Pesquisas indicam queda do apoio hispânico a Trump no Texas antes das eleições de meio de mandato

Levantamentos citados pela BBC apontam que a maioria dos hispânicos do estado desaprova o presidente, e democratas tentam reverter a vantagem republicana em novembro.

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President Donald J. Trump junta-se ao primeiro-ministro da Índia Narendra Modi em comício no NRG Stadium (imagem de arquivo).
Foto: The White House from Washington, DC / Public domain via Wikimedia Commons

🚨 PLANTÃO GAZETA — notícia em desenvolvimento, escrita a partir do que quatro veículos publicaram. As fontes estão no fim do texto; esta página pode ser atualizada.

Pesquisas citadas pela BBC indicam que o apoio a Donald Trump entre eleitores hispânicos do Texas diminuiu desde 2024. Levantamentos feitos desde o fim do verão mostram que a maioria desses eleitores desaprova o presidente. Eles tendem a favorecer os democratas por uma margem significativa, e a eleição de meio de mandato acontece em 3 de novembro.

Em 2024, Trump conquistou cerca de 55% dos votos hispânicos apenas no Texas, segundo a BBC. O resultado foi um recorde para um candidato presidencial republicano. Parte desse apoio veio da promessa de acabar com as travessias ilegais na fronteira com o México, promessa que, segundo a emissora, ele cumpriu em grande parte. Hoje, as travessias estão no nível mais baixo em décadas.

A fiscalização da imigração, porém, pesa do outro lado da balança. Segundo dados do Deportation Data Project obtidos pela BBC, o Texas respondeu por cerca de um terço das prisões feitas pela agência de imigração ICE em todo o país em julho. Nenhum outro estado teve participação maior. Javier Villalobos, prefeito republicano de McAllen, disse à BBC que a maioria das pessoas concorda com a deportação de criminosos e pessoas violentas, mas que o problema está na deportação de pessoas produtivas e cumpridoras da lei.

Mario Guerrero, empresário mexicano-americano que lidera a Associação de Construtores do Sul do Texas, votou em Trump três vezes seguidas. Agora, ele planeja votar nos democratas, em parte por causa do que chama de desconforto com a repressão. "Pensávamos que estávamos certos ao votar em Trump", disse ele. "Realmente não nos disseram a que extremos eles estavam dispostos a chegar para provar um ponto." Ele também mencionou os recentes tiroteios envolvendo agentes do ICE em cidades dos EUA.

Guerrero também contou que um conhecido tinha 35 funcionários no ano passado. Há dois dias, segundo ele, esse homem disse que teria sorte se quatro ou seis aparecessem para trabalhar. Para Mike Madrid, consultor republicano especialista em eleitores hispânicos, muitos latinos não se veem em nenhum dos partidos. "Os latinos são mais propensos do que qualquer outro grupo a se identificarem como independentes", afirmou.

Distrito 15 vira teste para o mapa eleitoral

Trump pressionou estados como o Texas a redesenhar seus distritos eleitorais antes do censo, a contagem oficial da população feita a cada dez anos. Na prática, o redesenho muda os limites das áreas onde os eleitores escolhem deputados. A estratégia partia da crença de que os hispânicos estavam migrando para o Partido Republicano.

O 15º distrito do Texas foi redesenhado em 2025 e criou, em tese, uma maioria de 18 pontos para os republicanos. Mesmo assim, as pesquisas atuais apontam vantagem democrata de cinco ou seis pontos. O candidato democrata é Bobby Pulido, cantor de música tejana e vencedor de dois prêmios Grammy Latino.

Pulido se afastou da imagem nacional do partido e tem focado a economia. Segundo a BBC, reverter a situação política não será fácil, e, para vencer nessa região do Texas, é preciso ser conservador. "Isto não é Nova Iorque, isto não é Los Angeles", disse ele à BBC. "Elas querem ouvir falar da economia." Em uma festa do abacate, o casal Dave Baldwin e Veronica Salazar culpou o presidente pelo aumento dos preços. "Ele controla o nosso destino, e no momento não está fazendo um bom trabalho", disse Baldwin.

Do lado republicano, o clima é de desvantagem. Alexis Uscanga, estudante voluntário que bate de porta em porta, resumiu a tarefa do partido. "As eleições de meio de mandato são puramente uma questão de participação", disse ele. Tano Tijerina, candidato republicano no 28º distrito, atribuiu a Trump o mérito de "ter superado barreiras", mas reconheceu que "os ventos contrários da política nacional são reais".

No Senado, um levantamento do New York Times/Siena indica o democrata James Talarico com 51% das intenções de voto, contra 45% do republicano Ken Paxton. Os democratas não elegem um senador pelo Texas há mais de 30 anos. Se as pesquisas estiverem corretas, e não há garantia disso, uma pequena virada em novembro poderia redesenhar a disputa no estado e além dele.

Fontes: BBC — “Os eleitores hispânicos ajudaram a eleger Trump. Isso pode estar mudando agora no Texas?”; InfoMoney — “De lenhador a sindicalista: quem são democratas que tentam retomar Senado nos EUA”; VEJA — “Desilusão com Trump coloca eleitorado latino em disputa na Flórida”; CartaCapital — “‘Trump nos traiu’, eleitores latinos do Arizona se afastam do presidente”.