Paraguai intervém no Ueno Bank e bloqueia contas de milhões de clientes
Banco Central diz que solvência caiu para menos da metade do mínimo; oito executivos foram presos e oposição pede impeachment do presidente Santiago Peña
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- 14:44 — Segundo o O GLOBO, o presidente do Congresso paraguaio pediu que Santiago Peña renunciasse ao cargo. O mesmo veículo informou que Peña encaminhou ao Senado o pedido de aprovação da nomeação de Raúl Vera Bogado para a presidência do Banco Central. Os títulos em dólar do Ueno com vencimento em 2031 e os títulos soberanos do Paraguai também foram afetados pela análise regulatória sobre empréstimos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, conforme noticiado pelo O GLOBO.
- 12:28 — Segundo o Poder360, 35 congressistas apresentaram em 4 de novembro um pedido de impeachment do presidente Santiago Peña na Câmara dos Deputados, que tem 80 cadeiras. Os parlamentares acusam Peña de conflito de interesses, uso indevido de fundos de pensão e acobertamento institucional na gestão do colapso do Ueno, e o presidente da Casa, Raúl Latorre, convocou para 5 de novembro de 2026 duas sessões extraordinárias para analisar a moção contra Peña e contra o vice-presidente Pedro Alliana. Também segundo o Poder360, a Fitch rebaixou os ratings de inadimplência do banco para 'D' (default) e o de suporte governamental para 'sem suporte'. Em publicação no X, Peña afirmou que os responsáveis por irregularidades serão levados à Justiça 'sem exceção'.
🚨 PLANTÃO GAZETA — notícia em desenvolvimento, escrita a partir do que 4 veículos publicaram. As fontes estão no fim do texto; esta página pode ser atualizada.
O Banco Central do Paraguai decidiu intervir no Ueno Bank, banco digital com cerca de 3 milhões de clientes. A medida foi tomada depois que o índice de solvência da instituição caiu para menos da metade do mínimo exigido. Esse indicador mede a capacidade de um banco de absorver perdas.
Com a intervenção, o banco ficou fechado. Liana Caballero, integrante da diretoria do Banco Central, afirmou em entrevista coletiva: "Determinamos o fechamento da instituição. Portanto, a partir de hoje, nem o aplicativo, nem os cartões, nem qualquer outro serviço do banco estão funcionando". Clientes relataram que não conseguiam realizar operações em caixas eletrônicos nem acessar os serviços bancários pela internet. Segundo a CNN Brasil, o temor de perder as economias provocou pânico e filas em agências, com clientes reunidos em frente a agências fechadas enquanto a polícia fazia a segurança, e houve pedido de prisão do presidente.
O Ueno administra mais de US$ 800 milhões, cerca de R$ 4,4 bilhões, em recursos públicos. Desse total, aproximadamente US$ 380 milhões, ou R$ 2,1 bilhões, foram investidos pelo Instituto de Previdência Social do Paraguai, responsável pelo sistema estatal de aposentadorias. O instituto afirmou que as pensões seguem sendo pagas normalmente, que transfere os cerca de 32 mil aposentados que recebiam pelo Ueno para outro banco e que planeja entrar com ação judicial para recuperar seu investimento.
O Fundo de Garantia de Depósitos cobre até 228 milhões de guaranis por pessoa, cerca de R$ 211 mil, o equivalente a 75 salários mínimos. Por lei, esse valor deve ser pago em até 15 dias após a intervenção, prazo que pode ser prorrogado uma vez. Estimativas preliminares indicam que essa garantia cobre cerca de 97% dos depositantes do Ueno.
Como primeiro passo, o Banco Central afirmou que os depositantes receberão em breve até 10 milhões de guaranis, cerca de US$ 1,7 mil, descontadas as dívidas com o banco. Não foi divulgada data. Quem tem saldo acima do limite terá de aguardar o balanço definitivo da Superintendência de Bancos, e o órgão só promete "a maior proteção possível".
Ao comentar a crise, o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, classificou a situação como "um caso pontual e isolado". Ele disse que o sistema financeiro paraguaio "continua sólido e saudável". Já o próprio Banco Central, em comunicado, afirmou que o sistema financeiro "mantém níveis adequados de solvência e liquidez" e negou outras intervenções, segundo a CNN Brasil. Carvallo havia comandado o Ueno antes de ser nomeado para o cargo. O Globo e o Estadão informam que ele renunciou, e o Globo acrescenta que dois diretores da entidade também renunciaram. A CNN Brasil relata que o presidente Peña pediu sua renúncia, pedido que o Estadão também registra.
Peña anunciou, em publicação nas redes sociais, Raúl Vera Bogado como novo presidente do Banco Central, além de Pedro Acosta e Étsel González como diretores. Na mesma publicação, afirmou: "Compreendo a incerteza que uma situação como essa causa e, acima de tudo, sei que por trás de cada poupança estão os esforços e o trabalho de milhares de paraguaios".
Oito suspeitos ligados à crise foram presos preventivamente, ou seja, antes de julgamento. Segundo a CNN Brasil, o Ministério Público imputou 27 pessoas pelo suposto vínculo com irregularidades no banco. Entre os presos estão o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, e o diretor executivo, Federico Miguel Vázquez Villasan, segundo o Estadão. A promotora Nancy Salomón, do Ministério Público, afirmou ao jornal ABC Color que o grupo pode responder por conduta indevida em situações de crise, lesão de confiança e violação da obrigação de manter livros contábeis, que são os registros formais das contas. Ela disse: "Estamos analisando os fatos com base nessas figuras jurídicas". Segundo Carvallo, meses de investigação identificaram empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo proprietário do banco, explicação que a BBC cita como base da intervenção. Ainda não está claro qual o papel de cada executivo.
Impeachment e disputa política
A crise atinge diretamente o governo de Santiago Peña, que assumiu em 2023 com mandato até 2028. A BBC lembra que Peña nomeou Carvallo, então presidente-executivo do Ueno, para o Banco Central, decisão criticada por apontar conflito de interesses. A CNN Brasil informa que Peña foi sócio do grupo dono do banco até março de 2025.
O vice-presidente Pedro Alliana anunciou que suspendeu temporariamente sua candidatura à Presidência pelo governista Partido Colorado, para "arrumar a casa" após a crise. Ricardo Estigarribia, pré-candidato pelo principal partido de oposição, o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), disse que a legenda pretende pedir o impeachment de Peña e Alliana no Congresso. Ele afirmou, em declarações reproduzidas pelo jornal ABC: "Saquearam o país, roubaram o dinheiro dos aposentados, e isso não pode ficar assim. Não pode haver impunidade".
Segundo a CNN Brasil, 35 deputados opositores já apresentaram o pedido formal. O texto alega conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de fundos de aposentadorias, superação de limites de crédito para o Ueno, acobertamento institucional pelo Banco Central, indícios de enriquecimento ilícito e risco sistêmico, ou seja, possível contaminação de todo o sistema financeiro. O Estadão acrescenta que o texto questiona a evolução do patrimônio de Peña. A acusação fala em "mau desempenho de suas funções".
Para que o processo avance, a Câmara precisa de 53 dos 80 votos. Depois, o Senado conduz o julgamento, e são necessários 30 dos 45 votos para destituir os governantes, segundo o Estadão. Enquanto isso, segundo a BBC, o Banco Central enviará funcionários para assumir o controle da instituição e aplicará sanções aos responsáveis, e o bloqueio de ativos e passivos vale até a definição do destino dos recursos.
Fontes: BBC — “Paraguai intervém em um dos maiores bancos do país e congela dinheiro de milhões de pessoas”; O GLOBO — “Executivos do Ueno Bank são presos no Paraguai após quebra do banco; veja quem são e os crimes de que são suspeitos”; CNN Brasil — “Fechamento de banco gera pânico, filas e pedido de impeachment no Paraguai”; Estadão — “Master paraguaio? Entenda crise em banco digital ligado ao presidente Santiago Peña”.
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