Republicanos da Carolina do Sul tentam eleger Ralph Norman por voto por escrito

Movimento pede que eleitores escrevam o nome do deputado no lugar da candidata apoiada por Trump ao Senado, em disputa que as pesquisas mostram apertada.

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O deputado Ralph Norman encontra-se com soldados da Guarda Nacional do Exército da Carolina do Sul (imagem de arquivo).
Foto: U.S. Army National Guard photo by Capt. Adam Smith / Public domain via Wikimedia Commons

Avery Milton, de 28 anos, nascido na Carolina do Sul, ajuda a liderar um movimento para que eleitores escrevam o nome do deputado republicano Ralph Norman na cédula da eleição para o Senado dos Estados Unidos. A votação ocorre em 3 de novembro, na eleição de meio de mandato. A candidata oficial do partido é Darline Graham, que tem o apoio do presidente Donald Trump.

O voto por escrito, conhecido em inglês como write-in, permite ao eleitor escrever o nome de alguém que não aparece na lista. A opção costuma expressar insatisfação com os candidatos oficiais e raramente elege alguém. Em 2010, a senadora Lisa Murkowski, do Alasca, venceu dessa forma depois de perder as prévias do próprio partido. Na eleição para o Senado da Carolina do Sul em 2022, os votos por escrito somaram apenas 0,1% do total.

Milton votou em Trump nas três últimas eleições e acreditava na promessa de colocar os Estados Unidos em primeiro lugar. Segundo ele, o presidente o decepcionou. "Ele nos apunhalou pelas costas durante o segundo mandato", disse à Al Jazeera. Para Milton, o ponto de ruptura foi o lançamento de uma guerra contra o Irã, depois de a campanha ter prometido evitar novos conflitos.

A frustração, segundo ele, não é isolada. Milton afirma que muitas pessoas próximas compartilham o sentimento, sobretudo conservadores mais jovens que estão constituindo família e entrando no mercado de trabalho. Foi a partir dessa insatisfação que ele ajudou a criar o site e a campanha chamada Write-In Ralph.

Caminho inesperado à candidatura

Darline Graham chegou ao posto de forma incomum. Após a morte súbita do senador republicano Lindsey Graham, em 11 de julho, a irmã dele, Darline, foi nomeada para concluir o mandato. Famílias costumam suceder parlamentares falecidos, em geral cônjuges, mas Darline foi a primeira irmã a ocupar uma vaga no Senado dessa maneira.

No início, Darline descreveu o cargo como uma chance de terminar o trabalho do irmão nos meses restantes do mandato. Dias depois, Trump publicou na rede Truth Social a mensagem "RUN, DARLINE, RUN!" e prometeu apoio "completo e total" caso ela disputasse a eleição para um mandato de seis anos. Três dias depois, ela anunciou a candidatura em entrevista à Fox News.

Para parte dos republicanos, a passagem de nomeação temporária a candidatura completa aconteceu rápido demais. Milton disse que a nomeação "instalou" uma candidata. Na prévia estadual de agosto, Darline venceu Ralph Norman, que representa o quinto distrito da Carolina do Sul na Câmara.

Desde a derrota, Norman se recusa a fazer campanha ao lado de Darline. Ao The Wall Street Journal, ele afirmou: "Você tem que conquistar o voto. Ela ainda não fez isso. A campanha tem sido sobre tentar sustentar uma candidata." Norman deixou claro que seu apoio à candidata é limitado.

Eleitores independentes e disputa apertada

As tensões são mais fortes na região do Upstate, onde Norman tem apoio considerável. Milton afirmou que Darline pouco procurou os eleitores locais, além de jantares privados e aparições ao lado de Trump. "Ela nunca tentou falar com as pessoas comuns daqui do Upstate, e isso mostra o que a elite republicana da Carolina do Sul pensa dos conservadores de base", disse.

Milton também quer um senador que pense por conta própria. "Não queremos alguém que seja carimbo para tudo", afirmou. Segundo ele, o eleitor precisa de alguém disposto a "pensar em todos os lados de uma questão e de uma política".

Um grupo considerável de eleitores da Carolina do Sul não se identifica com nenhum dos dois grandes partidos. Uma pesquisa do New York Times com o instituto Siena, realizada em outubro, indicou que 30% dos prováveis eleitores se declaram independentes. Entre eles, a democrata Annie Andrews aparecia 20 pontos percentuais à frente de Darline Graham.

Essa fatia do eleitorado é um ponto cego para os republicanos que tentam consolidar em torno de Trump a coalizão do movimento MAGA, sigla em inglês para "Tornar a América Grande Novamente". John Connolly, aposentado de 77 anos que vive na região Lowcountry, disse à Al Jazeera que vê Darline como "nada mais que uma marionete", que "acena com a cabeça sim sempre que recebe ordens".

A pesquisa de outubro do New York Times com o Siena College deu empate técnico, com Darline e Annie Andrews empatadas em 48% entre os prováveis eleitores. Trump venceu a Carolina do Sul por quase 18 pontos percentuais em 2024. Mesmo assim, ele fez duas viagens ao estado em três meses para apoiar Darline, o que a Al Jazeera classificou como atenção presidencial incomum.

Leila Ali, consultora regional que trabalha há mais de dez anos com organizações de base no Sul dos Estados Unidos, afirmou que estrategistas erram ao tratar o eleitorado sulista como um bloco único. "A maior coisa que as pessoas erram é achar que o voto do Sul é um monolito", disse à Al Jazeera. Ela citou o voto antecipado como prova de engajamento: quase 950 mil votos foram depositados antes do dia da eleição, um recorde para eleições de meio de mandato no estado, segundo a comissão eleitoral.

Milton afirmou que, se Darline perder, a culpa não deve recair sobre o movimento. "Vão tentar apontar o dedo para o Write-In Ralph", disse. "Mas isso pressupõe que nossos votos iriam para a Darline de qualquer forma, e isso simplesmente não é verdade."

Fontes: Al Jazeera — “play”.