Super El Niño ganha força e pode figurar entre os mais intensos desde 1950, apontam órgãos meteorológicos
Aquecimento no Oceano Pacífico ameaça elevar temperaturas no Brasil e gerar extremos de seca no Norte e enchentes no Sul até 2027
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Correio do Povo, G1, Notícias Agrícolas, Notícias ao Minuto Brasil). Novos desdobramentos a qualquer momento.
Brasília — O fenômeno El Niño deve atingir a categoria de intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, segundo o quinto boletim do Painel El Niño divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O episódio em curso apresenta 83% de probabilidade de se consolidar como o mais intenso já registrado desde 1950.
O boletim interinstitucional reuniu análises técnicas do Inmet, do Inpe, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), do Cemaden, do Serviço Geológico do Brasil (SGB), da Defesa Civil Nacional (Sedec) e do Censipam. As medições oceânicas da agência norte-americana NOAA apontaram anomalias térmicas superiores a 3°C nas porções centrais e orientais do Oceano Pacífico Equatorial.
A previsão sazonal indica calor de 1°C a 2°C acima da média histórica em quase todo o território brasileiro durante o trimestre. Em setores do estado do Pará, as temperaturas podem superar o padrão climatológico em patamares de 2°C a 3°C. O aquecimento global da água oceânica deve persistir ao menos até o primeiro trimestre de 2027.
Projeções do grupo de pesquisa Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago, estimam que o evento global pode acarretar cerca de 857 mil mortes provocadas por calor extremo em escala planetária até março de 2027. O levantamento calcula que o Brasil deve registrar cerca de 19 mil óbitos associados ao estresse térmico acima da média nesse intervalo.
Os países do Sul Global concentram a maior carga da mortalidade estimada pelos pesquisadores. Os cálculos apontam projeções de 56 mil mortes adicionais na Nigéria, 55 mil na Índia e 29 mil na Indonésia, reflexo direto da vulnerabilidade social e da infraestrutura desigual diante de ondas severas de calor.
Seca no Norte e tempestades no Sul
O quadro meteorológico desenha impactos opostos nas pontas do país. No Sul, o prognóstico aponta chuvas acima da média histórica, vazões elevadas e risco acentuado de inundações. Apenas áreas do sul gaúcho e de Santa Catarina devem registrar temperaturas abaixo da média, efeito da cobertura persistente de nuvens e precipitações.
Os acumulados já causaram cheias nas bacias dos rios Caí e Taquari, no Rio Grande do Sul, e ultrapassaram cotas de alerta no Médio e Alto Uruguai. Para janeiro de 2027, o risco hidrológico de enchentes também alcança as bacias dos rios Doce e Paraíba do Sul, no Sudeste, e áreas do alto rio Paraguai.
Em sentido inverso, as regiões Norte e Nordeste encaram aprofundamento do déficit de chuva e perda de umidade do solo. Dados do Monitor de Secas revelam que a área com seca grave no Nordeste saltou de 16% para 28% entre agosto e setembro. No Norte, a parcela sob seca grave dobrou de 4% para 8% no mesmo período.
A estiagem atinge com maior peso as bacias dos rios Negro e Branco, além do estado de Roraima. O documento oficial ressalta que a situação hidrológica geral na Amazônia não replica a severidade extrema verificada em 2023 e 2024, mas impõe alerta contínuo para captação de água em comunidades ribeirinhas e rurais.
A combinação de solo seco e termômetros altos amplia o perigo de fogo na vegetação. A Amazônia Legal registrou 6.542 focos de queimada em agosto, 12.659 em setembro e outros 11.662 até o dia 23 de outubro. Mapeamento do Cemaden colocou 307 municípios sob alerta alto para incêndios e outros 464 sob aviso preventivo.
A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil recomenda o acompanhamento dos avisos meteorológicos e a atualização cadastral para o recebimento de alertas operacionais por telefone, com atenção imediata às rotas de fuga em áreas suscetíveis a cheias e deslizamentos.
O fenômeno El Niño decorre do aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, alterando os padrões de circulação da atmosfera e do jato subtropical em escala global. As medições históricas iniciadas em 1950 mostram que eventos classificados como Super El Niño provocam desequilíbrios pluviométricos severos no Brasil, com estiagens no semiárido e precipitações concentradas na bacia do Prata. Relatórios da Organização das Nações Unidas apontam que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera triplicou desde a década de 1960, amplificando a frequência e a letalidade de choques térmicos extremos.