Partido Comunista da China expulsa 33 dirigentes e Xi Jinping reforça expurgo militar
Plenária registra recorde de assentos vazios após afastamento de generais e autoridades antes do congresso partidário
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (BBC, O GLOBO, Tribuna de Petrópolis, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.
Pequim — O Partido Comunista da China expulsou um número recorde de 33 integrantes do Comitê Central ao término de sua principal reunião política anual, encerrada nesta semana em Pequim após quatro dias de sessões a portas fechadas em um hotel da capital. A medida consolida a maior ofensiva interna do presidente Xi Jinping, que classifica a corrupção como a "maior ameaça" à legenda governamental.
O quinto plenário reuniu 279 integrantes do colegiado, o menor contingente registrado nos 14 anos de liderança de Xi Jinping. Em outubro de 2025, 315 membros haviam comparecido ao quarto plenário, contra 364 no terceiro encontro, realizado em julho de 2024. Quando tomou posse em 2022, o atual comitê reunia mais de 370 dirigentes, índice que caiu agora para uma taxa de comparecimento de 74%, a mais baixa desde a morte de Mao Tsé-Tung em 1976.
As baixas recentes elevam para 51 o total de membros do Comitê Central punidos e destituídos durante o terceiro mandato de Xi. No primeiro mandato do líder chinês, 35 integrantes haviam sido afastados, contra cinco penalizados ao longo de seu segundo período de governo. Paralelamente às cúpulas partidárias, os órgãos de fiscalização disciplinar puniram 680 mil pessoas em toda a administração estatal durante os primeiros nove meses deste ano.
As notificações oficiais enquadraram os dirigentes expulsos na acusação ampla de "graves violações disciplinares e legais". Em comunicado oficial distribuído após as deliberações, o partido declarou ter encarado a realidade de que o comando partidário esteve enfraquecido e prometeu "impor uma rigorosa autodisciplina partidária, inclusive voltando a faca contra si mesmo para conter a desordem".
Afastamentos no comando militar
As Forças Armadas concentraram o impacto direto das decisões, respondendo por 16 dos 33 expulsos. Entre os alvos confirmados estão o ex-general Zhang Youxia, antigo oficial de maior patente do país e ex-vice-presidente da Comissão Militar Central, e o ex-general Liu Zhenli. Zhang Youxia havia sido detido para investigações formais em janeiro e destituído de suas atribuições em agosto.
Com as cassações, a Comissão Militar Central, estrutura concebida para operar com sete integrantes no controle direto das Forças Armadas, ficou reduzida a apenas dois membros: o próprio presidente Xi Jinping e o general Zhang Shengmin. Pesquisadores do Asia Society Policy Institute apontaram que as punições no alto comando militar geram dúvidas práticas sobre a prontidão de combate e a coordenação das tropas.
A ofensiva atingiu também quadros civis de destaque, incluindo o ex-chefe do partido na região de Xinjiang, Ma Xingrui, e o ex-diplomata Liu Jianchao, antigo responsável pelo departamento internacional da legenda, afastado da vida pública desde julho do ano passado. O secretário sênior Zhong Shaojun, que atuou por uma década na fiscalização da Comissão Militar Central, teve sua expulsão confirmada no mesmo pacote disciplinar.
O Politburo, principal órgão executivo da China com previsão de 24 assentos, teve sua composição reduzida temporariamente para 21 nomes após as saídas sucessivas de Ma Xingrui, Zhang Youxia e do ex-general He Weidong. O plenário recompôs parcialmente a cúpula com uma única promoção de peso: a ascensão do general Zhang Shengmin, chefe dos inquéritos disciplinares militares, recompondo o colegiado para 22 integrantes.
Reorganização do poder para o 21º Congresso
As resoluções aprovadas preparam a máquina partidária para o 21º Congresso Nacional do Partido Comunista, confirmado oficialmente para o segundo semestre de 2027. O encontro partidário de daqui a cerca de um ano deve ratificar a recondução de Xi Jinping para um quarto mandato consecutivo de cinco anos, feito sem precedentes na história do país desde Mao Tsé-Tung.
Para assegurar a governança de longo prazo, o documento divulgado pela agência estatal Xinhua enfatizou a obrigação de "preservar seu caráter progressista e sua pureza, bem como seus laços estreitos e indissociáveis com o povo". Em janeiro, Xi havia feito advertências expressas contra o avanço de "quadros de duas caras", termo que designa servidores que simulam adesão ideológica pública enquanto desobedecem ordens centrais em proveito financeiro particular.
Neil Thomas, do Asia Society Policy Institute, aponta que a operação disciplina a burocracia governamental e reforça o alinhamento pessoal em torno do presidente chinês, indicando que os nomes em ascensão tendem a ter formação tecnocrática e que os quadros de liderança provincial são um lugar promissor para procurar. O governo central sustenta que os mecanismos de controle interno e combate a subornos permanecerão ativos permanentemente em todos os escalões da administração pública.
Desde sua ascensão ao cargo de secretário-geral em 2012, Xi Jinping converteu a campanha anticorrupção em eixo estruturante de seu governo, com 680 mil pessoas punidas em toda a estrutura partidária apenas nos primeiros nove meses deste ano. A intensificação recente sobre as Forças Armadas e o Comitê Central removeu quase 100 dirigentes desde o congresso de 2022, esvaziando centros tradicionais de poder militar antes da confirmação de sua permanência na liderança do país até pelo menos 2032.