Lula diz que pobre não pagará conta de ajuste fiscal e cobra narrativa do governo

Presidente afirma, em reunião do CNPE, que população de baixa renda não será submetida a sacrifícios para equilibrar as contas públicas

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursando em Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) (imagem de arquivo).
Foto: Lula Oficial / CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

🚨 PLANTÃO GAZETA — notícia em desenvolvimento, escrita a partir do que 3 veículos publicaram. As fontes estão no fim do texto; esta página pode ser atualizada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (6) que a população de baixa renda não será submetida a sacrifícios para equilibrar as contas públicas. A declaração foi feita durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no Ministério de Minas e Energia.

"A única coisa que ele tem que saber é que o pobre não pagará a conta. A única coisa que ele tem que saber é que nós não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício", disse o presidente. Segundo ele, a equipe econômica trabalha para manter o equilíbrio fiscal sem comprometer os investimentos sociais.

Lula também rebateu as críticas à responsabilidade fiscal do governo. "Alguém pode falar que esse governo não tem responsabilidade fiscal?", questionou. Em seguida, afirmou: "Ninguém nesse país pode falar mais de responsabilidade fiscal do que a minha equipe econômica".

Ele defendeu que a responsabilidade fiscal deve andar junto com inclusão social. Citou o aumento real do salário mínimo e a ampliação da massa salarial, que, segundo ele, contrariaram previsões de pressão inflacionária. O presidente lembrou ainda que, entre 2003 e 2010, o governo registrou superávit primário em todos os anos. Superávit primário é quando o governo arrecada mais do que gasta, sem contar os juros da dívida.

Dívida e investimentos

Lula defendeu que o endividamento público pode financiar obras e ampliar o patrimônio nacional. "Você pode fazer uma dívida, desde que você possa pagar", disse. Ele citou ferrovias, estradas, pontes e aeroportos como exemplos de investimentos que justificariam a contratação de empréstimos.

O presidente lembrou os resultados de seus primeiros mandatos. Disse que o Brasil quitou uma dívida de US$ 30 bilhões, acumulou US$ 270 bilhões em reservas e emprestou US$ 1 bilhão ao FMI (Fundo Monetário Internacional).

Lula comparou a dívida brasileira à de Estados Unidos, França, Japão e Itália. Segundo ele, a comparação deve considerar a dívida interna desses países: perto da brasileira, a deles seria o dobro em relação ao PIB. O PIB, Produto Interno Bruto, é a soma de tudo o que o país produz em um ano. A dívida pública brasileira já supera 80% do PIB.

A reunião do CNPE aconteceu um dia depois de o Copom (Comitê de Política Monetária) interromper a sequência de cortes da Selic e manter a taxa em 13,75%. A Selic é a taxa básica de juros do país. Quando ela fica alta, encarecem empréstimos, financiamentos e parcelas do cartão. O mercado financeiro cobra medidas para conter o crescimento das despesas do governo.

Na quinta-feira (5), Lula reuniu 11 aliados no Palácio da Alvorada para discutir os rumos da política econômica. Entre os convidados, há a avaliação de que o debate sobre as contas públicas não deve se limitar à busca por superávits e à contenção de gastos. Eles defendem que o custo dos juros da dívida e os efeitos da política monetária sobre investimentos e crescimento também sejam considerados.

No mesmo evento desta sexta-feira, Lula cobrou que integrantes do governo divulguem os resultados da gestão. "Nós temos que criar a nossa narrativa. E nós temos que aprender a divulgar as coisas que nós fazemos", declarou. Ele também criticou a imprensa: "A imprensa, ela acha que se ela fala bem, ele é chapa branca. Então ela tem que ser crítica".

Lula ainda cobrou prazos das entregas do governo. "Aprovou uma coisa, eu quero saber data de entrega, quero saber [em] quanto tempo [vai ser entregue]. Quem não quiser fazer, cai fora, porque o Brasil não pode esperar", afirmou. Antes, havia dito que, "além da Casa Civil, o Lulinha [em referência a si mesmo] vai ser fiscal" do cumprimento das decisões aprovadas pelo conselho.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

Nos primeiros mandatos de Lula, entre 2003 e 2010, o governo registrou superávit primário em todos os anos, segundo o próprio presidente. Ele também afirmou ter quitado dívida de US$ 30 bilhões e acumulado US$ 270 bilhões em reservas. Na véspera da reunião do CNPE, o Copom manteve a Selic em 13,75%, interrompendo a sequência de cortes, com a dívida pública acima de 80% do PIB.

Fontes: Poder360 — “Lula rebate e diz que pobre não pagará "sacrifício" de ajuste fiscal”; CNN Brasil — “"Quem não quiser fazer, cai fora", diz Lula sobre entregas do governo”; InfoMoney — “Lula diz que Brasil tem seriedade fiscal e que pobre não vai pagar a conta do ajuste”.

Também noticiaram: Brasil de Fato, UOL Notícias.