Buscas por “migração Paraguai” disparam após vitória de Lula, segundo o Google Trends
Três dos quatro estados com mais interesse no termo ficam no Sul, mas o índice mede buscas, não pedidos formais de residência
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As buscas pelo termo “migração Paraguai” cresceram 5.000% na semana seguinte à vitória de Lula, segundo o painel do Google Trends. Na divisão por estado, Pernambuco lidera o interesse. Logo depois aparecem Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, seguidos por Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo.
O Google Trends mede a proporção das buscas, e não o número de pessoas que pesquisaram. Por isso, o dado indica quanto o assunto despertou curiosidade em cada região, e não quantas pessoas planejam mudar de país.
Outra busca também disparou. De acordo com a Folha de S.Paulo, as pesquisas por “como morar no Paraguai” subiram 1.700% nas horas seguintes ao resultado. Nas redes, influenciadores apresentam o país vizinho como alternativa para quem busca impostos menores e custo de vida mais baixo. A Revista Fórum, porém, aponta que a atratividade do Paraguai para os brasileiros já apresentava trajetória ascendente bem antes do pleito presidencial.
O que pesa na decisão de mudar
Os números oficiais do lado paraguaio ajudam a medir o movimento. Segundo a Revista Fórum, a Direção Nacional de Migrações (DNM) registrou 47.687 pedidos formais de residência em 2025, alta de 63% em relação ao ano anterior. Mais de 23 mil autorizações foram concedidas a brasileiros. Para este ano, a Fórum projeta cerca de 50 mil requerimentos, o que representaria um novo teto histórico.
O diretor-geral da DNM, Jorge Kronawetter, disse ao jornal paraguaio ABC Color que os brasileiros respondem por mais de 70% dos pedidos processados no país. Ele classificou como suposição a ideia de que o aumento se deve apenas à eleição brasileira. Para ele, o motivo central é a economia paraguaia, marcada por “previsibilidade inflacionária e carga tributária reduzida”.
Dados oficiais paraguaios citados pela Gazeta do Povo mostram 22.628 autorizações de residência para brasileiros no primeiro semestre de 2026. No mesmo período de 2025, foram 11.723. O sistema tributário paraguaio, chamado “Triplo 10”, prevê alíquotas de até 10% para o imposto de renda empresarial, o IVA (imposto sobre o consumo) e o imposto de renda pessoal.
Especialistas, segundo a mesma reportagem, avaliam que parte dos pedidos serve apenas para estruturar empresas, sem mudança efetiva de país. Quem não formaliza a saída definitiva perante a Receita Federal pode seguir sujeito ao Imposto de Renda brasileiro sobre a renda global, ou seja, sobre tudo o que ganha dentro e fora do país.
A informalidade atinge cerca de 65% da população economicamente ativa paraguaia. Os serviços públicos de saúde e educação são limitados, e a adaptação ao espanhol e ao guarani pesa para quem chega sem recursos ou rede de contatos. Despesas com serviços, saúde e lazer podem ser de 10% a 20% menores em Assunção do que no Brasil, segundo a Gazeta do Povo.
Os mutirões de documentação estão previstos em datas diferentes. A Folha informa que o MigraMóvil atende até 6 de novembro, das 8h às 16h, com pedidos de residência temporária e permanente. A Gazeta do Povo diz que o atendimento em Pedro Juan Caballero, cidade que faz fronteira com Ponta Porã (MS), ocorre de 16 a 20 de novembro.
Na edição anterior em Ciudad del Este, no primeiro trimestre, quase 1.500 processos foram abertos em cinco dias, segundo a Fórum. Segundo a Gazeta do Povo, o Migramóvil é uma iniciativa de documentação que leva equipes a diferentes cidades paraguaias para facilitar o acesso de estrangeiros aos serviços migratórios. A Folha lembra que o Paraguai é governado desde 2023 por Santiago Peña, de direita, e que o país é elogiado por apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno.
Segundo a Folha, o mutirão poderá mostrar se o interesse nas buscas se transforma em pedidos formais de residência.
Os brasileiros formam a terceira maior comunidade no exterior, atrás apenas dos Estados Unidos e de Portugal, com mais de 263 mil pessoas, segundo a Fórum. Desde as décadas passadas, colonos brasileiros, conhecidos como “brasiguaios”, atuam no agronegócio da faixa de fronteira, o que criou laços econômicos e familiares entre os dois países. Em 2025, a DNM registrou 47.687 pedidos formais de residência no Paraguai, alta de 63% sobre o ano anterior.
Fontes: NSC Total — “Após reeleição de Lula, três dos quatro estados que mais buscaram por “migração Paraguai” são da região Sul”; Folha de S.Paulo — “Destino procurado por bolsonaristas, Paraguai abre mutirão de migração nesta segunda”; Gazeta do Povo — “Paraguai inicia programa para receber e regularizar imigrantes brasileiros após vitória de Lula”; Revista Fórum — “Paraguai retoma “mutirões” para receber bolsonaristas após vitória de Lula”.