições presidenciais de 2020 e a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, episódios que intensificaram disputas sobre o desenho dos distritos eleitorais e as regras de votação pelo país.

Fontes: Jovem Pan — “Fim da era Trump e crise democrata: o que as eleições nos EUA podem indicar”; BBC — “O que são as eleições de meio de mandato dos EUA e por que elas podem selar futuro de Trump?”; CNN Brasil — “Análise: Trump condiciona aceitação de resultado eleitoral à "honestidade"”; ICL Notícias — “Entenda como funcionam as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos”.

Também noticiaram: UOL Notícias.